Estudo conclui que o azeite de oliva extravirgem melhora a função vascular em pacientes com hiperlipidemia
Um ensaio clínico randomizado e controlado realizado na Grécia constatou que o consumo de azeite de oliva extravirgem melhorou a função vascular e os principais marcadores cardiovasculares em pacientes com hiperlipidemia.
Uma análise recente publicada na revista Nutrients constatou que o consumo de azeite de oliva extravirgem em pacientes com hiperlipidemia melhorou os principais indicadores associados tanto à função física de curto e longo prazo quanto à sobrevida. Os resultados baseiam-se em um ensaio clínico randomizado e controlado realizado na Grécia.
A hiperlipidemia, definida por níveis excessivos de lipídios no sangue, aumenta significativamente o risco de aterosclerose, uma das principais causas de incapacidade e morte nos países desenvolvidos. A condição também está associada a distúrbios que afetam o pâncreas, o fígado, o baço, os olhos e a pele.
Com foco nos efeitos dos polifenóis, o estudo envolveu 50 pacientes com hiperlipidemia e 20 participantes saudáveis do grupo de controle, pareados por idade e sexo. Vinte e dois pacientes consumiram um azeite extravirgem com baixo teor de polifenóis, contendo 414 miligramas de polifenóis por quilograma, na dose de 20 gramas por dia, enquanto 28 pacientes receberam uma 1.021 miligramas por quilograma, na dose mais baixa de oito gramas por dia.
Para minimizar a ingerência de compoustos fenolicos adicionais, os participantes excluíram de suas dietas alimentos ricos em polifenólos, como ameixas, frutas vermelhas, vinho tinto, chocolate amargo, nozes, chá verde e suplementos. Nenhuma outra restrição alimentar foi imposta durante o período do estudo.
Pesquisas anteriores da mesma equipe haviam associado o consumo de azeite de oliva extravirgem a mudanças favoráveis nos perfis lipídicos sanguíneos, incluindo níveis mais elevados de HDL, comumente conhecido como colesterol “bom”. Na nova análise, os pesquisadores descobriram que esses benefícios se estendiam ao nível celular, com melhorias clinicamente significativas na função endotelial.
As células endoteliais vasculares revestem as superfícies internas dos vasos sanguíneos e são essenciais para o funcionamento fisiológico normal, desempenhando um papel na regulação da pressão arterial, coagulação, inflamação e resposta imunológica.
A melhora na função endotelial refletiu-se no aumento da saturação de oxigênio nos tecidos em repouso, taxas de consumo de oxigênio mais elevadas, de aproximadamente 8% a 10%, e taxas de reperfusão aumentadas, de aproximadamente 12% a 15%. Os pesquisadores também observaram tempos mais curtos até o pico de hiperemia e recuperação mais rápida após isquemia induzida, juntamente com reduções modestas na pressão arterial diastólica e na frequência cardíaca.
A análise mostrou ainda que o azeite com maior teor de polifenóis, apesar de ser consumido em uma dose diária menor, produziu maiores aumentos na taxa de reperfusão e maiores reduções na pressão arterial sistólica do que o azeite com menor teor de polifenóis administrado em doses mais altas.
Os pesquisadores sugerem que esses resultados destacam a importância da relação polifenóis/lipídios na determinação dos benefícios vasculares e metabólicos. Relações mais elevadas podem aumentar a absorção intestinal, melhorando a biodisponibilidade e ampliando os efeitos antioxidantes e vasodilatadores.
O estudo também identificou diferenças estatisticamente significativas entre participantes do sexo masculino e feminino, particularmente nas alterações na taxa de reperfusão. Isso aponta para possíveis respostas específicas de cada sexo aos polifenóis, potencialmente influenciadas por fatores hormonais e fisiológicos.
No entanto, os pesquisadores alertaram que o número de participantes em cada subgrupo de gênero era limitado. Eles também observaram que variáveis não registradas, incluindo níveis de atividade física, adesão à medicação e diferenças individuais na função microvascular, podem ter influenciado os resultados.