No Rio Grande do Sul, uma produção premiada significa estar preparado para o inesperado
Enquanto a família Capoani se prepara diligentemente para a colheita, seu destino está em grande parte ligado às condições meteorológicas.
Uma região ensolarada e ventosa das colinas verdes do Rio Grande do Sul, o estado mais ao sul do Brasil, abriga dezenas de hectares de oliveiras plantadas e cultivadas pela família Capoani.
Graças à experiência agrícola e ao espírito empreendedor da família, aliados a essa localização única, os produtos da marca Capolivo tornaram-se alguns dos azeites extravirgens mais premiados do Brasil.
Sempre tentamos estar preparados para lidar com as surpresas do clima.
A Capolivo conquistou três prêmios de ouro e um de prata no Concurso Mundial de Azeite NYIOOC 2022, a maior competição de qualidade de azeite do mundo. Anteriormente, a família havia conquistado dois prêmios no NYIOOC 2021.
Com origem no setor industrial, a família Capoani migrou gradualmente para o agronegócio, adicionando projetos de pecuária e reflorestamento às suas outras atividades comerciais. Mais recentemente, a ideia de cultivar oliveiras ganhou força entre os membros da família e se tornou seu próximo empreendimento agrícola.
Veja também: Perfis de Produtores“O interesse por oliveiras e azeite vem de longa data na família Capoani”, disse Joice Capoani, diretora comercial e de marketing da Capolivo, ao Olive Oil Times.
“Meu pai, Jandir, neto de italianos e apaixonado por culinária, sempre se mostrou entusiasmado e confiante quanto à possibilidade de produzir azeite de oliva”, acrescentou ela. “E assim, em 2012, plantamos uma pequena área de oliveiras para testar a ideia.”
Após o início do projeto experimental de olivicultura, a família viajou para a Itália e a Espanha para aprender quais cultivares seriam mais adequadas para a floresta e as terras agrícolas ricas em biodiversidade da região, localizada a aproximadamente 100 quilômetros ao sul de Porto Alegre.
“Essas viagens sempre foram consideradas cruciais para a empresa pelo meu pai”, disse Capoani. “Ele sempre teve grande interesse em aprender com as experiências dos produtores de azeite, o que eu também pude acompanhar de perto.”
“Além da Itália, ele também foi à Espanha para aprofundar ainda mais seus conhecimentos sobre o cultivo de oliveiras e a produção de azeite”, acrescentou ela.
“O entusiasmo crescia, assim como o compromisso e a vontade de fazer disso um sucesso”, continuou Capoani. “Em 2019, tivemos nossa primeira colheita comercial. A partir de então, a produção de azeite de oliva tornou-se o centro dos interesses da nossa família.”
Hoje, a família administra 120 hectares de oliveiras, que se somam aos mais de 3.000 hectares de pinheiros que a família plantou em seus esforços de reflorestamento.

Depois de estudar as variedades que funcionariam melhor no Rio Grande do Sul, a família decidiu plantar Arbequina, Arbosana, Picual, Coratina e Koroneiki.
“Escolhemos essas variedades porque sabíamos que eram compatíveis com o clima do Rio Grande do Sul”, disse Capoani, acrescentando que a Arbequina e a Koroneiki foram as que melhor se adaptaram até agora.
A adaptação das cultivares e sua capacidade de resistir às incertezas climáticas têm sido os maiores desafios da família. O Rio Grande do Sul tem um clima temperado subtropical, com precipitação média superior a 1.000 milímetros ao longo do ano.
As temperaturas tendem a ser amenas, com os meses mais quentes raramente ultrapassando 25 °C e os mais frios geralmente permanecendo acima de 6 °C. As massas de ar oceânicas também trazem uma brisa constante e ventos fortes por grande parte da região.
No entanto, Capoani disse ter notado uma mudança no clima local ao longo dos anos. “A cada ano, as oscilações climáticas tornam-se mais imprevisíveis, e as estações se misturam”, disse ela. “Portanto, o clima é e continua sendo um dos principais determinantes para a nossa produção e para todos os produtores de azeite de oliva da nossa região.”
“Até o momento, os preparativos para a próxima colheita estão ocorrendo conforme o planejado”, acrescentou Capoani. “Como dependemos diretamente das condições climáticas para o sucesso da colheita, sempre tentamos estar preparados para lidar com as surpresas do clima, como a frente fria prevista para as próximas semanas, em meio à floração na primavera.”

Produzir azeite extravirgem de alta qualidade tem sido o principal objetivo da família desde que plantaram as primeiras oliveiras.
“Nos comprometemos com cada etapa da nossa cultura, desde o plantio até a manutenção de um solo saudável e adequado”, disse ela. “Nosso trabalho é estritamente profissional e atento ao crescimento esperado de nossas oliveiras. Monitoramos a floração com responsabilidade e acompanhamos o crescimento dos frutos até a colheita, aplicando nosso know-how e nossos padrões de qualidade.”
A família emprega um engenheiro agrônomo e um consultor em olivicultura para atender a esses padrões. “Eles garantem que todo o nosso trabalho seja executado com responsabilidade, desde o plantio até a floração e a colheita”, disse Capoani.
Embora alguns desafios industriais permaneçam constantes, como os altos custos de investimento e produção, uma das áreas mais significativas em que a empresa precisa trabalhar é a conscientização do consumidor sobre o azeite de oliva extravirgem, que Capoani acredita estar atrasada no Brasil.
Ela explicou que a maioria dos consumidores no Brasil está acostumada a comprar azeites mais baratos no supermercado, e muitos continuam hesitantes em pagar preços mais altos por azeite extravirgem produzido localmente.
No entanto, Capoani acrescentou que o Concurso Mundial de Azeite NYIOOC ajuda os principais produtores brasileiros a se destacarem, aumentando a qualidade e o valor de seus produtos.
“Assim, dado que a produção de alta qualidade do Brasil está crescendo, é necessário trabalhar para evoluir a percepção do consumidor”, disse ela.
No futuro, a família Capoani planeja iniciar a colheita de suas novas árvores das variedades Frantoio e Ascolana e começar a converter todos os seus olivais para os protocolos da agricultura orgânica.