Parlamento Europeu aprova reforma da PAC em meio a forte oposição

Os defensores da nova Política Agrícola Comum afirmaram que ela distribuirá os recursos de forma mais justa aos pequenos agricultores. Os opositores afirmaram que ela não faz o suficiente em relação às mudanças climáticas.

O Parlamento Europeu votou a favor da aprovação da Política Agrícola Comum (PAC), o vasto programa de subsídios da União Europeia destinado aos agricultores, que representa cerca de um terço do seu orçamento.

O acordo agrícola tem um valor de cerca de 387 bilhões de euros, dos quais 270 bilhões serão destinados a pagamentos diretos aos agricultores. Versões anteriores da PAC foram duramente criticadas por conceder mais subsídios a grandes propriedades agrícolas e empresas agroindustriais.

(A PAC) promoverá um setor agrícola sustentável e competitivo, capaz de garantir a subsistência dos agricultores e fornecer alimentos saudáveis e sustentáveis para a sociedade.– Janusz Wojciechowski, Comissário Europeu para a Agricultura

A nova PAC entrará em vigor em 1º de janeiro de 2023 e expirará em 2027.

Além de distribuir os recursos de forma mais justa entre os 6,5 milhões de agricultores da Europa, os defensores da PAC afirmaram que ela também promove a sustentabilidade no setor agrícola, responsável por mais de 10% das emissões de gases de efeito estufa do bloco.

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“A agricultura será mais justa e sustentável”, disse Norbert Lins, que preside a comissão de agricultura do Parlamento Europeu, chamando-a de a maior reforma desde 1992.

Ao se dirigir aos eurodeputados em Estrasburgo, França, ao saudar as reformas, Janusz Wojciechowski, comissário europeu para a Agricultura, afirmou que a PAC “promoverá um setor agrícola sustentável e competitivo, capaz de garantir o sustento dos agricultores e fornecer alimentos saudáveis e sustentáveis para a sociedade, ao mesmo tempo em que oferece resultados significativamente melhores em termos de meio ambiente e clima”.

Uma das formas pelas quais a nova PAC ajudará a promover a sustentabilidade é exigindo que 22% dos pagamentos sejam destinados a “programas ecológicos”, cujos exemplos incluem a preservação da biodiversidade e a restauração de paisagens nativas, como zonas úmidas. Até 2025, esse número deverá subir para 25%.

Outro objetivo dos “programas ecológicos” é reduzir as emissões do setor em 10%.

No entanto, as reformas não foram acolhidas por todos os legisladores da UE, pois alguns consideraram que elas ainda não estão alinhadas com os interesses dos pequenos agricultores e não fazem o suficiente para combater as mudanças climáticas.

Martin Häusling, eurodeputado do Partido Verde Europeu, foi além e afirmou que as reformas são o início de “um dia sombrio para a política ambiental e os agricultores da UE”.

Sua opinião foi compartilhada por Michal Wiezik, membro eslovaco do Partido Popular Europeu (centro-direita), que argumentou que os verdadeiros vencedores das reformas da PAC eram os “oligarcas”.

“A reforma não se articula com as estratégias de biodiversidade”, disse ele. “Essa reforma deveria ter sido a solução, não a fonte do problema.”