Com o início da colheita no Rio Grande do Sul, o Brasil registra suas primeiras exportações

Nas últimas duas décadas, a produção de azeite no sul do Brasil passou de um sonho de um homem para uma indústria pequena, mas em franca expansão. Com o início da colheita de 2020, os produtores do Rio Grande do Sul se preparam para mais um ano pioneiro.

Fevereiro parece estar a anos-luz de distância deste momento, mas houve um tempo, há algumas semanas, em que a ameaça do coronavírus parecia muito distante no Hemisfério Sul, e todo o interesse do Brasil estava voltado para o Carnaval.

Enquanto a maioria dos brasileiros estava nas ruas comemorando, a colheita da azeitona estava começando no Rio Grande do Sul.

Os produtores da maior região olivícola do país estavam no processo de prensagem e filtragem de seus primeiros lotes de azeite extravirgem do ano. As primeiras exportações da temporada também foram registradas, com destino aos Estados Unidos.

Enquanto plantamos e produzimos, também estamos escrevendo história. – Rafael Marchetti, Prosperato

O Rio Grande do Sul é o estado mais ao sul do país e abriga principalmente extensos campos de soja e arroz. Fazendo fronteira com a pampa gaúcha do Uruguai e da Argentina, a região possui algumas das melhores pastagens para gado do continente.

A história do azeite, no entanto, nesta região agrícola de longa data, é muito recente. Há vinte anos, Willy Haas, então executivo da rede O’Globo, quis investir na área de Cachoerias. Ele tinha um pressentimento de que as oliveiras poderiam crescer bem no pampa gaúcho.

Naquela época, não havia produtores de azeite no Brasil, e a empresa agrícola que o assessorava não estava entusiasmada com a ideia. Eles achavam que não havia como as oliveiras prosperarem na região.

Apesar das reservas, Haas seguiu em frente com seu plano e, duas décadas depois, realizou seu sonho: hoje ele tem quase 200 acres de oliveiras e está construindo um lagar.

Haas serve como uma espécie de barômetro para todo o setor de azeite do país. Desde que plantou suas primeiras árvores até o momento, o maior país da América Latina desenvolveu uma indústria de azeite pequena, mas em franca expansão.

Agora, ele espera lançar sua nova marca ainda este ano, junto com sua filha, Glenda, que está à frente do projeto.

Enquanto Haas foi um dos primeiros a trazer oliveiras para o Rio Grande do Sul, a Olivas do Sul foi a produtora pioneira de azeite que desafiou todas as previsões. Iniciando a produção em 2008, a empresa colocou o Brasil no mapa mundial do azeite.

Prosperato

Seguindo o exemplo da Olivas do Sul, vários outros empreendedores decidiram investir e, hoje, a região abriga a grande maioria da produção brasileira de azeite, que continua sendo muito pequena.

No total, o Brasil produziu 230 mil litros em 2019, com mais de 60% da produção proveniente dos olivais do Rio Grande do Sul.

Desses 230.000 litros, a Prosperato, maior produtora de azeite do país, é responsável por cerca de um terço.

Localizada na região de Capaçava do Sul, no Rio Grande do Sul, a família Marchetti decidiu, há alguns anos, expandir suas operações do ramo de viveiros para outras culturas.

As azeitonas estavam entre as culturas que despertaram seu interesse, mas eram consideradas difíceis de vender na época. Apesar disso, os Marchettis decidiram comprar um pomar para demonstrar que o azeite de oliva poderia ser produzido no Brasil e, assim, atrair novos clientes para seu negócio principal.

Sua grande experiência rendeu o prêmio Best in Class no Concurso Mundial de Azeite NYIOOC 2019.

Hoje em dia, o lagar é administrado por Rafael, um dos filhos, que aos 25 anos gerencia tudo com dedicação e profissionalismo, incorporando técnicas e inovações tecnológicas que observou em diferentes partes do mundo.

Com 65.000 litros produzidos em 2019, uma safra recorde, a Prosperato continua sendo, de longe, a maior produtora do país.

Este ano, Marchetti acredita que a Prosperato produzirá cerca de 20.000 litros, um número mais próximo dos de outros anos.

“É um pouco frustrante, devido à floração espetacular”, disse Marchetti. “Acreditamos que as chuvas de novembro nos afetaram, ou também o ano de colheita alternada.”

“Tudo é muito recente para se ter um padrão”, acrescentou ele. “Enquanto plantamos e produzimos, também estamos escrevendo história.”

Rafael Marchetti, Prosperato

Além de ser o maior produtor do país, a Prosperato também se tornou a primeira exportadora de azeite do país, enviando parte de seu azeite extravirgem fresco para os Estados Unidos.

“Com o prêmio Best in Class que recebemos no NYIOOC no ano passado, chamamos a atenção de uma empresa americana”, disse ele. “Eles vieram nos visitar e agora é possível comprar Prosperato online nos EUA.”

No entanto, por enquanto, a maior parte da produção da Prosperato é vendida no mercado interno, na loja da própria empresa, a Emporio Prosperato.

Situada ao lado dos olivais e na rodovia que liga Porto Alegre à fronteira com a Argentina e o Uruguai, a loja oferece uma seleção de produtos locais e importados para serem apreciados com seu azeite de oliva extra virgem.

“Ainda temos o grande desafio de educar os consumidores sobre esse produto, mas continuamos nosso trabalho”, disse Marchetti.