A olivicultura ao redor do “Umbigo do Mundo”

Após anos de declínio e abandono, a olivicultura e a produção de azeite estão voltando a ganhar força nessa região histórica da Grécia.

A estimativa deste ano para a produção de azeitonas da planície de Delfos — que leva o nome do histórico oráculo de Apolo e era considerada pelos antigos gregos como o umbigo do mundo — é bastante decepcionante.

Quando a seca reduz drasticamente a produção, os proprietários dos olivais ficam desanimados e procuram empregos na cidade, que são mais lucrativos, o que faz com que grande parte dos olivais seja negligenciada. — Elias Xiros, presidente da Cooperativa de Amfissa

A olivicultura, cuja importância para a economia local só é superada pelo turismo, tem apresentado um crescimento anémico e a estimativa atual de 4.000 toneladas representa apenas um terço da capacidade potencial da região.

Apesar de ser a terceira variedade mais exportada e um Produto de Origem Protegida (DOP) registrado, a azeitona local conhecida como “Konservolia” ou Amfissa, batizada em homenagem à cidade situada nas encostas verdejantes do Monte Parnaso, era até recentemente enviada pela cooperativa em grandes barris para destinos no exterior.

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Problemas como baixa produtividade, falta de controle de qualidade, ausência de instalações de processamento, negligência e abandono das terras e falta de irrigação se acumularam e representaram obstáculos que impediram o desenvolvimento e ameaçaram a viabilidade econômica do mais antigo e maior olival unificado do país.

No entanto, a situação começou a melhorar nos últimos anos, em parte devido à iniciativa lançada pela Cooperativa de Amfissa para modernizar a olivicultura por meio de programas europeus e nacionais.

Esses programas visam melhorar a qualidade da produção e modernizar as instalações da cooperativa, a fim de ajudar a liberar o potencial econômico do olival de Delfos.

Como Delfos ficou para trás

O declínio na produção da azeitona DOP “Amfissa” começou na década de 1980.

“O olival tem uma forte capacidade de produção, mas os rendimentos ainda dependem do clima e da precipitação, porque, infelizmente, a maioria dos olivais não é irrigada”, disse Elias Xiros, presidente da Cooperativa de Amfissa. “Quando a seca reduz drasticamente os rendimentos, os proprietários dos olivais ficam desapontados e se voltam para empregos urbanos, que são mais lucrativos, resultando na negligência de grande parte do olival.”

Especialistas locais apontam que até 30% dos olivais não são cultivados sistematicamente, enquanto mais de 70% não são irrigados.

Xiros acrescentou ainda: “A azeitona preta natural de Delfos tem necessidades especiais de manejo; é um fruto maduro e precisa ser transportado com muito cuidado, pois, ao contrário das azeitonas verdes, que são fibrosas, sua polpa é macia. Por esse motivo, e porque o preço das azeitonas nem sempre era atraente, muitos produtores vendiam suas azeitonas às prensas para a produção de azeite.”

Embalagens menores aumentam os preços ao produtor

O novo investimento nas instalações ultramodernas da Cooperativa de Amfissa, em operação desde 2017, criou novas perspectivas para as azeitonas de Amfissa.

Até 2017, as azeitonas “Konservolia” eram enviadas em barris de 150 kg ou latas de 13 kg, com o preço ao produtor situando-se em cerca de € 1,40 ($ 1,60) por quilo.

No entanto, com as novas linhas de embalagem que fazem parte da unidade de processamento, a Cooperativa agora pode comercializar azeitonas verdes ou pretas em embalagens pequenas.

“Este ano, esperamos receber de 800 a 900 toneladas nas novas instalações e podemos embalar de 200 a 300 toneladas em potes de vidro ou embalagens plásticas, a partir de 120 gramas até o tamanho que o cliente solicitar”, disse Xiros. “A padronização pode elevar o preço ao produtor para cerca de € 1,80 a € 1,90 (US$ 2,06 a US$ 2,17) por quilo para os membros da Cooperativa.”

Melhorando a produção passo a passo

Na última década, a Cooperativa de Amfissa tem se empenhado em melhorar as práticas agrícolas e os procedimentos de processamento por meio de projetos financiados pelo governo nacional e pela União Europeia, dos quais o mais importante foi o programa de três anos realizado entre 2015 e 2018 com foco na rastreabilidade.

“Como os consumidores exigem mais informações sobre os alimentos que compram, foi lançado um programa que nos permite acompanhar as novas necessidades do mercado e intensificar os esforços para documentar cada etapa da produção das azeitonas que cultivamos”, disse Peggy Karageorgou, agrônoma da Cooperativa responsável pelo programa de três anos.

“Atualmente, temos registros de cada lote de azeitonas que recebemos, bem como dos tanques em que são armazenadas”, acrescentou ela. “Na etapa de embalagem, selecionamos e criamos registros para a fruta, bem como para todos os insumos utilizados em cada embalagem. Assim, a qualquer momento, a Cooperativa tem acesso a informações sobre o conteúdo de cada tanque e pode, se necessário, rastrear o produto até o produtor que forneceu as azeitonas. Isso significa que temos maior capacidade de realizar controles de qualidade mais direcionados.”

Recursos do mesmo programa também foram utilizados para treinar e certificar cerca de 580 membros da Cooperativa de Amfissa em boas práticas agrícolas.

Além disso, a infraestrutura da unidade de processamento foi modernizada e um separador de cores foi adquirido para melhorar os procedimentos de controle de qualidade.

Obras de irrigação em andamento

Um grande projeto de irrigação, atualmente em andamento, deverá melhorar ainda mais as perspectivas do olival de Delfos.

O projeto prevê tubulações subterrâneas de 170 km, das quais aproximadamente 100 km já foram instalados, com dois pontos de captação da tubulação de Mornos para Amfissa e Chrysos.

O valor do projeto é de € 20 milhões (US$ 22,9 milhões) e houve um atraso de dois anos na sua conclusão.

Após uma modificação do estudo original e do contrato relevante, de acordo com Vaggelis Katsagounos, vice-chefe de gabinete da Prefeitura de Fokida, o projeto, que é cofinanciado pela UE, está programado para ser concluído até o final de 2019.

O Olive Oil Times e a publicação grega Agronews estão trabalhando em conjunto para trazer a você notícias sobre agricultura da Grécia.