Arqueólogos dão nova vida a uma villa romana em Malta
Com o uso da tecnologia de modelagem 3D, arqueólogos e pesquisadores criaram uma réplica virtual da antiga villa romana e de seu lagar de azeite. Agora, os turistas virtuais podem explorar o local e conhecer de casa a produção milenar de azeite de oliva.
Uma vila romana produtora de azeite no sudeste de Malta, que remonta ao século IV a.C., poderá em breve ser admirada em toda a sua antiga glória graças a um projeto pioneiro de digitalização.
Localizada perto de alguns dos portos históricos da ilha, a villa romana possuía sofisticadas tecnologias de moagem. À medida que sua produção e relevância cresceram ao longo do tempo, o mesmo aconteceu com seu impacto na economia e na sociedade locais.
A ONG maltesa Wirt iż-Żejtun supervisionou as escavações arqueológicas, que nos últimos anos lançaram luz sobre a villa e seu importante papel na região. Para os arqueólogos, chegou a hora de permitir que as pessoas tenham acesso ao local graças à modelagem 3D.
Veja também: Cientistas encontram as evidências mais antigas de azeite na Europa Central“Escolhemos a villa romana porque poucos a conhecem o suficiente para apreciar seu valor e seus laços estreitos com o contexto local”, disse o presidente da Wirt iż-Żejtun, Ruben Attard, ao Times of Malta.
“As pessoas tendem a imaginar uma estrutura construída, mas, na verdade, o local é basicamente uma ruína com algumas características visíveis únicas, como o bloco de prensagem de azeite”, acrescentou ele. “Vamos pegar o que aprendemos em longos anos de estudos e escavações e usar isso para construir virtualmente um modelo 3D que visualizará não apenas como a estrutura era antigamente, mas também como funcionava o dia a dia da produção de azeite.”
Os turistas digitais que visitarem o local poderão então ver como os habitantes locais costumavam produzir azeite, tanto por meio de modelos 3D quanto de animações.
De acordo com os arqueólogos, as técnicas e a infraestrutura de produção de azeite de oliva eram provavelmente algumas das mais avançadas de todo o Império Romano, na época.
“A prensagem das azeitonas para produzir azeite depende de um processo bastante simples”, disse Nicholas Vella, um dos arqueólogos do local, à revista Think, da Universidade de Malta. “É preciso aplicar pressão sobre as azeitonas que tiveram seus caroços removidos. As fontes antigas nos dizem que não se devia esmagar o caroço, pois isso criaria um azeite de qualidade inferior.”
Datando do início da ascensão da importância econômica e política de Cartago na região do Mediterrâneo, a villa era uma antiga fazenda cujas atividades se estenderam por gerações.
Achados da Idade do Bronze ao redor do sítio arqueológico também confirmaram a relevância da produção de azeite para a população local. Além disso, as mudanças tecnológicas no moinho demonstraram como a importância da produção de azeite cresceu no local ao longo do tempo
O papel fundamental que a villa e a produção de azeite desempenharam para a população local também se reflete no nome da área em que o lagar foi encontrado – Żejtun, que vem da palavra árabe siciliana zaytun, que significa “fruto da árvore”.