Gases de efeito estufa atingem níveis recordes, segundo relatório da OMM

Os gases de efeito estufa na atmosfera continuam aumentando e não mostram sinais de desaceleração, de acordo com um relatório da Organização Meteorológica Mundial.

O último Boletim sobre Gases de Efeito Estufa da Organização Meteorológica Mundial (OMM) revela que os gases de efeito estufa na atmosfera continuam a aumentar e atingiram um nível recorde.

Sem reduções rápidas nas emissões de CO₂ e outros gases de efeito estufa, as mudanças climáticas terão impactos cada vez mais destrutivos e irreversíveis sobre a vida na Terra. — Organização Meteorológica Mundial

Os níveis de dióxido de carbono (CO2), metano e óxido nitroso estão agora muito acima dos níveis pré-industriais. Infelizmente, essa tendência de aumento não mostra sinais de reversão e, como resultado, as temperaturas globais estão subindo.
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“A ciência é clara. Sem reduções rápidas nas emissões de CO2 e outros gases de efeito estufa, as mudanças climáticas terão impactos cada vez mais destrutivos e irreversíveis sobre a vida na Terra. A janela de oportunidade para agir está quase fechada”, alertou Petteri Taalas, secretário-geral da OMM, em um comunicado à imprensa de 20 de novembro. “A última vez que a Terra experimentou uma concentração comparável de CO₂ foi há 3 a 5 milhões de anos, quando a temperatura era 2-3 °C mais quente e o nível do mar era 10-20 metros mais alto do que agora”, acrescentou Taalas.

O Boletim de Gases de Efeito Estufa da OMM relata a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, ou seja, a concentração de gases que permanecem na atmosfera depois que cerca de metade é absorvida pelo oceano e pela biosfera (um quarto cada).

Os autores deste relatório da agência da ONU são especialistas em meteorologia e pesquisadores cujas conclusões se baseiam em observações do Programa de Vigilância Atmosférica Global da OMM, que monitora e analisa gases de efeito estufa com base em dados recebidos de 53 países.

O relatório revela que, em 2017, os níveis de dióxido de carbono, o principal gás de efeito estufa na atmosfera, atingiram uma média global de 405,5 partes por milhão, 146% do nível da era pré-industrial. Quarenta por cento do metano absorvido pela atmosfera provém de fontes naturais, enquanto 60% é de origem antropogênica e resulta da pecuária, do cultivo de arroz, dos combustíveis fósseis, dos aterros sanitários e da queima de biomassa.

Quanto ao nível de metano na atmosfera, este situou-se em 1.859 partes por bilhão em 2017, o que representa 257% do nível pré-industrial.

O óxido nitroso é outro gás de efeito estufa produzido tanto por elementos naturais (60%) quanto antropogênicos (40%), como o uso de fertilizantes, processos industriais e a queima de biomassa. Em 2017, a concentração desse gás na atmosfera era de 329,9 partes por bilhão, 122% dos níveis pré-industriais.

Esses três gases de efeito estufa retêm calor na atmosfera, um fenômeno que está levando às mudanças climáticas, ao aumento do nível do mar, a padrões climáticos extremos e à acidificação dos oceanos — uma diminuição no pH do oceano devido ao aumento do CO₂ na atmosfera. Os níveis crescentes de gases de efeito estufa são atribuídos à industrialização, ao uso de combustíveis fósseis, à agricultura intensiva e ao desmatamento.

O relatório também revela que um produto químico ilegal chamado CFC-11, proibido em 1987 pelo Protocolo de Montreal, ainda está em uso. Esse clorofluorcarbono também é um gás de efeito estufa que destrói a camada de ozônio estratosférica. Na última década, seu uso diminuiu, mas, desde 2012, esse declínio desacelerou em dois terços devido à produção contínua de CFC-11 na China e, especificamente, em sua indústria de espuma de poliuretano.

O boletim da OMM segue o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) publicado em outubro. “Aquecimento Global de 1,5 °C” examinou os impactos do aquecimento global e alertou que as emissões líquidas de CO2 causadas pelo homem devem chegar a zero até 2050 para minimizar os aumentos de temperatura para menos de 1,5 °C. O Acordo de Paris de 2016 sobre mudanças climáticas estabeleceu a meta de limitar o aumento das temperaturas mundiais a menos de 2 graus Celsius (3,6 graus Fahrenheit) até 2030.

Ambos esses importantes relatórios têm o objetivo de orientar a tomada de decisões durante a próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a ser realizada em Katowice, na Polônia, de 2 a 14 de dezembro de 2018.

Pesquisas revelaram que a produção de azeite de oliva, utilizando as técnicas agrícolas adequadas, pode contribuir significativamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa.