Universidade marroquina oferecerá mestrado em azeite de oliva

O curso de dois anos tem como objetivo contribuir para a profissionalização dos setores de azeitonas de mesa e azeite, cada vez mais importantes nesse país do Norte da África.

Pela primeira vez, os estudantes em Marrocos podem se inscrever em um mestrado específico sobre azeite de oliva.

A Escola Nacional de Agricultura de Meknès, uma das regiões olivícolas mais produtivas do país, aceitará alunos no mestrado em qualidade e segurança do azeite virgem (MarVOOlea) no início do ano letivo de 2023/24.

Tendo em vista o grande desenvolvimento manifestado pelo setor de azeite marroquino desde 2010, há uma necessidade real de acompanhar esse desenvolvimento por meio da formação de uma nova geração de profissionais do azeite.– Bajoub Adil, coordenador, MarVOOlea

“Este mestrado é o principal resultado do projeto FosaMed ‘Reforço da Segurança Alimentar no Mediterrâneo’, cujo objetivo principal é a criação de um mestrado em segurança alimentar em Marrocos”, disse Bajoub Adil, engenheiro agrônomo e coordenador do programa de mestrado, ao Olive Oil Times.

“A Escola Nacional de Agricultura, com vasta experiência no campo da olivicultura, optou por especializar o mestrado em segurança dos produtos de azeite”, acrescentou. “Essa escolha é orientada por um estudo que nossa equipe conduziu [com muitos atores do setor] sobre a avaliação das necessidades de formação nessa área.”

Veja também: Olive Center amplia educação sobre azeite de oliva para adolescentes e crianças

O objetivo do programa de mestrado é profissionalizar os setores marroquinos de olivicultura e produção de azeite. O projeto também contribuirá para a estratégia Geração Verde 2030 de Marrocos, que visa modernizar o setor agroalimentar de forma sustentável.

“As unidades de ensino do mestrado foram estabelecidas levando em consideração as necessidades nacionais de competências em olivicultura e produção de azeite, incluindo pesquisa científica e a formação de profissionais qualificados capazes de fortalecer o setor agroalimentar”, disse Adil.

A equipe responsável pelo planejamento do MarVOOlea consultou gerentes de moinhos locais, olivicultores, estudantes universitários e outras partes interessadas. Profissionais do setor serão convidados a ministrar palestras, e alguns dos produtores mais proeminentes da empresa também oferecerão estágios de um semestre aos alunos.

Segundo Adil, o curso de dois anos abrange as habilidades e conhecimentos mais atualizados sobre:

  • Técnicas de cultivo de azeitonas e gestão de olivais;
  • A relação entre as azeitonas e as mudanças climáticas;
  • Colheita e mecanização da azeitona;
  • Tecnologia do azeite;
  • Produção de azeitonas de mesa;
  • Análises de qualidade e segurança;
  • Biorrefinaria de subprodutos da azeitona;
  • Caminhos da economia circular no setor da azeitona.

“O ensino de conceitos fundamentais é acompanhado pela aprendizagem de ferramentas metodológicas, visitas a olivais, lagares de azeite e formação em laboratório, bem como pela apresentação de temas de pesquisa atuais e aplicações nas especialidades escolhidas”, afirmou Adil.

Veja também: Programa de Certificação de Sommelier de Azeite de Oliva em Londres

De acordo com dados do Conselho Oleícola Internacional, Marrocos deve produzir 156.000 toneladas na safra de 2022/23, um pouco abaixo da média móvel de cinco anos de 172.200 toneladas.

Apesar do declínio na produção deste ano, a produtividade do azeite em Marrocos tem aumentado de forma constante nas últimas três décadas. O setor do azeite é hoje uma das maiores indústrias agroalimentares de Marrocos, contribuindo com 5% do PIB agrícola do país e empregando diretamente mais de 100.000 pessoas.

Devido à crescente importância econômica do setor para as áreas rurais e para a balança comercial do país, Adil acredita que o programa de mestrado é necessário para melhorar os setores de azeite e azeitona de mesa em termos de qualidade e rentabilidade.

“Tendo em vista o grande desenvolvimento manifestado pelo setor de azeite marroquino desde 2010 (expansão da área de cultivo de oliveiras, criação de cooperativas de produção de azeite e novos e modernos lagares), há uma necessidade real de acompanhar esse desenvolvimento por meio da formação de uma nova geração de gestores de lagares e fazendas, bem como de gestores que atuam nos órgãos de controle de qualidade e segurança do azeite marroquino”, afirmou Adil.

Ele acrescentou que os novos acordos de livre comércio assinados com os Estados Unidos e a União Europeia apresentam rigorosos requisitos de qualidade.

“Portanto, o programa de mestrado tem um papel a desempenhar nessa área por meio da formação de futuros profissionais altamente qualificados no setor do azeite”, disse Adil.