Seis anos sem cura: as consequências contínuas da Xylella

Embora o conjunto de pesquisas sobre a Xylella fastidiosa tenha se expandido significativamente desde sua descoberta, o mesmo ocorreu com a complexidade da doença. Sem uma cura à vista, os agricultores precisam aprender a se adaptar.

Seis anos após seu surgimento, sem nenhuma cura à vista, os produtores de azeitona em toda a Europa estão aprendendo a conviver com as consequências devastadoras da Xylella fastidiosa.

A Xylella fastidiosa (Xf), uma bactéria vegetal que a Comissão Europeia classifica como uma das mais perigosas do mundo, foi inicialmente detectada na região da Apúlia, no sul da Itália, em 2013. Desde então, foram encontradas evidências de seu impacto na Espanha, França, Portugal e em partes do Oriente Médio.

Os efeitos desse desastre sobre as famílias e empresas envolvidas são absolutamente devastadores. Séculos de história, cultura e tradições estão sendo destruídos. — Giovanni Melcarne, produtor de azeitonas de Lecce

Um porta-voz da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) afirmou que, embora o conjunto de pesquisas sobre a Xylella tenha se expandido significativamente desde a sua descoberta, o mesmo ocorreu com a complexidade da doença, o que complicou os esforços de pesquisa em andamento na busca por uma cura.

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A falta de uma cura tornou a contenção mais importante do que nunca, com simulações da EFSA indicando que os produtores que detectarem sinais da Xf devem tomar medidas imediatas.

“É essencial que as medidas fitossanitárias de emergência (incluindo o corte de plantas e o controle de vetores) sejam aplicadas de forma oportuna e eficaz logo na primeira detecção de um novo surto”, disse o porta-voz. “Se apenas um desses elementos não for aplicado da maneira correta, torna-se muito difícil erradicar ou conter a doença.”

Embora a EFSA tenha continuado a analisar novos estudos, incluindo alguns que oferecem resultados promissores para cultivares de plantas resistentes e tolerantes, não parece que uma cura surgirá tão cedo — notícia que pouco ajuda a encorajar produtores de azeite como Giovanni Melcarne, cuja família cultiva azeitonas na província italiana de Lecce há mais de 500 anos. Ele estima que a Xylella tenha destruído pelo menos 80% de sua fazenda.

“Os efeitos desse desastre sobre as famílias e empresas envolvidas são absolutamente devastadores”, disse Melcarne. “Séculos de história, cultura e tradições foram destruídos.”

Embora o governo italiano tenha aprovado algumas leis exigindo a contenção, na maioria das vezes elas foram recebidas com críticas e desconfiança.

O governo também foi condenado pelos agricultores e, notavelmente, pelo Tribunal de Justiça Europeu por falta de ação e por não ter conseguido impedir o avanço da bactéria. Em Lecce, Melcarne diz que viu poucas medidas governamentais eficazes.

“A política tem sido cega e lenta, incapaz de prever medidas adequadas para conter a propagação da bactéria”, disse Melcarne. “Os olivicultores e os produtores de azeite estão sozinhos neste desastre.”

Enquanto o governo debate a melhor forma de conter a crise, os produtores tentam desesperadamente minimizar suas perdas econômicas. Alguns estão trabalhando para plantar novas oliveiras, apesar dos obstáculos burocráticos que possam enfrentar. Outros, incluindo Melcarne, estão adotando soluções mais criativas, como o desenvolvimento de novos produtos e o aluguel de casas de campo para turistas.

À medida que a Xylella começa a se estabelecer como a nova realidade, Melcarne continua certo de que a mudança só virá se os produtores aprenderem a adaptar os métodos propostos pelas pesquisas mais recentes, como as cultivares resistentes descritas pela EFSA. Sem isso, disse ele, há pouca esperança para a região.

“Um povo que se opõe à ciência não tem futuro”, disse Melcarne.