O calor, a seca e o aumento dos custos reduzem a colheita de azeitonas em Portugal
As estimativas oficiais apontam para uma queda de 20% na colheita de azeitonas em Portugal, com rendimentos desiguais entre as regiões e uma pressão crescente sobre os produtores tradicionais.
A produção de azeitonas em Portugal deverá diminuir 20% na safra de 2025/26, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
O INE estima que a produtividade dos olivais atingirá 2.801 kg por hectare em 2025/26, uma queda em relação aos 3.501 kg por hectare da safra anterior e um valor ligeiramente abaixo da média de cinco anos.
O instituto afirmou que as altas temperaturas e os ventos fortes da primavera causaram a queda das flores e uma frutificação irregular na região do sul do Alentejo, responsável pela maior parte da produção de azeite do país. Na região de Trás-os-Montes, no norte, o tempo úmido e frio também prejudicou a frutificação.
“Posteriormente, as altas temperaturas e a ausência de chuvas de verão prejudicaram o desenvolvimento das ameixas, uma situação agravada na região de Trás-os-Montes por incêndios que destruíram áreas significantes de olivais tradicionais”, escreveu o INE.
Apesar dos rendimentos mais baixos, o instituto afirmou que a colheita confirmou a boa qualidade dos frutos e o amadurecimento regular, com expectativas de produção de azeites de boa qualidade.
A avaliação do INE está em linha com previsões anteriores da associação nacional de produtores Olivum, que previa um declínio de 20% na produção de azeitonas e uma queda de 10% na produção de azeite.
“Durante os meses cruciais para a produção de azeite, enfrentamos uma situação de extrema seca”, disse Susana Sassetti, diretora executiva da Olivum. “Em comparação com a safra anterior, muitos olivais não conseguiram manter o desenvolvimento normal dos frutos.”
Ela acrescentou que o setor enfrenta uma colheita altamente desigual entre regiões e variedades, com uma tendência geral de redução da produção.
De acordo com dados da Comissão Europeia, Portugal produziu 21.300 toneladas métricas de azeite no primeiro mês da safra 2025/26 e deve encerrar o ano agrícola com uma produção total de cerca de 150.000 toneladas métricas.
Isso ficaria bem abaixo das previsões iniciais de 170.000 a 180.000 toneladas feitas em setembro, bem como das 177.000 toneladas métricas produzidas na safra anterior.
A queda na produção ocorre em meio ao aumento dos custos de mão de obra, fertilizantes, combustível e pesticidas, bem como a mais um ano de preços baixos da azeitona para os agricultores.
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) de Portugal descreveu a situação como um “motivo de grande preocupação” para os produtores tradicionais, observando que os preços da azeitona caíram para €0,55 por quilo, ante €0,75 em 2024 e €1,10 em 2022.
“Além da inexplicável queda nos preços em um ano de menor produção, muitos produtores estão entregando suas azeitonas aos lagares sem saber quanto e quando receberão o pagamento”, afirmou a CNA, acrescentando que alguns agricultores foram informados de que os pagamentos podem não chegar até setembro do próximo ano.
A confederação também destacou os custos mais elevados de moagem, incluindo um aumento temporário do imposto sobre o valor agregado (IVA) sobre os serviços de moagem de 6% para 23%. Espera-se que a alíquota volte a 6% em janeiro de 2026.
A CNA instou o governo português a garantir “rendimentos dignos para os agricultores”, adotando legislação que proíba que os produtores sejam pagos abaixo dos seus custos de produção e estabelecendo um mecanismo para garantir o cumprimento da lei.