Dezenas de milhares protestam contra os preços do azeite em Madri
Os manifestantes pediram ao governo espanhol e à União Europeia que reformulassem a regulamentação do setor, ajudassem os produtores a lidar com os preços baixos e protegessem o azeite espanhol das tarifas dos EUA.
“PREÇOS JUSTOS PARA UM OLIVAL VIVO”, dizia uma faixa que se estendia por toda a largura de uma ampla avenida de Madri e precisava de 16 homens para ser carregada.
“Preços justos para um olival vivo.”
Dezenas de milhares de olivicultores e produtores de azeite (as estimativas variam entre 15.000 e mais de 30.000) marcharam pelas ruas da capital espanhola na quinta-feira, exigindo que algo fosse feito em relação aos preços insustentavelmente baixos que vêm recebendo por seus azeites desde março.
O que esperamos é que, após o sucesso da manifestação, as tarefas para as quais viemos sejam alcançadas. —
Os manifestantes exigiram que tanto o governo espanhol quanto a União Europeia tomem medidas concretas para ajudar a melhorar sua situação econômica. Eles também expressaram seu descontentamento por se verem envolvidos em uma disputa comercial latente entre a UE e os Estados Unidos.
A partir de 18 de outubro, algumas exportações espanholas de azeite para os EUA enfrentarão uma tarifa de 25%. Estima-se que cerca de 50.000 toneladas de exportações de azeite sejam afetadas.
Veja também: Espanha reage às tarifas dos EUA sobre o azeiteOs organizadores do protesto, que incluem a Associação de Jovens Agricultores (ASAJA), a Coordenação de Organizações Agrícolas e Pecuárias (COAG) e a União de Pequenos Agricultores (UPA), exigiram que o governo aumente seus investimentos em olivais tradicionais, altere as regras relativas à autorregulação no âmbito da futura e negocie com os EUA para retirar o azeite de oliva de sua lista de tarifas retaliatórias.
Luis Carlos Valero, diretor da ASAJA Jaén, afirmou que é especialmente importante que os produtores possam armazenar o azeite de forma privada de um ano para o outro sem ter que se preocupar em ser acusados de especulação no Tribunal Europeu da Concorrência.
“O primeiro é que a extensão da norma seja reconhecida pela União Europeia por meio da Interprofissional do Azeite [uma organização que representa produtores, distribuidores e exportadores] e que possamos armazenar o azeite de um ano para o outro sem sermos levados ao Tribunal da Concorrência sob a suposição de que estamos especulando”, disse ele.
Essa medida, argumentou Valero, ajudaria a manter os preços consistentes entre anos de safra e anos de vaca-festa e proporcionaria aos produtores a estabilidade financeira necessária para manter seus olivais e sustentar suas famílias.
Em uma série de declarações no Twitter, o Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação (MAPA) afirmou que havia ouvido as reivindicações dos manifestantes e continuaria o trabalho que já vinha realizando para atender àquelas que fossem viáveis.
“O [ministro da Agricultura] Luis Planas transmite mais uma vez ao setor do azeite que compartilha da preocupação com a evolução anômala dos preços nesta campanha e enfatiza que, por esse motivo, tem trabalhado com as cooperativas agroalimentares da Espanha”, afirmou o MAPA em resposta aos manifestantes.
“Em relação às reivindicações do setor do azeite, Luis Planas destaca o trabalho que já foi realizado em conjunto com o setor nos últimos meses, com compreensão, solidariedade e apoio”, acrescentou o ministério.
No final de tudo, Valero disse estar satisfeito com o desenrolar dos protestos. Ele acredita que o governo sabe exatamente o que os olivicultores e produtores esperam deles.
“O protesto foi um grande sucesso devido ao grande afluxo de agricultores e olivicultores de toda a Espanha”, disse ele. “O que esperamos é que, após o sucesso da manifestação, as tarefas para as quais viemos sejam alcançadas.”