Produtores brasileiros reagem a um ano recorde em competição mundial

Os produtores e os fabricantes de azeite afirmaram que o número recorde de 50 prêmios conquistados no NYIOOC 2023 promove o azeite de oliva produzido localmente, tanto no mercado interno quanto no exterior.

Os produtores brasileiros estão comemorando um ano de sucesso sem precedentes no Concurso Mundial de Azeite NYIOOC 2023, conquistando 50 prêmios, 20 a mais do que o recorde anterior estabelecido no ano passado.

Os produtores do Brasil participaram pela primeira vez do Concurso Mundial com uma amostra em 2015. Desde então, o número de inscrições tem aumentado constantemente, com os produtores enviando 55 amostras de azeite extravirgem este ano.

O reconhecimento internacional coloca o Brasil em destaque pela qualidade dos azeites produzidos. Isso faz com que o consumidor nacional procure, prove e reconheça os azeites produzidos aqui. — Daiana Fuhrmann, proprietária da Verde Louro Azeites

O ano recorde no NYIOOC coincide com uma safra excepcional no maior país da América do Sul, com o principal estado produtor de azeite, Rio Grande do Sul, produzindo 580.228 litros de azeite na safra 2022/23, 29% acima da produção do ano anterior.

A Estância das Oliveiras, da região de Viamão, no Rio Grande do Sul, liderou com sete prêmios de ouro no NYIOOC deste ano, o maior número obtido por um produtor brasileiro em uma única edição do concurso.

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A empresa foi premiada pelos azeites monovarietais Arbequina, Coratina, Frantoio, Koroneiki e Picual, além de dois azeites de mistura.

Este é um verdadeiro marco para a olivicultura nacional e, especialmente, para a Estância das Oliveiras”, disse Rafael Goelzer, diretor de relações de mercado da Estância das Oliveiras, ao Olive Oil Times.

“Percebemos que todo o esforço que fazemos diariamente está sendo recompensado”, acrescentou. “Nosso fundador [o pai de Goelzer, Lucidio] ficou emocionado quando soube da notícia e compartilhou com todos da família e da equipe.”

Além do terroir e do foco em todas as etapas da produção, Goelzer atribuiu o sucesso da empresa à sua família, aos parceiros e colaboradores que são apaixonados pela produção de azeites extravirgens.

Nosso maior des­afio é ter azeites para abaste­cer o mar­co­no até a próxima colheita”, disse Goelzer.

Enquanto isso, a Azeites Costa Doce, da região gaúcha, conquistou quatro prêmios no Concurso Mundial.

O produtor por trás da Azeites Costa Doce atribuiu seus quatro prêmios a uma colheita precisa e antecipada.

O produtor por trás da Azeites Costa Doce atribuiu seus quatro prêmios a uma colheita precisa e antecipada.

Rodrigo Costa, diretor financeiro da Azeites Costa Doce, descreveu o segredo por trás da conquista dos prêmios de ouro para seus azeites Arbequina e Koroneiki e dos prêmios de prata para um Koroneiki e um Picual.

Nosso principal des­afio na colheita foi a impl­e­men­ta­ção da colheita mech­a­ni­za­da e ser­mos capazes de colher todas as 300 toneladas de frutos em um curto per­íodo de tempo para garantir que elas tivessem o grau ideal de matura­ção para man­ter a qual­idade de nossos produtos”, disse ele.

Em outra região do Rio Grande do Sul, o maior produtor do país, a Prosperato, comemorou dois prêmios de ouro por um blend e pelos azeites Picual, além de dois prêmios de prata pelos azeites monovarietais Frantoio e Koroneiki.

A maior produtora de azeite do Brasil conquistou mais quatro prêmios.

A maior produtora de azeite do Brasil conquistou mais quatro prêmios.

