Europa adia decisão sobre rotulagem de alimentos

Um eurodeputado italiano afirmou que a decisão foi retirada da agenda legislativa de 2023 e que é improvável que seja retomada antes de 2024.

A possível adoção do Nutri-Score como sistema obrigatório de rotulagem na parte frontal das embalagens na União Europeia foi retirada da atual agenda legislativa da UE.

A notícia mais recente foi anunciada por um membro do Parlamento Europeu (MEP) durante a reunião nacional da Coldiretti, uma associação agrícola, em Roma.

“A Comissão Europeia cancelou sua proposta legislativa para um sistema de rotulagem de alimentos em toda a UE que inclui o Nutri-Score como um dos possíveis candidatos”, disse Paolo De Castro, membro da comissão de agricultura e desenvolvimento rural do Parlamento Europeu.

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Segundo De Castro, a retirada da agenda significa que o assunto não será discutido novamente antes de 2024, quando estão previstas as eleições.

“Isso significa que esta comissão e este parlamento não poderão propor ou transformar em lei qualquer proposta de rotulagem de alimentos”, acrescentou ele.

O atraso no processo legislativo para um sistema de rotulagem alimentar harmonizado e obrigatório para toda a União Europeia não é surpresa, após comentários de políticos italianos e europeus no mês passado.

A decisão sobre o assunto era inicialmente esperada para o final do ano e foi recentemente adiada para o segundo semestre de 2023. O principal motivo do atraso resultou de diferenças significativas entre os membros da UE na abordagem à rotulagem de alimentos.

Embora várias plataformas de rotulagem diferentes tenham sido levadas em consideração, o Nutri-Score foi por muito tempo considerado o favorito após ampla adoção voluntária por alguns países, incluindo França e Alemanha, e pelos principais produtores de alimentos.

O Nutri-Score é um rótulo na parte frontal da embalagem, no estilo semáforo, que usa uma combinação de cinco cores e letras coordenadas para classificar o quão saudável um alimento embalado é, com base em seu teor de gordura, açúcar, sal e calorias por porção de 100 gramas ou mililitros. O “A verde” indica a opção mais saudável, e o “E vermelho” denota a menos saudável.

Nutri-Score label showing a color-coded rating system from A (green) to E (red) for food products.

O anúncio de De Castro ocorre dias após o órgão consultivo do Ministério da Saúde da França, a Conferência Nacional de Saúde (CNS), ter publicado um parecer solicitando a adoção imediata do Nutri-Score em toda a Europa.

Os especialistas da CNS exortaram a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu “a proteger a saúde das pessoas que vivem na União Europeia, das gerações atuais e futuras, e a adotar uma rotulagem nutricional obrigatória, que seja compreensível para o maior número possível de nossos cidadãos, especialmente os mais vulneráveis, e cuja eficácia tenha sido comprovada cientificamente”.

A CNS acrescentou que a adoção do Nutri-Score deveria ocorrer “até o prazo previsto (2022)” como “rotulagem nutricional obrigatória em toda a Europa”.

Antes de o CNS divulgar seu parecer, 23 eurodeputados escreveram uma carta aberta à Comissão Europeia, aparentemente criticando o Nutri-Score e solicitando uma abordagem diferente.

Segundo os signatários, qualquer que seja o rótulo nutricional escolhido, ele deve ser “simples”, mas não “simplista”. Deve também evitar qualquer “julgamento de valor dos alimentos” e oferecer “informações sobre calorias e nutrientes por porção”.

A carta também solicitou à comissão que considerasse como o rótulo avalia conteúdos não nutricionais, como, por exemplo, se um alimento é ou não processado.

Segundo De Castro, o atraso de fato no processo de adoção da UE é uma boa notícia, pois dará mais tempo para compreender as diferentes opiniões sobre o assunto.

“Na verdade, não acho que precisemos de um único sistema harmonizado”, acrescentou ele. “Existem tantas diferenças culturais e estilos de vida diferentes que é difícil encontrar um sistema abrangente que inclua todos eles com sucesso.”