A queima de madeira para geração de energia ameaça as florestas europeias
Na Europa, a madeira é considerada uma fonte de energia renovável e neutra em carbono. No entanto, grandes áreas de floresta estão sendo desmatadas para atender à demanda por madeira.
Em um esforço para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, a União Europeia vem subsidiando a queima de madeira para a produção de energia há mais de uma década.
Como resultado, a madeira em todas as suas formas — como toras, resíduos florestais, resíduos agrícolas e pellets de madeira — tornou-se a fonte de energia mais comum na Europa.
Pela primeira vez, uma instituição da UE reconheceu que queimar árvores pode não ser a melhor maneira de abandonar os combustíveis fósseis e conter as mudanças climáticas descontroladas.
No entanto, grandes extensões de florestas europeias estão começando a desaparecer para satisfazer a crescente demanda por madeira em todo o continente. A crise energética provocada pela guerra na Ucrânia agravou ainda mais o problema do desmatamento das florestas europeias.
Na Finlândia e na Estônia, as florestas, antes consideradas pontos críticos na batalha para reduzir os níveis de dióxido de carbono na atmosfera, são agora vistas como emissoras de carbono devido ao desmatamento extensivo.
Veja também: Europa enfrenta o verão mais quente já registrado“As pessoas compram pellets de madeira achando que são a escolha sustentável, mas, na realidade, estão contribuindo para a destruição das últimas florestas selvagens da Europa”, disse David Gehl, da Agência de Investigação Ambiental, um grupo de defesa com sede em Washington.
Na Romênia, o New York Times rastreou um carregamento de árvores extraídas de uma área florestal de grande importância ecológica até uma fábrica de processamento de madeira que transforma as árvores em serragem para a produção de pellets. De acordo com o jornal americano, a fábrica recebeu centenas de remessas de árvores provenientes de florestas protegidas somente no último ano.
A demanda por madeira na Europa também cruzou o Oceano Atlântico, alimentando uma indústria em franca expansão com efeitos devastadores nas florestas da região rural do sudeste dos Estados Unidos.
Além disso, um estudo realizado pela União Europeia no ano passado constatou que a queima de madeira para geração de energia causa mais poluição do que a obtenção da mesma quantidade de energia a partir de combustíveis fósseis.
No entanto, a energia produzida a partir da madeira é considerada neutra em carbono na Europa, e os Estados-Membros podem utilizá-la livremente para atingir suas metas de energia limpa no contexto do Acordo Climático de Paris.
O Parlamento Europeu votou pelo fim dos subsídios públicos para a “biomassa lenhosa primária”, com o objetivo de reduzir gradualmente o corte de árvores para a produção de energia. Por outro lado, o uso de resíduos florestais e resíduos de madeira como fonte de energia continuará sendo elegível para subsídios.
“Pela primeira vez, uma instituição da UE reconheceu que queimar árvores pode não ser a melhor maneira de abandonar os combustíveis fósseis e conter as mudanças climáticas descontroladas”, disse Alex Mason, chefe de política climática e energética da UE no Fundo Mundial para a Natureza (WWF).
O projeto de lei parlamentar precisa ser negociado com o Conselho da União Europeia e a Comissão Europeia antes de se tornar lei.
No entanto, vários países europeus, especialmente na Europa Central e do Norte, se opõem à iniciativa de reduzir gradualmente a queima de madeira como fonte de energia, sobretudo enquanto houver incerteza quanto ao fornecimento de petróleo e gás da Rússia para a Europa.
“Precisamos de mais energia renovável nacional e autossuficiência, não menos”, afirmou Antti Kurvinen, ministro finlandês da Agricultura e Silvicultura. “Vou promover plenamente a energia florestal.”