O maior produtor do Brasil comemora uma colheita triunfante
A Prosperato obteve uma colheita recorde e conquistou quatro prêmios no Concurso Mundial de Azeite.
A maior produtora de azeite do Brasil está tendo um ano recorde em mais de um sentido.
Localizada no estado do Rio Grande do Sul, no sudeste do país, a Prosperato produziu um volume recorde de 70.000 litros na safra atual e comemorou a conquista de quatro prêmios, outro recorde, no Concurso Mundial de Azeite NYIOOC 2022.
Ainda encontramos pessoas todos os dias que não sabem que existe azeite de oliva brasileiro. A maneira de alcançarmos essas pessoas é com esse tipo de notícia, falando sobre prêmios.
“Começamos a colheita na primeira semana de fevereiro e terminamos na primeira semana de maio, então foram quase 90 dias”, disse Rafael Marchetti, diretor executivo da empresa, ao Olive Oil Times. “Nunca tínhamos colhido em maio, então foi nossa colheita mais longa.”
Marchetti atribuiu o aumento do tempo ao número cada vez maior de azeitonas produzidas por suas árvores em fase de maturação.
Veja também: Perfis de produtoresEmbora a empresa tenha produzido uma quantidade maior de azeitonas em 2019, uma seca prolongada fez com que o teor de óleo dessas azeitonas fosse muito menor, resultando em uma produção ligeiramente inferior, de 65.000 litros.
“Temos árvores de todas as idades, de quatro a quase 15 anos”, disse Marchetti. “Temos mais azeitonas porque as árvores agora estão maiores.”
Junto com o amadurecimento de suas árvores, Marchetti disse que seu conhecimento sobre como produzir azeite de oliva extravirgem no Brasil também amadureceu.
A combinação de melhores técnicas agronômicas em seus dois olivais e técnicas aprimoradas de moagem significa que ele pode tirar o máximo proveito de suas árvores e das azeitonas que elas produzem.
“Não sabemos tudo, mas estamos aprendendo mais sobre como cultivar azeitonas em nosso ambiente, como podar corretamente, como usar as novas tendências no momento certo”, disse ele. “E também tivemos um inverno muito frio no ano passado, o que ajudou a produzir mais flores.”

Colheita de azeitonas em Prosperato
O Rio Grande do Sul é um estado de tamanho médio no Brasil, um pouco maior que o Equador, estendendo-se da costa atlântica até a fronteira oeste com a Argentina.
A Prosperato possui dois olivais no estado, um em Costa Doce, ao sul da capital Porto Alegre, próximo à costa. O outro fica em Capaçava do Sul, que apresenta um clima continental mais úmido no centro do estado.
“Ter oliveiras em duas regiões muito diferentes nos fez aprender mais rápido”, disse ele. “Sempre temos algo novo para aprender. É muito diferente do que fazem na Europa porque o clima é muito diferente. Então, basicamente, tivemos que aprender tudo do zero.”
A empresa começou a produzir azeite em 2013 a partir de seus olivais próximos a Porto Alegre, após plantar suas primeiras oliveiras em 2011.
Antes de produzir azeite, Marchetti trabalhava na Tecnoplanta Forestal, um viveiro de árvores fundado por seu pai há 30 anos.

Viveiro de árvores na Tecnoplanta Forestal
Embora a maior parte dos esforços da empresa se concentrasse na clonagem e enxertia de eucaliptos para a proeminente indústria florestal da região, ele disse que a empresa inicialmente plantou oliveiras como uma prova de conceito para um cliente em potencial.
“Toda a nossa produção de azeite vem de oliveiras plantadas para mostrar aos investidores que era possível produzir, cultivar oliveiras e produzir um azeite de excelente qualidade”, disse ele.
“Ao contrário de outros produtores aqui no Brasil, quando começamos este negócio, nunca viajamos para outros países para ver como cultivam oliveiras ou produzem azeite”, acrescentou Marchetti. “Simplesmente começamos a plantar porque é o que nossa empresa sabe fazer.”
Como era de se esperar, a prova de conceito da empresa funcionou. Marchetti disse que a Tecnoplanta continua fornecendo oliveiras para produtores brasileiros, alguns dos quais passaram a ser premiados no NYIOOC com essas mesmas árvores.
Na décima edição da maior competição de qualidade de azeite do mundo, a Prosperato conquistou quatro prêmios de ouro, elevando o total de prêmios da empresa no NYIOOC para 13.
“Esses resultados são especiais para nós, especialmente porque não foi apenas em um ano que enviamos amostras e obtivemos bons resultados, mas estamos demonstrando consistência”, disse Marchetti.
Entre os azeites vencedores estão os monovarietais Picual, Frantoio e Koroneiki, além de um blend de azeitonas Arbequina e Arbosana. Enquanto os outros já haviam vencido antes, esta foi a primeira vez que Marchetti inscreveu seu azeite Frantoio.

