O ramo de oliveira se estende até o Rio
O Brasil é um grande consumidor de azeite de oliva, com profundos laços culturais com Portugal, e o simbolismo da azeitona está presente ao longo de toda a história das Olimpíadas. E, por acaso, os atletas olímpicos também o consomem.
Os atletas olímpicos no Rio podem não estar untando o corpo inteiro com o produto, como faziam seus antecessores em 776 a.C., mas o azeite de oliva ainda assim terá um papel importante nestes Jogos de Verão.
Desde os regimes nutricionais seguidos pelos atletas até o significado simbólico do ramo de oliveira, passando pelo papel cada vez mais importante do Brasil como um dos principais destinos de exportação do azeite extravirgem, a oliveira, seu fruto e seu azeite estão presentes no evento e em todo o país anfitrião.
Os estreitos laços históricos do Brasil com Portugal e a culinária portuguesa moldam o amor da nação pelo azeite de oliva. Uma postagem no blog Flavors of Brazil observa que, nos pratos brasileiros de influência portuguesa, “o azeite de oliva é quase sempre o único óleo vegetal utilizado”. Bacalhau sem uma generosa porção de azeite de oliva é impensável, e sopas e ensopados de inspiração portuguesa invariavelmente levam azeite de oliva. Mas mesmo pratos que não têm origens europeias, como os pratos afro-brasileiros típicos da culinária baiana, costumam levar azeite de oliva”

É bem provável que muitos atletas do mundo estejam incluindo gorduras saudáveis, como o azeite de oliva, em suas dietas de treinamento. As estrelas do atletismo dos EUA, as corredoras de longa distância Amy Cragg e Shalane Flanagan, certamente o fazem. Flanagan escreveu um livro sobre o assunto. Run Fast, Eat Slow (Corra Rápido, Coma Devagar) exalta as virtudes de gorduras como as encontradas em nozes e no azeite de oliva, consideradas essenciais para um desempenho ideal.
O Brasil é o quarto maior importador de azeite de oliva do mundo. De acordo com o Conselho Oleícola Internacional, em 2015, estimava-se que as importações do país se aproximassem de 80 mil toneladas, com a maioria proveniente do Mediterrâneo e a maior parte sendo de azeite virgem.
Em um artigo de 2014 do Olive Oil Times, Charlie Higgins descreveu o surgimento do Brasil também como produtor de azeite de oliva, citando o clima e a produtividade do solo semelhantes aos dos países europeus. “Embora ainda esteja em sua infância, a produção nacional decolou nos últimos anos. A maior parte desse crescimento está ocorrendo no estado do Rio Grande do Sul, que possui clima e tipo de solo semelhantes aos do vizinho Uruguai, outro país com enorme potencial como produtor e exportador de azeite de oliva.”
Mais recentemente, Lisa Radinovsky relatou sobre um presente oferecido à Grécia pelo Brasil: um ramo de oliveira da “Oliveira Monumental” em Vouve, em Creta, foi cortado e oferecido como um gesto simbólico de paz.
Considerada por alguns como a oliveira mais antiga do mundo, possivelmente com milhares de anos, os ramos da árvore têm sido usados em cerimônias desde os Jogos de Atenas em 2004. Desde a antiguidade, ramos de oliveira de bosques sagrados têm sido usados para coroar as cabeças dos vencedores olímpicos.