As bactérias presentes nas azeitonas de mesa podem ajudar a eliminar metais pesados durante a digestão

As mesmas características genéticas que permitem à bactéria Lactobacillus pentosus sobreviver ao processo de fermentação da azeitona de mesa também podem ajudar os microrganismos a neutralizar e eliminar metais pesados nocivos.

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Jaén identificou uma cepa de bactéria encontrada nas azeitonas de mesa que pode ajudar o corpo humano a eliminar metais pesados durante a digestão.

A Lactobacillus pentosus, a bactéria responsável pela biodegradação, ocorre naturalmente na oliveira. Sua presença é amplificada durante o processo de fermentação pelo qual as azeitonas de mesa passam para remover o sabor naturalmente amargo do fruto fresco.

Essas bactérias agem como uma esponja que retém esses tipos de partículas, reduzindo sua disponibilidade no sistema digestivo e eliminando-as pelas fezes. — Hikmate Abriouel, pesquisador da Universidade de Jaén

Os pesquisadores descobriram que a bactéria reveste o revestimento do intestino e impede que moléculas de metais pesados, como arsênico, cádmio ou mercúrio, sejam digeridas e entrem na corrente sanguínea.

Sabe-se que todos esses três metais pesados são tóxicos para os seres humanos e são quase impossíveis de serem eliminados pelo corpo uma vez absorvidos.

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“Essas bactérias agem como uma esponja que retém esses tipos de partículas, reduzindo sua disponibilidade no sistema digestivo e eliminando-as pelas fezes”, disse Hikmate Abriouel, um dos autores do estudo e pesquisador da universidade.

Embora as bactérias Lactobacillus pentosus ocorram naturalmente, elas se concentram durante o processo de fermentação.

A disponibilidade limitada de nutrientes, a alta salinidade e o baixo pH da salmoura, juntamente com a presença de antimicrobianos, como compostos fenólicos e oleuropeína, criam um ambiente hostil para a sobrevivência e reprodução das bactérias.

No entanto, os pesquisadores descobriram que a bactéria Lactobacillus pentosus contém genes que lhe permitem sobreviver no ambiente hostil da salmoura, devido à sua capacidade de metabolizar certos carboidratos e à estrutura única das membranas celulares da bactéria.

É devido a esses mecanismos de adaptação, concluíram os pesquisadores, que a bactéria também é capaz de bioquentar os metais pesados.

“As bactérias que permitem que essas partículas sejam retidas já estão presentes na azeitona enquanto ela ainda está na árvore”, disse Abriouel. “Quando ela passa por fermentação, esses microrganismos proliferam devido à sua capacidade de crescer em um ambiente com pH baixo e também, como vimos, na presença desses metais pesados, que eles podem reter.”

Os pesquisadores também compararam a capacidade da bactéria Lactobacillus pentosus de bioabsorver os metais pesados tanto antes quanto depois da fermentação. Eles descobriram que a bactéria era muito mais eficaz nessa função após a fermentação.

“Nas bactérias, os plasmídeos [pequenas moléculas de DNA dentro de uma célula que estão separadas do DNA cromossômico] abrigam um material genético adicional presente no cromossomo, que está envolvido em vários processos, como resistência a patógenos ou antibióticos”, disse Abriouel. “A fermentação permite que essas bactérias cresçam e, nesse habitat, elas expressam uma série de genes, como este [que ajuda a neutralizar biologicamente os metais pesados], cujo objetivo é permitir que elas existam e subsistam no ambiente.”

De fato, os pesquisadores descobriram que, após a fermentação, a bactéria Lactobacillus pentosus apresenta um aumento de duas a oito vezes em sua capacidade de bioquimar os metais pesados.

No estudo, os pesquisadores investigaram esse processo na variedade de azeitona Aloreña, que possui o status de Denominação de Origem Protegida (DOP) de Málaga.

Os pesquisadores afirmaram que planejam continuar estudando a bactéria Lactobacillus pentosus também em outras variedades de azeitonas, a fim de compreender melhor sua relação com os metais pesados.

Os resultados de seu primeiro estudo foram publicados na revista Nature.