Associação de Consumidores Portuguesa pede medidas contra a rotulagem incorreta do azeite

Uma organização portuguesa de defesa do consumidor pediu maior vigilância contra fraudes relacionadas ao azeite, em meio a denúncias de rotulagem incorreta generalizada.

Proteste

Uma organização portuguesa de defesa do consumidor pediu maior vigilância contra fraudes no setor do azeite, alegando que um em cada cinco azeites extravirgens testados recentemente não se enquadrava nessa categoria.

A DECO afirma que a avaliação sensorial de 25 marcas de azeite extravirgem vendidas em Portugal revelou que quatro delas — Auchan (Moura DOP), É, Grão Mestre e Naturfoods Biológico — apresentavam defeitos que as desqualificavam para a classificação de extravirgem.

Além disso, a DECO informou que uma série de testes revelou que o azeite extravirgem orgânico da marca Alfandagh não era um azeite, mas uma mistura de óleos vegetais refinados. Isso constitui fraude e é inaceitável, afirmou a organização.

Necessidade de mais inspeções

Na edição de setembro da revista Proteste, a DECO afirmou que os resultados dos testes abalariam a confiança dos consumidores. Algumas pessoas estavam pagando mais porque queriam um azeite de oliva extra virgem, mas não estavam recebendo isso, argumentou a DECO, que pediu que as cinco marcas fossem retiradas das prateleiras das lojas.

“Exigimos mais vigilância em várias frentes — desde os lagares até os envasadores, passando pelos supermercados e hipermercados — para evitar que toda a indústria do azeite de oliva caia em suspeita devido aos resultados dos nossos testes.”

“A qualidade das azeitonas e o próprio processo de extração também poderiam ser melhorados seguindo as melhores práticas, como os processos corretos nos olivais”, afirmou.

Produtor da Alfandagh refuta resultados

Em nome do produtor de Alfandagh M. C. Rabaçal & Aragão, o diretor da Casa Aragão, Artur Aragão, refutou os resultados dos testes de Alfandagh, afirmando que eram contraditórios. Os resultados dos testes sensoriais indicavam um azeite extravirgem, mas os químicos sugeriam que o óleo nem sequer era azeite.

Era “um tanto irresponsável” acusar toda uma marca com base no teste de um único lote, quando poderia ter havido algum tipo de problema apenas com esse pequeno lote, disse ele à agência de notícias portuguesa Lusa.
Aragão disse que a empresa familiar submete seu azeite a testes regulares realizados por uma empresa externa “desde a colheita das azeitonas até o ponto de venda”.

“Somos monitorados continuamente e de forma cega, sem o nosso conhecimento, para que nunca corramos o risco de comprometer o trabalho de uma vida”, disse ele.

A Alfandagh estava entre os vencedores do prêmio Prestige Gold na competição Terraolivo deste ano, em Jerusalém.

Os melhores azeites também estão entre os mais baratos

A DECO informou ao Olive Oil Times que não poderia fornecer cópias dos relatórios de testes laboratoriais, pois estes eram de uso exclusivamente interno da associação.

Em seu site, afirma que a análise incluiu um conjunto de testes físico-químicos estabelecidos na legislação europeia e análises organolépticas por um painel de degustação. Sua revista Proteste atribui classificações gerais aos 25 azeites de acordo com fatores que incluem acidez, índice de peróxido, absorção ultravioleta e níveis de ésteres alquílicos.

Os dois melhores azeites extravirgens em sua análise de teste – Dia Clássico (Minipreço) e Gallo Clássico – também estavam entre os mais baratos.

Apenas dois dos azeites testados apresentavam a data de engarrafamento.