Municípios do sul da Itália trocam óleo de cozinha usado por azeite extravirgem

A iniciativa de Sorrento tem como objetivo evitar que a poluição causada pelo óleo de cozinha usado seja despejada no esgoto e acabe no mar. Outras cidades estão adotando medidas semelhantes.

Os olivicultores e produtores da região de Campânia, no sul da Itália, uniram-se às autoridades locais para promover o azeite extravirgem e incentivar uma abordagem ecologicamente correta para o descarte de óleo de cozinha usado.

Em uma série de eventos anunciados pela prefeitura de Sorrento em parceria com a empresa local de gestão de resíduos, os moradores são convidados a levar seu óleo de cozinha usado a áreas específicas para descarte adequado. Quanto mais óleo trouxerem, mais azeite de oliva extravirgem a prefeitura lhes dará em troca.

Quando o óleo vegetal usado chega aos nossos mares, a poluição causada por ele destrói a vegetação marinha.– Francesco Mancini, presidente da CONOE

A península de Sorrento, que fica de frente para a Baía de Nápoles e a ilha de Capri, é o berço de alguns dos azeites extravirgens mais famosos da região. É também uma parte incrivelmente pitoresca do litoral sudoeste da Itália, atraindo turistas de todo o mundo.

As autoridades locais explicaram que o descarte adequado do óleo de cozinha ajuda a preservar a beleza e a biodiversidade da região.

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“Os moradores que entregarem mais de 10 litros de óleo de cozinha usado receberão uma garrafa de azeite extravirgem”, disse Luigi Di Prisco, presidente da Câmara Municipal, ao jornal local Il Mattino.

Ele acrescentou que todos os participantes também receberão um recipiente para armazenar o óleo de cozinha usado em casa antes de descartá-lo.

“Essa é mais uma forma de promover o respeito ao meio ambiente, recompensando comportamentos virtuosos”, disse Di Prisco.

O município de Amalfi anunciou uma iniciativa semelhante. Localizado na costa sul da península de Sorrento, é o coração da Costa Amalfitana, Patrimônio Mundial da UNESCO.

“Estamos trabalhando para preservar nossa paisagem, nosso patrimônio artístico e cultural e para promover a sustentabilidade, que é um fator-chave para a proteção e a valorização”, disse a vereadora Ilara Cuomo. “Todos os cidadãos devem praticar a reutilização responsável, a redução de resíduos e a reciclagem… dando início a uma economia circular que contrarie a cultura do descarte de produtos de uso único.”

Embora nem sempre estejam ligadas à distribuição de azeite extravirgem, as campanhas voltadas para a reciclagem de óleos de cozinha usados vêm ganhando força em toda a Itália.

O descarte indiscriminado de óleos vegetais usados é considerado um importante poluente ambiental e foi tema central de uma recente conferência nacional.

“Quando o óleo vegetal usado chega aos nossos mares, a poluição causada por ele mata a vegetação marinha”, disse Francesco Mancini, presidente do consórcio nacional para a reciclagem de óleos vegetais e animais (CONOE). “Isso acontece porque ele cria uma espécie de filtro na superfície da água que impede que os raios solares atinjam o fundo do mar.”

Dados do CONOE mostram que os números de reciclagem passaram de 15.000 toneladas em 2002 para 76.000 em 2018. A Itália produz cerca de 260.000 toneladas de óleo de cozinha por ano.

Um número crescente de empresas da cadeia produtiva está aderindo ao consórcio, que representa mais de 300.000 membros que utilizam óleo de cozinha, como restaurantes.

Com o tempo, os italianos vêm descobrindo maneiras novas e criativas de utilizar o óleo de cozinha usado. Uma delas é como combustível para os vaporettos, os tradicionais ônibus aquáticos que transportam turistas e moradores em Veneza. Desde o período de testes em 2018, os vaporettos têm utilizado cada vez mais biocombustíveis derivados de óleo de cozinha.

O óleo de cozinha tratado também está sendo incorporado a cosméticos, sabões industriais, tintas, graxas para curtimento e ceras automotivas. A CONOE estima que quase 90% do óleo de cozinha reciclado seja utilizado como combustível no país.