Autoridades no Brasil apreendem 9.000 garrafas de azeite falsificado

A apreensão ocorre duas semanas após uma operação policial distinta, na qual foram destruídos 16.000 litros de produto comercializado como azeite de oliva extravirgem e considerado impróprio para consumo humano.

As autoridades do estado do Paraná, no sul do Brasil, apreenderam cerca de 9.000 garrafas de azeite fraudulento, avaliadas em 300.000 reais (56.000 euros).

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, as garrafas eram vendidas como azeite extravirgem de origem espanhola. No entanto, testes de ressonância magnética nuclear revelaram que elas continham óleo de soja.

A longo prazo, o des­afio (para o Brasil) é man­ter a qual­idade do produto na­cional, pre­ven­do que ocorram fra­udes com os pro­du­tores nacionais, como ac­ontece hoje com os azeites importados. — Rafael Goelzer, dire­tor de re­la­ções de mercado, Estância das Oliveiras

Agentes do ministério começaram a suspeitar depois que garrafas de marca espanhola foram encontradas em caixas com rótulos portugueses. Uma inspeção mais detalhada revelou que as garrafas também tinham tipos diferentes de tampas. A fraude foi confirmada após se constatar que várias amostras apresentavam perfis espectrais idênticos.

As autoridades não informaram se foram feitas prisões durante a inspeção.

Veja também: Polícia na Espanha e na Itália desmantela rede de fraude de azeite

A apreensão ocorreu duas semanas depois que agentes do ministério apreenderam mais de 16.000 litros de azeite de oliva em São Paulo. Mais de 6.000 garrafas foram destruídas depois que as autoridades testaram o suposto azeite de oliva e o consideraram impróprio para consumo humano.

O Ministério se recusou a divulgar os nomes das marcas ou redes de supermercados envolvidas em qualquer uma das apreensões recentes, mas informou que representantes das empresas foram intimados a comparecer ao Ministério.

De acordo com as autoridades brasileiras, a fraude com azeite de oliva é o segundo tipo mais comum de fraude alimentar no Brasil, atrás apenas da fraude com peixes.

Em um estudo de 2021, pesquisadores da Itália, França e Reino Unido descobriram que a diluição de azeite virgem e extravirgem com azeite lampante para vender como extravirgem e a substituição do azeite extravirgem por óleo de soja tingido de verde são os dois tipos mais comuns de fraude com azeite no Brasil.

Entre 2015 e 2017, o Ministério da Agricultura e Pecuária detectou irregularidades em 45 marcas comerciais de azeite extravirgem. As autoridades constataram que 62% dos 333.329 litros analisados pelo ministério apresentavam defeitos sensoriais.

O Paraná e São Paulo estão localizados próximos às duas maiores regiões produtoras de azeite do país, o Rio Grande do Sul e a Serra da Mantiqueira, respectivamente.

A produção doméstica de azeite de oliva no Brasil continua muito baixa, com cerca de 580.000 litros produzidos na safra de 2022/23. De acordo com dados do Conselho Oleícola Internacional, esperava-se que o Brasil consumisse 85.000 toneladas de azeite em 2022/23, praticamente todas importadas.

Como resultado, tanto os exportadores para o Brasil quanto os produtores locais afirmaram ao Olive Oil Times que a prevalência de fraudes está entre suas principais preocupações.

A longo prazo, o desafio [para o Brasil] é manter a qualidade do produto nacional, evitando que ocorram fraudes com os produtores nacionais, como acontece hoje com os azeites importados”, disse Rafael Goelzer, diretor de relações de mercado da Estância das Oliveiras, ao Olive Oil Times em uma entrevista de 2023.