Um quarto da população mundial enfrenta estresse hídrico “extremo”

Pelo menos dez países produtores de azeitona na Bacia do Mediterrâneo estão classificados como apresentando “alto nível de estresse hídrico”, de acordo com dados compilados pelo World Resources Institute.

Dados compilados pelo Aqueduct Water Risk Atlas, do WRI, revelaram que 17 países, representando um quarto da população mundial, enfrentam um estresse hídrico “extremamente elevado”, sendo que a maioria deles está localizada no Oriente Médio e no Norte da África.

Uma nova geração de soluções está surgindo, mas de forma muito lenta. A falta de ação terá um custo altíssimo em vidas humanas e meios de subsistência. — Andrew Steer, presidente e CEO do World Resources Institute

“O estresse hídrico é a maior crise sobre a qual ninguém está falando. Suas consequências estão à vista de todos na forma de insegurança alimentar, conflitos e migração, além de instabilidade financeira”, afirmou o Dr. Andrew Steer, presidente e CEO do World Resources Institute. “As ferramentas Aqueduct, recentemente atualizadas, permitem que os usuários vejam e compreendam melhor os riscos hídricos e tomem decisões inteligentes para gerenciá-los. Uma nova geração de soluções está surgindo, mas de forma muito lenta. A falta de ação terá um custo altíssimo em vidas humanas e meios de subsistência.”

O Aqueduct Water Risk Atlas do WRI é uma ferramenta que classifica 189 países de acordo com 13 indicadores de estresse hídrico, risco de seca e risco de enchentes fluviais. Ele revela que muitos países produtores de azeitona, incluindo Itália, Espanha, Grécia, Portugal, Tunísia, Argélia, Síria e Turquia, estão sob “alto” estresse hídrico, enquanto Israel e Líbano estão classificados entre os países com maior estresse hídrico.

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O Catar lidera o ranking como o país com maior estresse hídrico do mundo, enquanto na Ásia a Índia ocupa a 13ª posição, seguida pelo Paquistão e pelo Turcomenistão.

“A recente crise hídrica em Chennai ganhou atenção global, mas várias áreas na Índia também estão passando por estresse hídrico crônico”, disse Shashi Shekhar, pesquisador sênior do WRI Índia e ex-secretário do Ministério de Recursos Hídricos da Índia. “A Índia pode gerenciar seus riscos hídricos com a ajuda de dados confiáveis e robustos relativos à precipitação, águas superficiais e subterrâneas para desenvolver estratégias que fortaleçam a resiliência. O Aqueduct pode ajudar a identificar e priorizar os riscos hídricos na Índia e em todo o mundo.”

Nos 17 países que enfrentam o maior estresse hídrico, 80% dos suprimentos disponíveis de águas superficiais e subterrâneas são consumidos pela agricultura, pela indústria e pelos municípios em um ano médio.

Esta é a primeira vez que os dados do WRI incluíram classificações de estados e províncias dentro de cada país. Embora classifique os Estados Unidos na 48ª posição na lista de países, alguns estados americanos enfrentam grave escassez hídrica, principalmente Novo México e Califórnia (ambos os estados também cultivam azeitonas), com o Novo México enfrentando escassez hídrica “extremamente alta”.

Com o aquecimento global, espera-se que a pressão sobre a disponibilidade de água se intensifique nas regiões do mundo com maior escassez hídrica, com o risco de escassez representando uma séria ameaça à agricultura e à segurança alimentar, bem como um risco elevado de conflitos e migração. Especialistas também alertam que cenários do tipo “dia zero”, como o vivido pelos moradores da Cidade do Cabo no ano passado, podem se tornar cada vez mais comuns.