Projeto visa promover mudanças sociais por meio do azeite de oliva no Brasil
A Social Trees pretende plantar milhares de oliveiras para a produção de azeite, com o objetivo de apoiar a educação dos jovens nas comunidades mais carentes da região do Rio Grande do Sul.
Embora o Brasil não seja amplamente conhecido como produtor de azeite, uma nova iniciativa pode muito bem mudar isso — não por causa da escala de sua produção de azeite, mas como resultado de um esforço inovador e voltado para uma causa chamado Social Trees.
O objetivo da iniciativa é apoiar a educação de jovens nas comunidades carentes da região sul do Rio Grande do Sul. Para isso, a Social Trees tentará arrecadar fundos para plantar entre 7.000 e 35.000 oliveiras (provavelmente das variedades Arbequina, Arbosana, Koroneiki e/ou Picual, todas cultivadas com sucesso na região), a partir das quais será produzido e vendido azeite extravirgem. 100% dos lucros serão então destinados a projetos sociais locais e, em teoria, isso ocorrerá ao longo de pelo menos 70 anos (considerado o tempo médio de produção de um olival).
A iniciativa é liderada por Leonardo Dutra, especialista em agronegócio e com experiência em gestão e desenvolvimento de marketing das agroindústrias brasileiras. Ele conta com o apoio de um grupo diversificado, que inclui produtores de azeite do Brasil, da Itália e de Portugal, e o projeto está buscando doações por meio do site de financiamento coletivo Indiegogo.
A iniciativa tem o potencial de beneficiar não apenas os jovens do Rio Grande do Sul, mas também empregar moradores locais para auxiliar na produção, transporte e manutenção dos pomares, além de atuarem como consultores técnicos para a seleção de locais, implementação e manutenção, entre outras possíveis funções.
A Social Trees pode receber um impulso do aumento constante do consumo de azeite de oliva no Brasil, que decorre da recuperação da economia do país e do crescente interesse por alimentos mais saudáveis.
Dutra explicou: “O Brasil passou por um extraordinário desenvolvimento social e econômico de 1995 a 2013. Em geral, a população ganhou poder aquisitivo.” Ele acrescentou: “O resultado desse processo foi a incorporação de novos hábitos no país, como o consumo de vinho e de azeite de oliva.”
De fato, desde 1990/1991, o consumo de azeite de oliva no Brasil passou de 13,5 toneladas métricas anuais para 66,5 toneladas em 2014/2015. Embora Dutra alerte que o consumo possa desacelerar devido à atual crise econômica do país, ele acredita que ainda continuará a crescer. De fato, considerando que cerca de 85% do azeite de oliva do Brasil é importado da Europa, o país está pronto para contribuir com sua própria demanda interna, independentemente da taxa de crescimento.
Dutra também acredita que é possível que o impacto do projeto vá além da região do Rio Grande do Sul e até mesmo do Brasil. “Acreditamos que a iniciativa tem potencial para agregar valor à produção de azeite no Brasil e no mundo.”
E, idealmente, eles não terão que fazer isso sozinhos. “Esperamos que a indústria global de azeite nos ajude nessa empreitada”, disse ele, acrescentando que está aberto à possibilidade de que isso possa “beneficiar o desenvolvimento dessa indústria como um todo”.