Aldeia da Apúlia aposta no patrimônio da olivicultura para revitalizar a economia

Orsara, uma pequena vila da Apúlia, está aproveitando sua antiga tradição de produção de azeite para impulsionar sua economia e promover a sustentabilidade e o turismo.

Uma pequena vila da Apúlia está apostando em sua tradição milenar de produção de azeite para revitalizar sua economia e valorizar a região.

Situada nas montanhas Dauni, na província de Foggia, Orsara abriga uma comunidade de 2.500 residentes, conhecida por sua saúde e longevidade excepcionais.

A ideia surgiu enquanto visitávamos e restaurávamos as trilhas agrícolas em nossa zona rural”, disse Michele Terlizzi, vereador delegado para a agricultura, médico veterinário e olivicultor, ao Olive Oil Times. 

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Há tantas árvores centenárias, famílias envolvidas na produção de azeite, belas paisagens e lagares de azeite”, acrescentou ele.

A maior parte da produção local de azeite provém de mais de 20.000 oliveiras, predominantemente da cultivar Ogliarola, com algumas variedades de Coratina e Leccino.

O azeite extravirgem local é conhecido por sua acidez excepcionalmente baixa, frequentemente abaixo de 0,2%.

Como administração municipal, percebemos que tínhamos a oportunidade de dar à nossa tradição única de azeite o lugar que ela merece no presente e no futuro de Orsara”, disse ele.

O primeiro passo foi aderir formalmente à rede nacional de Città dell’Olio (Municípios do Azeite).

Essa associação bem estabelecida promove ativamente a sustentabilidade e destaca a história e as características únicas dos territórios olivícolas em toda a Itália.

O segundo passo foi envolver os produtores profissionais locais, alguns dos quais abraçaram imediatamente um caminho que levaria à criação de uma marca de azeite específica de Orsara”, disse Terlizzi.

Produtores e administradores locais estão elaborando diretrizes para institucionalizar práticas agrícolas enraizadas nas tradições locais a fim de alcançar esse objetivo.

“Ainda não está pronto, mas as diretrizes incluirão disposições como uma política de uso zero de pesticidas”, disse Terlizzi.

Nossos métodos são baseados na tradição, centrados em pomares tradicionais. O cultivo intensivo de oliveiras não faz parte da nossa tradição”, acrescentou.

De acordo com o conselho, a nova marca de azeite de Orsara enfatizará a nutrição do solo e técnicas que promovam a biodiversidade, como triturar os resíduos da poda em vez de removê-los e empregar tratamentos baseados na análise do solo.

Os tratamentos com caulim e zeólita substituirão substâncias químicas que possam prejudicar a biodiversidade.

Ao adotarem práticas compartilhadas dentro do mesmo território, os produtores se apoiarão mutuamente”, disse Terlizzi. Por exemplo, se um produtor receber um pedido de grandes quantidades de azeite extravirgem, ele poderá fazer parceria com outros produtores locais para atendê-lo.” 

Outro passo importante é a criação de oportunidades de emprego no setor do azeite para as gerações mais jovens”, acrescentou.

A prefeitura firmou parceria com a escola de poda de Giorgio Pannelli para realizar os próximos cursos diretamente em Orsara.

A prefeitura financiará os cursos, permitindo que mais moradores se tornem podadores de oliveiras certificados”, disse Terlizzi.

Pannelli, pesquisador do Centro de Pesquisa da Oliveira (CRA) em Perugia, no centro da Itália, está entre os promotores da técnica simplificada de poda em vaso policônico, um método rápido e altamente eficiente que vem ganhando popularidade em toda a Itália.

De acordo com autoridades locais, a participação ativa dos produtores locais é um fator crucial para o sucesso da iniciativa.

Mario Simonelli, prefeito de Orsara, enfatizou que o maior trunfo do projeto é o entusiasmo e a energia dos jovens agricultores.

“Os jovens produtores estão adotando abordagens inovadoras focadas na agricultura orgânica e na multifuncionalidade”, disse ele. Pretendemos apoiar esse caminho, valorizando nossas tradições ancestrais e transformando-as em oportunidades modernas de crescimento.”

Em média, os olivicultores daqui têm 40 anos”, destacou Terlizzi, enfatizando sua iniciativa e abordagem contemporânea à agricultura.

Isso é sig­ni­fi­cativo, con­si­derando que a Agência Nacional de Serviços de Mercado Agrícola (Ismea) identi­fi­cou o envelhecimento da pop­ula­ção de olivicultores como um dos principais des­afios que o setor olivícola ita­liano en­frenta.

Acredita-se que essa tendência demográfica dificulte a adoção de novas tecnologias e práticas inovadoras na produção de azeite.

Em 2021, o Ismea calculou que, para cada olivicultor com menos de 40 anos, havia onze com mais de 65 anos em todo o país.

Os primeiros produtores a aderirem à iniciativa Orsara são destaque nos primeiros materiais promocionais criados pela administração. Mas a iniciativa permanece aberta a todos os produtores locais, que podem aderir a qualquer momento”, observou Terlizzi.

Paralelamente a essas iniciativas, as autoridades de Orsara apoiam a expansão das áreas de cultivo de oliveiras e a recuperação de olivais abandonados.

Esta manhã, estávamos descarregando mais de 100 novas mudas de oliveira”, disse Terlizzi.

O oleoturismo terá um papel significativo nos planos do município.

“Os turistas que visitarem Orsara não só poderão comprar um dos melhores azeites extravirgens da Apúlia, mas também vivenciarão em primeira mão como ele é produzido, visitando os olivais e as árvores centenárias de onde ele provém”, disse Terlizzi.

Os visitantes também poderão mergulhar na história dos olivais locais.

Por exemplo, no passado, os acordos de casamento locais entre duas famílias sempre incluíam um olival como parte do dote”, lembrou Terlizzi. O objetivo era claro: as novas famílias precisavam de seu próprio azeite.”

Além das azeitonas, do mel e de outros produtos agrícolas que contribuem para a longevidade dos moradores, Orsara oferece passeios por igrejas históricas, museus e antigos fornos de barro e palha.

Outras atividades entre os olivais estão planejadas para quando o tempo mais quente se aproximar.

Em última análise, o azeite permitirá que turistas italianos e internacionais conheçam a história e o caráter do território único e belo de Orsara”, concluiu Terlizzi.