Empresas engarrafadoras contestam pedido de IGP para Creta

Com a proposta de Indicação Geográfica Protegida, os produtores de Creta buscam controlar a cadeia de produção, enquanto os engarrafadores temem perder lucros.

Um acalorado debate entre os produtores de azeite de Creta e a Sevitel, a associação grega de engarrafadores de azeite, surgiu devido à intenção dos produtores cretenses de comercializar seu azeite sob um único rótulo comum de IGP.

Um grupo de produtores cretenses, representando todas as regiões da ilha, apresentou um pedido ao Ministério da Agricultura da Grécia para obter o estatuto de Indicação Geográfica Protegida (IGP) para o nome “Creta” junto à União Europeia.

Mantemos firme nossa posição e não negociamos a proposta da Sevitel de enviar nosso azeite a granel para engarrafamento em toda a Grécia. – Associação de produtores de Heraklion, 

Com o pedido, os produtores cretenses pretendem que todo o processo de produção do azeite cretense ocorra exclusivamente na ilha, incluindo a colheita, o processamento e o engarrafamento do azeite.

Em resposta ao pedido, a Sevitel apresentou uma objeção ao ministério para bloquear o processo, alegando que o azeite produzido em Creta deveria poder ser engarrafado em qualquer outro lugar do mundo.

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Um rótulo IGP é uma indicação geográfica atribuída a produtos alimentícios vinculados a uma área específica de um Estado-membro da UE que satisfaz vários critérios, sendo que pelo menos uma das etapas de produção, processamento ou preparação do produto deve ocorrer dentro dessa área específica.

O raciocínio da Sevitel para a objeção baseia-se na disposição do regulamento da UE referente às denominações de origem protegidas (DOP) e aos rótulos IGP para a circulação livre de produtos e serviços quando os rótulos são concedidos.

Grandes quantidades do azeite grego, e por extensão do cretense, produzidas anualmente são exportadas a granel para destinos fora da UE e para a Itália para engarrafamento, com os produtores gregos arcando com a perda de vender um produto sem marca em comparação com um azeite de marca.

Os produtores cretenses buscam valorizar seu produto, enquanto a Sevitel tenta proteger os interesses dos engarrafadores fora de Creta: a ilha é responsável por quase um terço da produção anual de azeite da Grécia e a impossibilidade de adquirir azeite cretense privaria os engarrafadores de um recurso importante.

“Mantemos nossa posição firme e não negociamos a proposta da Sevitel de enviar nosso azeite a granel para engarrafamento em toda a Grécia”, afirmou a associação de produtores de Heraklion em um comunicado à imprensa.

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“O próprio termo indicação geográfica protegida nos permite entender que se refere a uma área específica e delimitada com tudo o que dela deriva, ou seja, todos os procedimentos a serem realizados nessa área específica”, acrescentaram.

“Não se trata apenas do azeite em si, mas também das instalações locais e das pessoas de Creta que trabalham, dos fornecedores locais de materiais de embalagem, das empresas de transporte e de toda a infraestrutura de produção de azeite necessária para que o azeite cretense saia da ilha embalado”, concluiu a associação.

Não se chegou a um consenso sobre o assunto durante uma recente teleconferência entre as duas partes.

A objeção da Sevitel será analisada pela comissão de recurso do Ministério da Agricultura no prazo de cinco meses a partir da data de apresentação, informou o ministério ao Olive Oil Times em uma mensagem de e-mail.

Se o pedido dos produtores cretenses para um selo IGP for aceito, ele será encaminhado à Comissão Europeia para avaliação adicional.