“Ainda ficamos nervosos antes dos resultados, mesmo sendo este já o sétimo ano em que participamos”, disse o diretor-executivo Rafael Marchetti. “Nunca sabemos o que os jurados vão achar dos nossos azeites. Então, quando você vê sua garrafa com um selo dourado na tela, é muito emocionante e gratificante ao mesmo tempo.”

Os prêmios ajudam a fortalecer a imagem do nosso compromisso com a máxima qualidade na produção de nossos azeites, algo que é compartilhado não apenas pelos produtores da nossa região, mas por todos os produtores do Brasil”, disse ele. Apesar de nosso curto tempo no mercado, em comparação com outros países mais tradicionais, não há nada mais importante do que ter a máxima qualidade como prioridade.”

Marchetti disse que prestar atenção cuidadosa ao longo de toda a cadeia de produção garante que os azeites da Prosperato se destaquem.

Tivemos o prazer de acompanhar de perto todo o surgimento da produção brasileira de azeite há pouco mais de 10 anos, sempre prestando atenção às necessidades de nossos consumidores neste mercado de azeite em crescimento no Brasil”, disse ele.

A menos de duas horas a leste de Prosperato, a Fazendas do Azeite Sabiá conquistou dois prêmios de ouro por um blend e pelo Arbequina, além de um prêmio de prata pelo Koroneiki.

Beatriz Pereira e Bob Costa, proprietários da Azeite Sabiá

Beatriz Pereira e Bob Costa, proprietários da Azeite Sabiá

Estamos muito felizes”, disse a proprietária Beatriz Pereira, acrescentando que ganhar os três prêmios significa muito para a empresa, para o Rio Grande do Sul e para o Brasil.

“O azeite brasileiro existe há apenas 15 anos. Antes disso, usávamos azeites portugueses, espanhóis, italianos e gregos”, explicou ela. Os brasileiros acreditam que os azeites importados da Europa são os melhores.”

“[Para competir], enviamos o Azeite Sabiá a concursos internacionais para demonstrar que somos tão bons quanto eles”, disse Pereira.

Ela acredita que todo o processo nas Fazendas do Azeite Sabiá faz com que seus azeites se destaquem: desde a forma como cuidamos de nossas oliveiras, a colheita, a extração e a forma como limpamos nosso lagar”, disse ela.

Nossa colheita ocorre durante o verão [começando em fevereiro, no final do verão do Hemisfério Sul], então as azeitonas são colhidas em altas temperaturas”, disse ela. “Usamos um caminhão refrigerado no local da colheita para baixar a temperatura das azeitonas, de modo que elas cheguem ao lagar a uma temperatura baixa.”

Também originários de Encruzilhada do Sul, os produtores por trás da MF Agropastoril comemoraram a conquista de quatro prêmios de ouro, atribuindo parte desse sucesso ao clima e à geografia da região.

Nossas condições de solo e clima são muito distintas, o que confere características únicas aos azeites produzidos em Encruzilhada do Sul”, disse o proprietário Flavo Fernandes. E isso é particularmente visível em nossas áreas de cultivo.”

A colheita que resultou nos premiados azeites Arbequina, Frantoio, Koroneiki e Picual da MF Agropastoril enfrentou alguns obstáculos.

Mais uma vez, tivemos um período de seca severa desde a primavera e a necessidade de irrigar as oliveiras durante o verão”, disse Fernandes. No final de fevereiro, com a Arbequina já colhida, tivemos um grande volume de chuva que interrompeu a maturação dos outros frutos e prolongou a colheita por mais quase 45 dias, com uma pausa de um mês.”

Como nossa colheita é inteiramente manual, foi um desafio manter a equipe mobilizada e à espera da retomada da colheita”, acrescentou.

Na vizinha Mato Grande, a Verde Louro Azeites comemorou suas quatro conquistas no NYIOOC, incluindo dois prêmios de ouro para um azeite Arbequina e um blend, e dois prêmios de prata para os azeites extravirgens Arbosana e Koroneiki.

