Pesquisadores identificam três variedades de oliveira resistentes a um fungo muito comum

Três híbridos das variedades de azeitona Frantoio, Koroneiki e Arbosana resistiram à Verticillium dahlia em um ambiente controlado.

Pesquisadores na Espanha descobriram três variedades de oliveira com resistência genética ao Verticillium dahlia, um fungo patogênico do solo letal para as oliveiras.

As variedades foram identificadas por pesquisadores da Universidade de Jaén, da Universidade de Córdoba e do Instituto de Investigação e Formação Agrícola e Pesqueira (Ifapa) a partir de material genético obtido do Banco Mundial de Germoplasma da Oliveira, em Córdoba.

Os genótipos selecionados demonstraram que herdam tolerância e resistência ao V. dahliae, o que mostra que são candidatos ideais para… obter culturas mais resistentes e produtivas. — Alicia Serrano, pesquisadora, Universidade de Jaén

O Verticillium dahliae penetra nas raízes da oliveira. Ele causa a doença conhecida como murcha de Verticillium, para a qual não existe tratamento eficaz, tornando as variedades resistentes uma ferramenta vital para os olivicultores em regiões altamente suscetíveis ao fungo.

A murcha de Verticillium causa a deterioração do sistema vascular das oliveiras, com consequências graves, como a queda de frutos e folhas. Com o tempo, o fungo mata as árvores infectadas.

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A Andaluzia é a maior região produtora de azeite do mundo, responsável por mais da metade da produção espanhola de azeite. As variedades de oliveira mais rentáveis e comumente cultivadas na região — Picual, Arbequina, Hojiblanca e Cornicabra — mostraram-se todas suscetíveis à infecção pelo fungo.

De acordo com a rede de informação e alerta fitossanitária da comunidade autônoma, cerca de 2,9% das oliveiras em Córdoba e 88,9% das árvores em Huelva, a segunda e a sétima maiores províncias produtoras de azeite da Andaluzia, respectivamente, foram infectadas pela doença em 2022.

Como resultado, os pesquisadores se propuseram a identificar variedades de oliveira com resistência natural ao patógeno fúngico, avaliando 31 variedades diferentes do banco de germoplasma, três variedades conhecidas por serem resistentes à bactéria mortal da oliveira Xylella fastidiosa e seis variedades do centro de melhoramento genético do Ifapa.

Anteriormente, os pesquisadores identi­fi­caram vários genes que protegem as árvores contra o fungo.

A pesquisa atual teve como objetivo identificar variedades que pudessem manter os níveis de qualidade e produção das variedades espanholas mais prolíficas, especialmente aquelas plantadas em alta densidade e superalta densidade, ao mesmo tempo em que possuíssem resistência natural à Verticillium dahlia.

Após 12 meses de cultivo, cada uma das 40 variedades foi inoculada com o fungo, e sua evolução foi monitorada. Os pesquisadores plantaram 16 pés de cada variedade em quatro blocos. Três foram infectados com o fungo, e o último, usado como controle, não foi.

As três variedades que se destacaram por atender a todos os critérios dos pesquisadores eram cruzamentos das azeitonas Frantoio e Koroneiki, ambas resistentes ao fungo, com a Arbosana, uma variedade espanhola frequentemente plantada em olivais de alta densidade e superalta densidade. As variedades resultantes foram batizadas de “FrxAr_5”, “FrxAr_6” e “KorOp_48”.

As três variedades foram criadas seguindo práticas padrão de cruzamento de oliveiras; os pesquisadores coletaram pólen de uma variedade e polinizaram a segunda variedade, produzindo sementes com características herdadas de ambas as variedades parentais.

Os genótipos selecionados demonstraram que herdam tolerância e resistência ao V. dahliae, o que mostra que são candidatos ideais para desenvolver novos cruzamentos entre eles e obter culturas mais resistentes e produtivas”, afirmou Alicia Serrano, autora principal do estudo e pesquisadora da Universidade de Jaén.

Encorajados pelos resultados iniciais de seu estudo, os pesquisadores afirmaram que o próximo passo seria plantar essas três variedades em escala comercial em olivais reais para observar como elas se comportariam contra a doença e outros fatores de estresse naturais em condições reais de cultivo.