Os primeiros dados apontam para uma produção de azeite mais fraca em toda a Andaluzia

Agricultores de toda a Andaluzia estão relatando colheitas de azeitona menores e rendimentos de azeite mais baixos no início da safra 2025/26, o que suscita novas dúvidas sobre as perspectivas de produção da Espanha.

Agricultores e produtores de azeite em toda a maior região produtora de azeite do mundo estão relatando colheitas de azeitonas menores e uma produção de azeite reduzida nos primeiros meses da safra 2025/26, em comparação com o que se esperava anteriormente.

A seção andaluza da Coordenação de Organizações de Agricultores e Pecuaristas (COAG) informou que as colheitas de azeitonas estão cerca de 30% menores nos olivais irrigados, onde a colheita está mais avançada.

A organização alertou que ainda é muito cedo para avaliar os resultados nos olivais não irrigados, que representam cerca de 70% da área total de cultivo de azeitonas da Andaluzia.

Em Córdoba, a Associação de Jovens Agricultores (Asaja) reforçou as especulações de que a produção espanhola de azeite pode ficar abaixo da previsão inicial da temporada, de 1,3 milhão de toneladas métricas. A segunda maior província produtora de azeite do país produziu 21% menos azeite até agora na safra 2025/26, em comparação com o mesmo período da safra anterior.

As chuvas nas últimas semanas de novembro retardaram a colheita, mas, ao mesmo tempo, ajudaram a melhorar o estado geral dos olivais após meses de seca”, afirmou a Asaja Córdoba. Apesar das chuvas e da melhoria na saúde das árvores, a produção de azeite mal aumentará, já que os frutos já haviam formado a maior parte do seu azeite antes da chegada das chuvas.”

De acordo com a associação, Córdoba produziu 47.884 toneladas métricas de azeite desde o início de outubro, em comparação com 60.657 toneladas na mesma fase da campanha 2024/25. A nível nacional, a Espanha produziu 293.197 toneladas de azeite até agora na safra 2025/26.

A COAG Andaluzia também informou que três muni­ci­pi­os no oeste de Jaén, a maior província produtora de azeite da Espanha, esperam que os vol­úme­s da colheita sejam cerca de metade dos do ano passado, com rendimentos de azeite sem­i­lares.

Em Granada, a organização informou que os olivais irrigados estão com cerca de 30% menos frutos do que em uma colheita típica, enquanto os olivais não irrigados apresentam uma queda de até 70%.

Os agricultores de Málaga relataram uma carga normal de frutos, mas observaram que as azeitonas estão menores do que o habitual devido à seca prolongada, levando a expectativas de rendimentos de azeite mais baixos.

Apesar das evidências crescentes de que a produção de azeite ficará aquém tanto dos resultados do ano passado quanto das projeções anteriores, muitos produtores continuam frustrados, já que os preços no produtor continuam a cair.

De acordo com o observatório de preços do governo regional da Andaluzia, os preços do azeite extravirgem na origem caíram de € 5.130 por tonelada métrica na última semana de novembro para € 4.778 por tonelada em meados de dezembro.

Dados separados do observatório de preços da Infaoliva indicam que os preços permanecem ligeiramente mais altos do que em dezembro de 2024.

A queda nos preços não se justifica pela situação do mercado”, afirmou José Luis García-Lomas Hernández, catedrático de Economia, Marketing e Cooperativismo do Azeite na Universidade de Jaén.

Em vez disso, ele atribuiu o declínio principalmente à gestão das expectativas dentro do setor e à falta de coordenação entre os produtores”.