Quase um terço das espécies de árvores silvestres está ameaçado de extinção, alerta relatório
Pesquisadores descobriram que, nos últimos 300 anos, as áreas florestais do nosso planeta diminuíram em 40%.
Uma em cada três árvores nas florestas e áreas arborizadas do planeta corre risco de extinção, segundo um relatório publicado pela Botanic Gardens Conservation International (BGCI), uma organização sem fins lucrativos.
Mais de 17.500 espécies de árvores silvestres estão atualmente ameaçadas, afirma o relatório, o que representa o dobro do número de mamíferos, aves, anfíbios e répteis ameaçados de extinção somados.
Se perdermos as árvores, perderemos tudo: perderemos as aves, os animais, as plantas e os fungos que dependem delas.
O número pode ser ainda maior, já que muitas espécies de árvores são registradas como “não ameaçadas” pelos cientistas devido à falta de pesquisas científicas adequadas.
Veja também: Europa anuncia plano para plantar 3 bilhões de árvores até 2030As florestas já perderam 142 espécies de árvores conhecidas, enquanto outras 442 estão à beira da extinção, restando apenas 50 ou menos árvores individuais.
“Este relatório é um alerta para todas as pessoas ao redor do mundo de que as árvores precisam de ajuda”, disse Paul Smith, secretário-geral da BGCI.
O Brasil, que possui a maior diversidade vegetal do mundo, destaca-se como o país com o maior número de espécies de árvores ameaçadas, 1.788, seguido pela China, com 890 espécies de árvores silvestres em risco.
Ilhas tropicais, incluindo Madagascar, também apresentam um alto nível de árvores ameaçadas, e até mesmo países europeus estão começando a perder partes de suas espécies de árvores silvestres.
As árvores silvestres são ameaçadas principalmente por atividades humanas, como o desmatamento para expandir terras agrícolas, pastagem de gado e agricultura, extração de madeira e incêndios florestais naturais ou causados pelo homem. Outras ameaças emergentes são as mudanças climáticas e eventos climáticos extremos, que podem alimentar fenômenos como o aumento do nível do mar.
Carvalhos, ébanos, pau-rosa, magnólias e dipterocarpos, uma grande árvore tropical, entre outras, estão todas em grande perigo.
“Temos quase 60.000 espécies de árvores no planeta e, pela primeira vez, sabemos quais dessas espécies precisam de ações de conservação, quais são as maiores ameaças a elas e onde elas se encontram”, disse Malin Rivers, pesquisadora da BGCI.
Os cientistas também enfatizaram a importância das espécies de árvores e o papel fundamental que elas desempenham na natureza.
“Para um mundo saudável, precisamos da diversidade de espécies de árvores”, disse Sara Oldfield, da União Internacional para a Conservação da Natureza, que contribuiu para o relatório.
“Cada espécie de árvore tem um papel ecológico único a desempenhar”, acrescentou ela. “Com 30% das espécies de árvores do mundo ameaçadas de extinção, precisamos ampliar urgentemente as ações de conservação.”
Outro parâmetro importante a ser levado em conta na luta para proteger as árvores silvestres é a “cegueira em relação às árvores”, descrita como a indiferença que as pessoas demonstram quando se trata da perda irreversível de diferentes tipos de espécies.
“A maioria das pessoas associa espécies em extinção a animais bonitos, como tigres ou rinocerontes”, disse Emily Beech, outra colaboradora do relatório.
“Está-se gastando mais dinheiro na preservação de animais do que em árvores”, acrescentou ela. “Mas o que a maioria das pessoas não percebe é que, se perdermos as árvores, perderemos tudo: perderemos os pássaros, os animais, as plantas e os fungos que dependem delas.”
Nos últimos 300 anos, as áreas florestadas do planeta diminuíram em 40% e 29 países já perderam mais de 90% de sua cobertura florestal.
É preciso agir para evitar o declínio das árvores silvestres, alertou o relatório, incluindo financiamento para preservar as espécies de árvores, educação para promover o reflorestamento em áreas desmatadas e programas de plantio cuidadosamente elaborados para aumentar as populações de árvores em risco.