Consumo de azeite deve superar a produção, pela primeira vez
Estima-se que o consumo atinja 3,14 milhões de toneladas, enquanto a produção diminui na safra de 2020, revertendo finalmente a tendência de queda dos preços.
A produção mundial de azeite será ligeiramente inferior ao consumo na safra de 2020.
Com as estimativas atuais apontando para uma produção de cerca de 3,11 milhões de toneladas de azeite e um consumo previsto de 3,14 milhões de toneladas, pode finalmente haver boas notícias para os produtores, segundo o consultor internacional Juan Vilar.
É um alívio para o olival tradicional, que representa 70% da colheita e que, sem dúvida, passou por momentos difíceis.
“Esperamos que, durante esta campanha, o consumo seja superior à produção”, disse Vilar em um recente webinar andaluz sobre a produção de azeite, segundo a agência de notícias espanhola COPE.
Veja também: Preços abrem em alta na Grécia em meio à escassez de trabalhadores“Além disso, foram observados aumentos de preços em todas as categorias, o que mostra que, embora seja necessária uma mudança de estratégia, isso representa um fôlego para o olival tradicional, que representa 70% da colheita e que, sem dúvida, passou por momentos difíceis.”
Há também um papel crescente em todo o mundo para o “olival moderno”, disse Vilar, que agora representa “40% de todo o azeite produzido” — números que revelam “uma mudança de tendência e uma realidade em constante crescimento”.
Vilar também destacou como a crescente popularidade do cultivo de oliveiras nos cinco continentes “elevou para um total de 11,5 milhões de hectares dedicados às oliveiras”. Esses números impulsionaram a produção mundial a ultrapassar 3 milhões de toneladas, “alimentando famílias em mais de 180 países”.
A produção mundial para a safra atual será 3,4% menor do que no ano passado, uma queda devida principalmente à redução do rendimento em vários países mediterrâneos, incluindo Itália (270.000 toneladas), Grécia (240.000), Marrocos (140.000), Tunísia (130.000) e Portugal (120.000).
A única exceção à tendência de queda é a Espanha, onde a produção deve atingir 1,6 a 1,7 milhão de toneladas, conforme relatado pela revista local Agrònoma.
Segundo Vilar, o declínio na produção em alguns países mediterrâneos se deve à alternância típica das estações.
“A maioria dos olivais nesses países são pomares tradicionais, como acontece na Itália, Grécia ou Tunísia”, disse Vilar, “países que no ano passado registraram um rendimento bastante relevante. Isso ocorreu na Tunísia, que testemunhou uma tendência de queda nos preços na safra anterior, bem como em Portugal, cujo rendimento atingiu um pico de 150 mil toneladas.”
A Espanha conseguiu fortalecer sua posição como principal produtora, o que Vilar atribuiu principalmente aos fortes investimentos na agricultura moderna e em novas tecnologias específicas.
“A Espanha”, observou Vilar, “conseguiu combinar adequadamente seu conhecimento tradicional da cultura com novas tecnologias, tornando-se o maior produtor mundial de azeites, já que mais da metade — 52% — dos azeites produzidos nos cinco continentes será de origem espanhola.”
O consultor também destacou como os preços do azeite, que nos últimos anos vêm caindo constantemente, parecem agora estar próximos de uma mudança de tendência.
A escassez de azeite extravirgem provocou um aumento nos preços, com novos contratos sendo fechados a mais de €3 (US$ 3,54) por quilo.
“Atualmente, estamos vendo os preços do azeite extravirgem em Portugal atingirem €3,20 por quilo, pois lá são produzidos os primeiros azeites extravirgens da safra”, observou Vilar, “enquanto nas próximas semanas os preços irão desacelerar gradualmente, posicionando os preços da safra espanhola em torno de €2,40 ou €2,50. Mesmo que possamos esperar uma pequena queda depois disso, os preços devem permanecer em € 2,25 ou € 2,35 até o final de janeiro.”
Isso seria um alívio para os produtores, já que os preços em Jaén, o principal mercado andaluz, caíram em setembro para € 2 por quilo, de acordo com os últimos dados do Conselho Oleícola Internacional (COI).