Foto: Prosperato
Ele acredita que o número crescente de prêmios, tanto para ele quanto para outros produtores no Brasil, indica que a qualidade está melhorando. Em 2020, a Prosperato se tornou a primeira empresa a exportar azeite de oliva no Brasil, o que Marchetti atribuiu ao prêmio Best in Class de 2019 no NYIOOC.
“Essa foi uma das principais razões pelas quais isso aconteceu”, disse ele. “[Os consumidores] se orientam muito pelos prêmios.”
Em sua loja, localizada junto ao lagar em Capaçava do Sul, Marchetti disse que o mesmo se aplica aos vinhos regionais, com garrafas premiadas vendendo mais rapidamente do que as não premiadas.
Um dos desafios mais significativos enfrentados por Marchetti e muitos outros produtores brasileiros é apresentar aos brasileiros o azeite extravirgem local e convencê-los a usá-lo em vez dos importados da Europa, há muito tempo preferidos.
“O Brasil é tão grande que, mesmo aqui na nossa região, ainda encontramos pessoas todos os dias que não sabem que o azeite brasileiro existe”, disse ele. “A maneira de alcançarmos essas pessoas é com esse tipo de notícia, falando sobre prêmios.”
Embora aumentar a base de consumidores domésticos de azeite no Brasil seja uma questão de longo prazo, Marchetti enfrentou muitos outros desafios imediatos. Assim como os produtores do vizinho Uruguai, ele teve dificuldade em encontrar garrafas.
Uma combinação de lentidão nas fábricas de vidro no Chile – de onde muitos na região compram suas garrafas de vidro – durante a pandemia de Covid-19, juntamente com o aumento da concorrência com os setores de vinho e cerveja, fez com que os produtores de azeite fossem frequentemente uma prioridade baixa.

Os olivais da Prosperato
“Para essas empresas que fabricam garrafas de vidro, o setor de azeite é simplesmente muito pequeno”, disse Marchetti. “É quase nada quando comparado ao vinho e à cerveja. É por isso que estamos enfrentando grandes dificuldades para manter um abastecimento normal.”
Marchetti acrescentou que acabou conseguindo comprar algumas garrafas de vidro da Itália, mas espera que elas demorem mais para chegar.
Além da escassez de vidro, os produtores da Prosperato também sentem os impactos do aumento dos custos de produção, consequência das contínuas interrupções na cadeia de abastecimento global, da inflação e do aumento dos custos de combustível. “Estamos vivendo um momento simplesmente louco”, disse Marchetti.
Outro legado da pandemia de Covid-19, que matou mais de 668 mil pessoas no Brasil, foram as restrições impostas por alguns estados para conter sua propagação.
“Nosso principal canal de venda de azeite é a loja que temos bem ao lado do lagar”, disse Marchetti. “Durante a pandemia, fechamos nossa loja.”
No entanto, ela já reabriu, e os volumes de vendas voltaram aos níveis pré-pandêmicos. Apesar desse retorno à normalidade, Marchetti aproveitou o fechamento para melhorar sua presença online e agora está colhendo os frutos.
“Aumentamos as vendas da nossa loja online”, disse Marchetti. “Estamos investindo mais em nosso marketing online. É muito diferente porque podemos atender nossos clientes diretamente, em vez de apenas revender para outras lojas ou supermercados.”