Europa enfrenta o verão mais quente já registrado

A China e a Califórnia também enfrentaram ondas de calor sem precedentes e sofreram com secas implacáveis.

A temperatura média neste verão na Europa foi a mais alta já registrada, de acordo com dados do Copernicus, o serviço europeu de mudanças climáticas.

As temperaturas médias do ar de junho a agosto superaram o recorde anterior, estabelecido em 2021, em 0,4 ºC, com ondas de calor extremas atingindo o leste do continente em agosto e temperaturas recordes assolando o sudoeste no início do verão.

“Uma série intensa de ondas de calor por toda a Europa, aliada a condições de seca incomuns, levou a um verão de extremos, com recordes em termos de temperatura, seca e incêndios em muitas partes da Europa, afetando a sociedade e a natureza de várias maneiras”, disse Freja Vamborg, cientista sênior do Copernicus, à BBC.

Veja também: Seca na Península Ibérica deve persistir até novembro

“Os dados mostram que não só tivemos temperaturas recordes em agosto para a Europa, mas também para o verão, sendo que o recorde anterior do verão tinha apenas um ano”, acrescentou ela.

Este verão registrou temperaturas recordes em muitos países europeus, incluindo partes da França e de Portugal. Em todo o continente, o calor também foi acompanhado pela pior seca dos últimos 500 anos.

Embora seja muito difícil determinar se as mudanças climáticas causaram diretamente qualquer evento climático extremo específico, a World Weather Attribution (WWA) concluiu anteriormente que temperaturas recordes de 40 ºC no Reino Unido teriam sido “extremamente improváveis” sem as mudanças climáticas causadas pelo homem.

A iniciativa, que envolve pesquisadores de todo o mundo, utilizou análises observacionais e de modelos para determinar que as mudanças climáticas causadas pelo homem tornaram o evento “pelo menos 10 vezes mais provável”.

Eles acrescentaram que, em um mundo com temperaturas médias do ar 1,2 ºC mais baixas, o Reino Unido provavelmente teria sido 2 ºC menos quente.

Em nível global, agosto foi o terceiro mês mais quente já registrado, com temperaturas 0,3 ºC acima da média do mês para o período de 1991 a 2020.

Fora da Europa, as regiões produtoras de azeitona da China sofreram com secas e ondas de calor durante os meses de verão.

Partes de Sichuan, no sudoeste, passaram por 70 dias consecutivos com temperaturas acima de 40 ºC e os níveis de água mais baixos já registrados, resultando em perdas significativas nas colheitas e escassez de energia.

De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a China produz cerca de 8.000 toneladas de azeite por ano, principalmente em Sichuan.

A Califórnia, responsável por praticamente todo o azeite produzido nos Estados Unidos, também testemunhou um dos verões mais quentes de sua história.

No início desta semana, partes do Golden State registraram temperaturas recordes. Sacramento, a capital do estado, registrou uma temperatura recorde superior a 46 ºC. San Jose também, com o mercúrio quase atingindo 43 ºC. Outras cidades registraram recordes diários de temperatura, incluindo San Francisco e Salinas.

Os produtores da Califórnia esperam uma safra excepcionalmente baixa de 1,8 milhão de toneladas no próximo ano agrícola, em parte devido à seca implacável que assola o estado.