Apelos para que a Europa promova o azeite em geral
A necessidade de uma promoção mais abrangente do azeite de oliva foi um dos temas discutidos no grupo de trabalho sobre azeitonas e azeite de oliva da Comissão Europeia.

A necessidade de uma promoção mais genérica do azeite de oliva — em vez de uma estratégia de marketing baseada em países ou regiões de origem — esteve entre os temas discutidos na última reunião do grupo consultivo da Comissão Europeia sobre azeitonas e produtos derivados.
Um rascunho de relatório sobre a reunião de 12 de julho, publicado
recentemente na internet,
afirma que um representante do setor argumentou que havia necessidade de “um programa harmonizado para a promoção dos azeites de oliva
em nível da UE, que deveria ir além das fronteiras de um país específico”.
Também foi mencionado que a promoção era o melhor mecanismo disponível para aumentar a posição de mercado dos azeites e “deveria ser realizada em nível da UE, para que todos os países produtores pudessem se beneficiar”, segundo a ata.
Além disso, houve pedidos para que a origem do azeite fosse indicada no rótulo — a fim de aumentar a transparência para os consumidores — e para que houvesse mais educação sobre o azeite nas escolas.
Revisão das DOP
A discussão seguiu-se a uma apresentação feita por um representante da CE sobre o relatório do Tribunal de Contas Europeu do ano passado sobre indicações geográficas (como as denominações de origem protegidas – DOPs), a resposta da CE a esse relatório e uma atualização sobre a revisão em andamento da política de promoção agrícola e dos fundos da CE. A ata indica que este último ponto foi “considerado particularmente interessante”, mas não fornece detalhes.
Entre os exemplos de falhas na verificação das DOP apresentados no relatório do Tribunal de Contas estava um caso em que não havia sido realizado um teste de plausibilidade das alegações feitas sobre o rendimento médio de um azeite registrado como DOP
“Tal teste é importante para determinar se a quantidade de azeitonas entregues aos lagares e transformadas para a produção do azeite pode, de fato, ser originária da área geográfica em questão”, afirmava o relatório.
E, em outro exemplo, o relatório indicou que verificações realizadas pelas autoridades italianas constataram que uma empresa vinha comercializando ilegalmente azeitonas de mesa como produto com DOP, embora elas não fossem da variedade correta.
Fraude no azeite
Enquanto isso, o grupo consultivo também recebeu um briefing do comissário europeu para a Agricultura, Dacian Cioloş, sobre seu projeto de plano de ação para o setor de azeite da UE, que, entre outras coisas, promete melhorar a detecção e a prevenção de fraudes, incluindo a possibilidade de parâmetros químicos mais rigorosos.
Embora um representante do setor tenha reconhecido a “importância e a utilidade” do plano e a necessidade de resolver questões relacionadas à fraude, “foi afirmado que falar demais sobre esse problema poderia prejudicar a imagem do setor e do produto”, diz a ata.
Além disso, um representante do comércio afirmou que havia necessidade de uma harmonização dos controles em nível da UE, a fim de evitar situações em que alguns países sejam “mais controlados do que outros”.
“No que diz respeito aos parâmetros de análise, foi mencionado que os níveis diminuíram bastante nos últimos anos e que, se a situação continuasse assim,havia uma grande quantidade de azeite lampante no mercado, em detrimento do azeite extravirgem. Portanto, deveriam ser realizados estudos antes que novos parâmetros fossem aceitos.”
Controles de importação no Brasil
Foram levantadas preocupações sobre o impacto das medidas antifraude planejadas no Brasil, que exigem a análise de todo o azeite importado.
Um representante do setor afirmou que a realização de verificações nos azeites de oliva era uma medida positiva, mas que bloquearia o mercado devido à falta de laboratórios autorizados no Brasil para realizar os testes.
Observou-se que representantes de Portugal e da Espanha haviam discutido a questão com as autoridades brasileiras e que havia sido acordado que, durante um período de transição, laboratórios fora do Brasil seriam autorizados a avaliar as importações.
Grupos Consultivos da CE
As opiniões expressas pelos grupos consultivos da CE representam os pontos de vista das partes interessadas do setor e não podem ser atribuídas à CE.