A seca ameaça os preços do azeite de oliva para o consumidor nos EUA e no exterior
A grave seca na Califórnia e na Espanha reduzirá a produção e fará os preços subirem, segundo analistas do setor.
A Espanha, maior produtora mundial de azeite, não é o único país a enfrentar as dificuldades decorrentes de condições de seca persistente. Aqui nos EUA, a Califórnia também enfrenta a ameaça de uma redução na produção de azeite e do aumento dos preços ao consumidor,
em consequência de períodos de seca prolongados e severos.
Reportagens da imprensa espanhola indicam que as regiões do sudoeste de Valência e Alicante são as mais afetadas, com precipitação 50% abaixo da média normal. Meteorologistas atribuem a culpa às mudanças climáticas e prevêem um panorama sombrio para as condições de seca, incluindo períodos de seca intensos e imprevisíveis no futuro, de acordo com um estudo de 2013 do Conselho Superior de Investigação Científica (CSIC) da Espanha, que relata que “no período de 1945 a 2005, as secas no país tornaram-se mais intensas e mais frequentes”. Lamine Lahouasnia, chefe da divisão de alimentos embalados da Euromonitor International, admite: “Se a seca acabar afetando negativamente a produção espanhola, é muito provável que vejamos um aumento nos preços ao consumidor em 2014.”
A Califórnia é uma região produtora de azeite em rápido crescimento devido a um clima comparável ao do Mediterrâneo; no entanto, mais de 95% do azeite consumido pelos americanos ainda é importado. O Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas estimou recentemente uma queda de 45% na produção de azeite este ano como resultado da seca.
A última seca generalizada na Europa, em 2012/13, elevou os preços do azeite importado pelos EUA em 8%.
Ainda assim, alguns agricultores americanos permanecem otimistas. Como as oliveiras resistem ao calor muito melhor do que outras culturas nacionais importantes (como as amendoeiras), a seca representa uma oportunidade para o mercado de azeite nos EUA.
A maioria concorda que existe uma ameaça de aumento dos preços devido à queda acentuada na produção de azeite nos EUA e na Espanha, mas Yago Cruz, diretor executivo da Cruzoliva, fornecedora espanhola de azeite a granel, disse que o problema foi agravado por traders “tentando lucrar com a incerteza causada pela seca, fazendo apostas no mercado de futuros”.