Produtor premiado dá crédito à sua equipe de “especialistas em colheita”
Durante dois meses, uma equipe de 150 pessoas colhe as azeitonas no Cortijo Virgen de los Milagros, assim como faziam seus pais e avós. “O lagar é apenas o extrator”, diz Luis Montabes. “A qualidade nasce nos campos.”
Às 8h30, o Cortijo Virgen de los Milagros fervilha de atividade.
Está frio lá fora e as equipes de colhedores de azeitonas se reúnem nas portas desta típica fazenda andaluza — com os galhos para sacudir as árvores em mãos, suprimentos de água e lanches prontos para ajudá-los a suportar um longo dia de trabalho.
Temos a sorte de contar com pessoas cujos bisavós vieram para esta propriedade antes de meus pais a comprarem no início dos anos 70. Eles são especialistas na colheita de azeitonas.
Eles esperam pelos Range Rovers para levá-los ao tajo, como chamam seu local de trabalho nos campos. Das 9h às 16h30, eles estarão colhendo azeitonas no olival, com um intervalo de 30 a 40 minutos.
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Esta propriedade de quase 600 hectares (1.483 acres), pertencente à família Montabes Vaño, fica no coração do famoso Mar de Azeitonas de Jaén.
Mais de 3,5 milhões de quilos de azeitonas são colhidos aqui todos os anos e uma média de 800.000 litros de azeite é produzida no lagar da propriedade.
Todo o azeite da Monva, incluindo o premiado Dominus Early Harvest, vem do Cortijo Virgen de los Milagros.
Mancha Real é a vila mais próxima, a apenas 5 quilômetros de distância, e a Sierra Mágina — a cordilheira que dá nome a esta região de denominação de origem protegida — domina o olival que parece infinito.
Este é o território da Picual, a variedade preferida de Jaén, e a época da colheita está no auge aqui.
Mais de 150 pessoas trabalham na propriedade durante esse período, contra uma média de 50 a 60 funcionários no resto do ano.
Além de oito equipes de colheita (cuadrillas, em espanhol) de 10 a 15 membros, há dezenas de motoristas de tratores e vibradores, além da equipe do lagar. A logística da colheita e da moagem em uma propriedade tão grande não é tarefa fácil.
Enquanto a colheita da azeitona na Andaluzia se estende mais ou menos de novembro a janeiro, em Monva, esse período se reduz a pouco mais de dois meses, começando no final de outubro. Luis Montabes, gerente de vendas da Monva e um dos proprietários dessa empresa familiar, compartilhou o motivo dessa diferença.
“Produzimos três tipos diferentes de azeite. Para o da colheita precoce, usamos azeitonas verdes antes que amadureçam. Para o azeite extravirgem, usamos azeitonas que estão apenas começando a amadurecer e, depois, produzimos azeite extravirgem com azeitonas maduras”, disse ele.
“É por isso que antecipamos bastante a colheita em comparação com as cooperativas da região e da Andaluzia. Isso faz com que, no final da colheita, os frutos permaneçam nas árvores, para que não tenhamos que recolhê-los do chão. Uma vez que os frutos caem no chão, não há qualidade alguma”, disse ele ao Olive Oil Times.
Nos campos, a atividade é frenética. Os responsáveis por sacudir as oliveiras com varas (varear, em espanhol) são, em sua maioria, homens. Em seguida, os trabalhadores limpam as lonas onde as azeitonas caem, a fim de remover galhos e folhas. Outros puxam as lonas e as movem de uma árvore para outra.
“Cada árvore exige uma forma diferente de colheita. Aqui usamos guarda-chuvas invertidos, onde as azeitonas são sacudidas e caem diretamente sobre o guarda-chuva. Também fazemos a colheita por ‘ordenha’ para árvores mais jovens. E usamos lonas e vibradores de grande porte para oliveiras maiores”, contou-nos Montabes.
A colheita de azeitonas é um trabalho rápido e intenso, pois a qualidade depende, em parte, da rapidez com que as azeitonas colhidas são recolhidas em reboques de trator e levadas ao lagar. Na Monva, todo o processo leva menos de 3 a 4 horas.
Felipe Castro é o responsável por organizar a operação de colheita: ele decide por onde começar a colher as azeitonas e distribui as equipes pelos campos.
Para manter o registro de tudo isso, ele precisa apenas de um bloco de notas onde anota algumas observações. Sem computadores, aplicativos ou drones. Ele passou mais de 48 anos de sua vida na propriedade e a conhece de cor.

Felipe Castro
“Meu trabalho é organizar a colheita e supervisionar o lagar e o processo de engarrafamento. Por ser uma empresa familiar, estamos presentes em todos os locais”, disse Castro.
“Tenho dois assistentes que me ajudam. Estamos constantemente percorrendo os campos antes da colheita para verificar onde as azeitonas estão mais maduras. Ou, quando temos que colher as verdes para o azeite de colheita precoce, escolhemos as que mais nos agradam. Depois de tantos anos, você conhece as parcelas como se fossem seus próprios filhos. Não é preciso muito para saber como elas estão”, explicou ele com um sotaque andaluz bem marcado.
A maioria dos colhedores de azeitonas do Cortijo Virgen de los Milagros vem de Jaén e Granada, e alguns deles moram no Cortijo durante a colheita. Outros preferem ficar em vilarejos próximos.
Os cortijos — casas de campo tradicionais da Andaluzia — costumam oferecer alojamento aos trabalhadores. No passado, quando a colheita durava mais tempo, o Virgen de los Milagros costumava se transformar em uma pequena vila e tinha até uma pequena escola e lojas para as famílias dos colhedores de azeitonas.
“Temos a sorte de contar com pessoas cujos bisavós vieram para esta propriedade antes de meus pais a comprarem no início dos anos 70. Eles são especialistas na colheita de azeitonas”, disse Montabes.
“O papel deles é fundamental, pois consiste não apenas em colher corretamente as azeitonas deste ano, mas também em cuidar da árvore para o ano que vem. Porque se você sacudir da maneira errada, pode prejudicar os brotos do ano que vem.”