Componente do azeite de oliva extravirgem mata células cancerosas
A oleocanthal presente no azeite de oliva extravirgem provoca a ruptura das células cancerosas, liberando enzimas e causando a morte celular, sem prejudicar as células saudáveis.
Um novo estudo comprovou que um ingrediente presente no azeite de oliva extravirgem é capaz de matar células cancerosas.
Os resultados do estudo, que serão publicados na revista Molecular and Cellular Oncology, foram divulgados em 23 de janeiro de 2015.
Os pesquisadores, o cientista nutricional Paul Breslin (Universidade Rutgers), o biólogo David Foster (Hunter College) e a química Onica LeGendre (Hunter College), descobriram em um estudo de laboratório que o ingrediente, chamado oleocanthal, causa a ruptura de uma parte da célula cancerosa, o que libera enzimas e provoca a morte celular, sem prejudicar as células saudáveis. Dessa forma, as células cancerosas são eliminadas por suas próprias enzimas.
“Oleocanthal é o nome de uma substância química presente no azeite de oliva extravirgem que significa ‘aldeído do óleo picante’”, disse Paul Breslin ao Olive Oil Times. “Ela é produzida pela azeitona quando esta é triturada para formar a polpa da qual o azeite é extraído.”
“Existem muitos compostos no azeite de oliva extra virgem que possuem uma estrutura de anel de 6 carbonos e, coletivamente, são conhecidos como fenólicos”, acrescentou Breslin. “Esses compostos são, em conjunto, bons antioxidantes que impedem a formação de radicais livres de oxigênio e também tendem a ser anti-inflamatórios. Demonstrou-se que o oleocanthal interfere nos processos associados a muitos tipos de inflamação, à doença de Alzheimer e à formação e crescimento do câncer.”
Os pesquisadores descobriram que o oleocanthal fazia com que as células cancerosas se decomponham e morram muito rapidamente; em 30 minutos, em vez das 16 a 24 horas que leva para a morte celular programada, conhecida como apoptose.
Embora os cientistas já suspeitassem que o oleocanthal pudesse matar células cancerosas, esta é a primeira vez que um estudo examina como isso ocorre.
“Existem muitos estudos que mostram que o oleocanthal pode interferir nos processos do câncer e nas vias de crescimento. Também foi demonstrado em animais vivos que o oleocanthal pode reduzir tumores em camundongos”, explicou Breslin. “O que não se sabe é se esses são todos efeitos distintos do oleocanthal sobre o câncer ou se talvez haja um evento anterior que os desencadeia. Temos o que pode ser um evento anterior, que é um fenômeno novo a ser descrito, no qual estamos abrindo o lisossomo com oleocanthal dentro da célula e liberando enzimas tóxicas que matam a célula. Esse fenômeno é chamado de Permeabilização da Membrana Lisossomal ou LMP.”
“Queremos verificar se é por isso que os tumores estão encolhendo em camundongos na presença do oleocanthal. Em nosso estudo, David Foster e Onica LeGendre se concentraram em células tumorais de mama, pâncreas e próstata e mostraram que elas podiam ser eliminadas pela LMP, mas não eliminamos três tipos de células saudáveis não cancerosas”, disse Breslin.
Os pesquisadores gostariam de levar o estudo para fora do laboratório e investigar a eficácia do oleocanthal em matar células cancerosas e tumores em animais vivos.
Este estudo confirma as qualidades antioxidantes e anti-inflamatórias do azeite de oliva extravirgem e os benefícios de dietas ricas em azeite de oliva, como a dieta mediterrânea, para a boa saúde.