A Verde Louro Azeites espera que seu excelente desempenho coloque o Brasil de forma definitiva no mapa mundial do azeite.

A Verde Louro Azeites espera que seu excelente desempenho coloque o Brasil de forma definitiva no mapa mundial do azeite.

“O reconhecimento internacional coloca o Brasil em destaque pela qualidade dos azeites produzidos”, disse a proprietária Daiana Fuhrmann. Isso faz com que o consumidor doméstico procure, prove e reconheça os azeites produzidos aqui.”

Isso impulsiona o consumo doméstico, o que trará grandes benefícios com investimentos e a expansão da produção”, acrescentou ela.

Enquanto muitos produtores brasileiros comemoravam um segundo, terceiro ou até sétimo sucesso consecutivo no NYIOOC, os produtores por trás da Al-Zait triunfaram em seu primeiro ano de participação na competição, conquistando três prêmios de ouro para seus azeites Frantoio, Koroneiki e Picual.

A Al-Zait comemorou três prêmios em sua estreia na competição mundial.

A Al-Zait comemorou três prêmios em sua estreia na competição mundial.

É um enorme reconhecimento do nosso potencial, da rapidez com que as oliveiras se adaptaram a um solo e a condições climáticas tão distintas de sua origem”, disse Luiza Osorio, diretora executiva da Al-Zait, que cofundou a empresa com seu sócio, Fernando Alfama.

Os prêmios da edição do Hemisfério Sul do NYIOOC foram anunciados em lotes ao longo de um mês e meio, e a Al-Zait tomou conhecimento de seus prêmios no início de setembro. Como resultado, a empresa já percebeu o impacto da vitória.

Os prêmios foram fundamentais para elevar o reconhecimento e a credibilidade da nossa marca globalmente”, disse Osorio. Eles refletem e reforçam todo o nosso esforço e trabalho árduo. Vimos um aumento notável no interesse dos consumidores pelo nosso azeite extravirgem. Isso se traduziu diretamente em aumento nas vendas e valorização da marca.”

Não muito longe dali, a Estância Dona Genoveva, outra vencedora estreante, conquistou dois prêmios de ouro pela mistura da marca Olivas Alto Bonito e pelo Koroneiki.

Conquistar prêmios, como nossos prêmios de ouro, em uma competição global de prestígio como o NYIOOC nos dá um incentivo extraordinário”, disse o proprietário Renato Kalil.

Ele acrescentou que, tanto em nível individual quanto para a região e o país, alcançar reconhecimento internacional ilumina o caminho a seguir para o azeite brasileiro no mercado global.

Nossa última colheita foi em março de 2023, quando as árvores tinham quatro anos, e enfrentamos uma seca severa no verão”, disse Kalil. Para preservar a saúde das oliveiras e manter o turgor adequado dos frutos, realizamos irrigação manual contínua durante os últimos 50 dias até a colheita. Isso foi eficaz, recuperou completamente nossos frutos e permitiu a obtenção de um azeite de boa qualidade.”

Outra estreante, a Olivas de Gramado, do Rio Grande do Sul, conquistou o Prêmio Prata por seu blend Terroir Serrano de Campo.

A Olivas de Gramado comemorou sua primeira vitória no NYIOOC.

A Olivas de Gramado comemorou sua primeira vitória no NYIOOC.

André Bertolucci, especialista em azeite da empresa, disse que eles sempre buscam a qualidade.

“Tivemos um período de seca muito acentuado na época que antecedeu a colheita”, disse Bertolucci. No entanto, isso não impediu que os frutos colhidos mantivessem todas as suas propriedades sensoriais e organolépticas.”

Como colhemos manualmente em terrenos muito acidentados, a pressão sobre a equipe foi grande”, disse ele. Mas isso não nos impediu de ter muito sucesso ao longo do processo, colhendo frutas da mais alta qualidade.”