Quer ovos mais saudáveis? Alimente as galinhas com azeite de oliva extra-virgem

Alimentar galinhas com uma dieta que inclua azeite extravirgem rico em polifenóis pode resultar em ovos com menor teor de colesterol e um perfil de ácidos graxos mais favorável.

Os ovos são um alimento básico no café da manhã para a maioria das pessoas. Embora sejam uma excelente fonte de proteína, pessoas com níveis elevados de colesterol, doenças cardíacas ou diabetes costumam evitar o consumo de ovos, pois acredita-se que o alto teor de colesterol da gema aumente os níveis de colesterol no sangue.

E se os ovos pudessem ter menos gordura saturada e colesterol? Vários estudos realizados sobre a ingestão de gordura por galinhas demonstraram que o tipo de gordura na dieta influencia a composição lipídica das gemas. Em um desses estudos, galinhas alimentadas com óleo de soja produziram gemas com maior teor de ácidos graxos poliinsaturados ômega-6; enquanto aquelas alimentadas com óleo de linhaça apresentaram maior teor de ácidos graxos poliinsaturados ômega-3.

Com base nos resultados de estudos anteriores e no fato de que os polifenóis do azeite de oliva extravirgem oferecem proteção contra doenças cardíacas, pesquisadores da Universidade de Bari “Aldo Moro”, na Itália, decidiram incluir azeite de oliva extravirgem na dieta de galinhas poedeiras para determinar se isso influenciaria a qualidade dos ovos.

O estudo, publicado na edição de fevereiro de 2015 da revista Lipids in Health and Disease, avaliou os efeitos da suplementação alimentar da ração das galinhas com azeite de oliva extra-virgem proveniente de duas cultivares diferentes de oliveira, com teores distintos de polifenóis, sobre a qualidade dos ovos e o colesterol da gema.

Em um estudo inédito, os pesquisadores dividiram 150 galinhas poedeiras em três grupos e as alimentaram com uma ração normal à base de trigo e farelo de soja, que diferia apenas na fonte de óleo, durante 10 semanas.

Todas as rações continham 2,5% de óleo: óleo de girassol para o grupo controle ou primeiro grupo; azeite de oliva extravirgem com baixo teor de polifenóis (38 mg/kg) da variedade Cima di Bitonto para o segundo grupo; e azeite de oliva extravirgem com alto teor de polifenóis (254 mg/kg) da variedade Coratina para o terceiro grupo de galinhas.

A taxa de postura, o peso dos ovos e a qualidade da casca foram semelhantes nas galinhas dos três grupos. Verificou-se, no entanto, que a quantidade de polifenóis na ração influenciava a pontuação da cor da gema, que foi mais baixa nos ovos de galinhas alimentadas com óleo de girassol e mais alta nos ovos de galinhas alimentadas com azeite de oliva extravirgem com alto teor de polifenóis.

Da mesma forma, as galinhas alimentadas com azeite de oliva extra virgem com alto teor de polifenóis produziram ovos com níveis mais baixos de colesterol total na gema do que as galinhas alimentadas com azeite de oliva extra virgem com baixo teor de polifenóis. O teor de colesterol total na gema diminuiu 4,04% nas galinhas alimentadas com azeite de oliva extra virgem com baixo teor de polifenóis, enquanto diminuiu 6,74% nas galinhas alimentadas com azeite de oliva extra virgem com alto teor de polifenóis, quando comparado aos níveis de colesterol nas gemas do grupo controle.

Além disso, os ovos do grupo alimentado com azeite extravirgem rico em polifenóis apresentaram menores teores de ácidos graxos saturados, maiores teores de ácidos graxos poliinsaturados e uma melhor proporção entre ácidos graxos saturados e insaturados do que os ovos convencionais. O índice aterogênico também diminuiu à medida que o teor de polifenóis da dieta aumentou – 0,77 nas gemas de galinhas alimentadas com dieta rica em azeite de oliva extra virgem com alto teor de polifenóis, 0,86 nas gemas de galinhas alimentadas com azeite de oliva extra virgem com baixo teor de polifenóis e 1,09 no grupo controle.

Os resultados desta investigação indicam que alimentar galinhas poedeiras com uma dieta que inclua azeite extravirgem rico em polifenóis poderia levar à produção de ovos com menor teor de colesterol e um melhor perfil de ácidos graxos em comparação com os ovos convencionais. De acordo com os autores do estudo, esses ovos mais saudáveis poderiam ser benéficos para a saúde humana.