Verde Louro entre a nova geração de produtores de destaque do Brasil

No Rio Grande do Sul, o jovem produtor superou as condições climáticas adversas e conquistou quatro prêmios no Concurso Mundial de Azeite.

Na exuberante paisagem do Rio Grande do Sul, a Verde Louro Azeites faz parte de uma nova geração de produtores que está colocando os azeites extravirgens brasileiros no mapa.

A empresa evoluiu de uma fazenda incipiente no estado mais ao sul do Brasil para uma produtora premiada em menos de dez anos.

Para o Brasil, o cultivo da oliveira ainda é algo relativamente novo. Estamos sempre aprendendo. — Daiana Fuhrmann, proprietária da Verde Louro Azeites

No Concurso Mundial de Azeite NYIOOC 2023, a Verde Louro Azeites conquistou dois prêmios de ouro e dois de prata, con­firma­ndo a busca de longa data da em­pre­sa pela qual­idade. Esses resultados provam que estamos no caminho certo e alcan­çando nossos objetivos”, disse a proprietária Daiana Fuhrmann ao Olive Oil Times.

Fundada em 2009, após Fuhrmann ter se inspirado em viagens à Europa e ao Mediterrâneo, a empresa se propôs a produzir azeite extravirgem de alta qualidade a partir de oliveiras cultivadas no Brasil.

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Naquela época, alguns pequenos produtores já haviam começado a investir”, disse Fuhrmann. Combinando essa paixão com o sonho de entrar no setor, a Verde Louro foi fundada.”

Em 2016, a empresa comemorou sua primeira produção com 1.500 litros de azeite extravirgem das variedades Arbequina, Arbosana e Koroneiki. Desde então, a Verde Louro Azeites cresceu para mais de 100 hectares no sul do Rio Grande do Sul, perto da chamada campanha gaúcha”.

Daiana Fuhrmann e família nos olivais da Verde Louro (Foto: Verde Louro Azeites)

Daiana Fuhrmann e família nos olivais da Verde Louro (Foto: Verde Louro Azeites)

É uma região car­acterizada por um cli­ma sub­trop­i­cal a uma alt­i­du­de de 386 metros, com per­í­odos de frio intenso no in­verno e [tem­per­a­tu­ras] muito altas no verão”, disse Fuhrmann. Essas condições têm um forte impacto e exigem operações agrícolas cada vez mais complexas, especialmente nos últimos anos.”

Em 2022, também tivemos que lidar com uma seca severa que se estendeu de meados de novembro até março de 2023”, acrescentou ela. “[Durante 2023,] as chuvas começaram em agosto e devem se estender até bem adentrado 2024.”

O maior desafio para nós é o clima, já que as condições meteorológicas afetam diretamente os volumes de produção e os custos gerais de produção”, explicou Fuhrmann.

As azeitonas são selecionadas antes da moagem para garantir a mais alta qualidade (Foto: Verde Louro Azeites)

As azeitonas são selecionadas antes da moagem para garantir a mais alta qualidade (Foto: Verde Louro Azeites)

O lagar de última geração da empresa, uma instalação de 450 metros quadrados situada no meio dos olivais, pode processar até 1.500 quilos de frutos por hora.

“[O moinho] permite reduzir drasticamente o tempo entre a colheita das azeitonas e a moagem, o que torna todo o processo mais rápido”, disse ela.

Para o Brasil, o cultivo de azeitonas ainda é algo relativamente novo”, acrescentou Fuhrmann. Estamos constantemente aprendendo e ainda dependemos muito de tecnologias importadas dos países produtores tradicionais.”

A empresa está trabalhando ativamente em sua resiliência, integrando a pecuária e a agricultura, utilizando ovelhas para controlar a vegetação concorrente e fertilizar o solo.

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A empresa também busca reduzir a necessidade de maquinário por meio da implantação das melhores práticas no olival, um processo contínuo.

Nessas condições, a fazenda expandiu seus pomares para incluir mais de 25.000 árvores com idades entre cinco e 12 anos. Seus pomares agora compreendem as variedades Arbequina, Arbosana, Koroneiki, Frantoio, Picual e Manzanilla.

Assim como outros produtores brasileiros, a Verde Louro concentra-se no mercado interno, que ainda está mais acostumado a comprar azeite importado do que a experimentar o produto local. “Os consumidores brasileiros conhecem bem o azeite, mas apenas o importado”, disse Fuhrmann.

Fuhrmann acredita que a qualidade é fundamental para promover o azeite extravirgem brasileiro no cenário mundial. (Foto: Verde Louro Azeites)

Fuhrmann acredita que a qualidade é fundamental para promover o azeite extravirgem brasileiro no cenário mundial. (Foto: Verde Louro Azeites)

Com 85.000 toneladas de importações de azeite previstas para a safra 2023/24, o Brasil é o terceiro maior importador, atrás apenas dos Estados Unidos e da União Europeia.

Ainda assim, as percepções estão mudando. Alguns produtores brasileiros começaram recentemente a ser reconhecidos como produtores de azeite extravirgem, com uma produção pequena, mas de altíssima qualidade”, disse Fuhrmann.

Os consumidores no Brasil agora acompanham nosso trabalho e demonstram um interesse crescente por azeites premiados, de modo que o consumo está se desenvolvendo, com os azeites nacionais ganhando força”, acrescentou ela.

O consumo de azeite no país vem aumentando constantemente ao longo das décadas. De acordo com dados do Conselho Oleícola Internacional, o consumo de azeite no Brasil passou de 13.500 toneladas em 1990/91 para 103.500 toneladas em 2021/22.

A Verde Louro Azeites possui 100 hectares de olivais na região sul do Rio Grande do Sul. (Foto: Verde Louro Azeites)

A Verde Louro Azeites possui 100 hectares de olivais na região sul do Rio Grande do Sul. (Foto: Verde Louro Azeites)

Todos os dias, a Verde Louro trabalha para mostrar aos consumidores como o azeite extravirgem é extraordinário, como é produzido e os impactos benéficos que pode trazer”, disse Fuhrmann.

“Também [mostramos a eles] o cuidado que dedicamos à produção e fazemos com que percebam as diferenças entre um azeite extravirgem de alta qualidade e um azeite produzido em massa”, acrescentou ela.

Todo esse trabalho está nos recompensando com resultados maravilhosos”, concluiu Fuhrmann.