As necessidades de seguro dos produtores de azeitona mudam com o clima

O custo da manutenção dos olivais está aumentando à medida que as mudanças climáticas tornam a Europa cada vez mais quente e seca. Os agricultores podem adotar algumas tecnologias para ajudar.

À medida que a natureza das ameaças enfrentadas pelos olivicultores muda, o mesmo ocorre com o setor de seguros que assume o risco representado por esses perigos.

No passado, “os principais riscos para a olivicultura não eram climáticos, mas sim doenças (incluindo parasitas), volatilidade de preços e fraudes (envolvendo a reatribuição de locais de cultivo de oliveiras)”, disse uma fonte do setor de seguros agrícolas ao Olive Oil Times.

Mais recen­te­mente, várias seguradoras europeias têm tra­ba­hado para ele­va­r a impor­tância das mudanças rela­cionadas ao clima em toda a sua carteira de subscri­ção e inves­timentos.

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Essa iniciativa tornou-se mais pertinente, especialmente no setor agrícola, que é cada vez mais afetado pelas mudanças climáticas e pelos eventos climáticos extremos.

De acordo com uma pesquisa do Olive Oil Times, a produção global de azeite deve diminuir pelo segundo ano consecutivo na safra de 2023/24, caindo para 2,4 milhões de toneladas, em grande parte devido à seca na bacia do Mediterrâneo.

Como resultado, as seguradoras europeias estão emitindo apólices que combinam proteção contra doenças com proteção contra a seca.

A REVO Insurance, a primeira operadora italiana especializada em riscos paramétricos e linhas de especialidade, anunciou em outubro planos para ampliar sua gama de produtos para o setor agrícola com cobertura projetada especificamente para os produtores italianos de azeite.

O setor olivícola italiano, avaliado em 1,4 bilhão de euros em 2022, sofreu uma queda acentuada na produção nacional, de 37% ou 121.000 toneladas, devido à seca, ao calor e à mosca da azeitona”, de acordo com uma pesquisa nacional realizada pela Câmara de Comércio da Úmbria.

Apesar da iniciativa para aumentar a importância dos seguros relacionados ao clima na Europa, ainda há uma lacuna. De acordo com dados do Banco Central Europeu, apenas um quarto das perdas decorrentes de desastres climáticos é coberto. “Uma maior cobertura poderia reduzir os danos econômicos decorrentes desses desastres.”

Parte da razão para essa lacuna é o alto custo da cobertura de seguro. Na Espanha, o maior produtor mundial de azeite de oliva, uma investigação da Agropopular constatou que apenas 4,5% da área de olivais do país está segurada.

No setor da azeitona, embora seja possível fazer um seguro contra a seca, o risco é muito alto, por isso o preço é elevado e, geralmente, há franquias e limites de perda elevados”, disse ao Olive Oil Times um subscritor de seguros de uma empresa italiana. Para novos olivais, seria necessário oferecer tanto cobertura de irrigação quanto cobertura contra a seca.”

Mesmo quando a cobertura de seguro é acessível, os agricultores podem subestimar a probabilidade e o impacto de catástrofes.

Como alternativa, os agricultores poderiam recorrer a novas tecnologias para melhorar os rendimentos. Os agricultores precisam de técnicas agronômicas aprimoradas, novas variedades de azeite e apoio à tomada de decisões”, disse o corretor.

Por exemplo, os rendimentos do azeite podem flutuar significativamente devido à sua dependência de precipitação suficiente em momentos específicos do desenvolvimento do fruto; uma opção para proteger contra o risco de rendimento no cultivo poderia ser o seguro de índice climático baseado em satélite, de acordo com uma pesquisa publicada no Australian Journal of Agricultural and Resource Economics.

Na Espanha e na Itália, os produtores de azeitona já estão usando imagens de satélite para proteger a produção de azeite, rastreando onde suas terras estão mais secas e utilizando irrigação de precisão.

Em última análise, os agricultores precisam encontrar um equilíbrio entre tecnologia e seguros para lidar com a questão, pois, no futuro, desastres relacionados ao clima podem elevar os preços dos seguros.

Na França, os prêmios aumentariam de 130% a 200% até 2060 para cobrir essas perdas, de acordo com o banco central. Em termos de preços de seguros, isso representa um aumento de 2,8% a 3,7% ao ano, um aumento significativo em um setor de margens reduzidas.