Inverno ameno e escassez de água complicam as colheitas para alguns agricultores italianos

Os olivicultores esperam que o inverno quente não leve a uma floração precoce na primavera seguida por uma geada tardia, como aconteceu em 2021.

Após um inverno classificado como o quinto mais quente do planeta, a Itália dá as boas-vindas à primavera com duas grandes preocupações: a grave seca que afeta suas regiões do norte e a perturbação causada pelo calor fora de época nos ciclos regulares das culturas.

De acordo com a associação agrícola italiana Coldiretti, as temperaturas médias de inverno no segundo maior país produtor de azeite da Europa aumentaram 0,15 ºC desde 1981.

A seca no Vale do Rio Pó ameaça mais de 30% da produção agrícola nacional, incluindo molho de tomate, frutas, vegetais e trigo, além de metade do rebanho do país.

Além disso, este inverno foi particularmente seco, com um terço a menos de chuva e uma temperatura média 0,49 ºC acima da média em todo o país. O aumento foi ainda mais pronunciado no norte, onde a temperatura média ficou 0,97 ºC acima da média.

A análise foi baseada em dados fornecidos pelo centro de dados climáticos da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos, que registra as temperaturas globais desde 1880.

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Os agricultores já estão sentindo os efeitos do calor anormal, à medida que várias frutas e vegetais amadurecem antes do previsto. Espargos, morangos, ervilhas, favas, alcachofras e abobrinhas já estão disponíveis nas prateleiras dos mercados.

“O calor fora de época está alterando os ciclos tradicionais das culturas e causando um despertar precoce da natureza, com margaridas e prímulas desabrochando nos campos e amendoeiras, damascos e pêssegos já em flor”, afirmou a Coldiretti.

Os agricultores italianos temem que as próximas colheitas de frutas possam ser comprometidas por eventos climáticos extremos, como aqueles que complicaram a colheita de 2020, já que essas culturas são particularmente sensíveis às mudanças climáticas.

Para agravar ainda mais a situação, o alarme em relação à seca é particularmente grave nas regiões do norte do país, conhecidas localmente como o “vale da comida” da Itália.

Autoridades estimam que o déficit hídrico varia de 50% a 90% em comparação com 2021, com picos de déficit nas regiões do Piemonte e do Vêneto.

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“A seca no Vale do Rio Pó ameaça mais de 30% da produção agrícola nacional, incluindo molho de tomate, frutas, vegetais e trigo, além de metade do gado do país”, afirmou a Coldiretti. “Se as condições de seca persistirem, os agricultores serão forçados a fornecer água por meio de irrigação de emergência.”

Enquanto os cursos d’água e lagos estão em seus níveis mais baixos – os níveis de água do rio Pó caíram mais de três metros em certos pontos –, outra preocupação principal diz respeito às culturas semeadas no outono, como cevada, trigo e centeio. A falta de água pode comprometer sua fase de crescimento.

Ao mesmo tempo, os solos secos e duros podem dificultar a semeadura de milho, girassol e soja, prevista para as próximas semanas, acrescentou a Coldiretti.

Os olivicultores ainda não estão preocupados com a atual falta de chuva, já que a floração das árvores provavelmente só ocorrerá em abril ou maio. No entanto, uma primavera mais quente do que o normal seria motivo de preocupação.

As oliveiras começam a florir quando as temperaturas médias diárias ultrapassam 20 ºC. Se essas temperaturas ocorrerem muito cedo na estação, as árvores correm o risco de geadas tardias na primavera, que matam as flores e significam que não haverá frutos.