Pesquisa revela que os italianos mudaram seus hábitos de compra de azeite

Apesar do aumento dos preços e da menor disponibilidade, 48% dos lares italianos continuam a comprar a mesma quantidade de azeite que nos anos anteriores.

De acordo com uma pesquisa recente, quase metade dos lares italianos, 48%, afirmou que os altos preços do azeite extravirgem não alteraram seus hábitos de compra ou consumo. Ao mesmo tempo, pouco mais da metade declarou ter reduzido seus gastos com alimentação.

Realizada pela NielsenIQ e pelo Instituto Italiano de Serviços para o Mercado Agrícola e Alimentar (Ismea), a pesquisa também revelou que 17% das famílias reduziram o consumo de azeite extravirgem, com outros 23% comprando o produto com menos frequência do que antes.

A pesquisa entrevistou 3.000 famílias consideradas representativas dos 25,7 milhões de famílias da Itália e constatou que 11% dos entrevistados agora optam por alternativas mais baratas e de menor qualidade ao azeite extravirgem.

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Dado o impacto da inflação nos orçamentos das famílias e o efeito da redução da produção nos preços do azeite extravirgem, a Ismea observou que as famílias italianas estão abordando as compras de supermercado com muito mais cuidado do que antes.

Noventa por­cento dos respon­den­tes prior­izam a relação preço-qual­idade em seus hábitos de gasto com al­i­mentação, com 82 por­cento sempre em busca de promo­ções e des­contos.

De acordo com estimativas oficiais, os preços do azeite de oliva subiram 44% na Itália entre 2022 e 2023. Esse aumento superou significativamente o aumento médio percebido de 10,6% nos preços gerais dos alimentos.

Quando se analisa azeites extravirgens, massas, frutas e vegetais, o consumo é considerado não redutível, mesmo na presença de aumentos significativos de preços”, escreveu a Ismea.

A pesquisa também revelou que 47% das famílias preferem comprar azeite extravirgem e outros produtos alimentícios produzidos na Itália.

A Ismea destacou ainda o papel significativo das certificações de Denominação de Origem Protegida (DOP) e Indicação Geográfica Protegida (IGP) na formação das decisões de compra dos consumidores em relação ao azeite extravirgem.

Denominação de Origem Protegida e Indicação Geográfica Protegida

A Denominação de Origem Protegida (DOP) e a Indicação Geográfica Protegida (IGP) são certificações da União Europeia que reconhecem a área de origem do produto, a qual lhe conferiu certas qualidades únicas. As DOPs são aplicadas a produtos provenientes de pequenas áreas geográficas e exigem que todas as etapas da produção ocorram na área. As IGP são aplicadas a regiões mais amplas. Ambas são protegidas contra fraudes e imitações na UE e em alguns outros países por meio de acordos comerciais.

Quatorze por cento dos lares consideram crucial a presença de certificações DOP ou IGP nos rótulos de azeite extravirgem, o que é muito superior ao de qualquer outro produto alimentício, exceto o vinho, que fica em 18 por cento.

Enquanto o setor trabalha para envolver os clientes e agregar valor às vendas diretas de azeite extravirgem de lagares e produtores, 66% dos consumidores afirmaram que compram seus produtos alimentícios em grandes varejistas, uma queda de 8% em relação a 2022.

O impacto do aumento dos preços dos alimentos se estende por vários setores, com quase uma em cada quatro famílias citando a redução das refeições fora de casa em restaurantes como uma medida principal ou secundária de economia.

Analisando o carrinho de compras das famílias, 62% delas perceberam que os preços dos produtos orgânicos subiram mais do que os preços dos alimentos convencionais. Setenta por cento afirmaram que comprariam produtos não orgânicos para maximizar a economia.

De acordo com a Ismea, as tendências para 2024 mostram sinais de recuperação nas vendas de alimentos, já que a inflação dos alimentos em fevereiro desacelerou para 3,8%, ante os 5,8% registrados em janeiro. No entanto, há incerteza quanto à possibilidade de queda nos preços do azeite de oliva na origem.

A agência de estatísticas da União Europeia, Eurostat, observou recentemente que os preços europeus do azeite continuaram a crescer rapidamente ao longo de 2023, atingindo um aumento de 50% em janeiro de 2024 em comparação com janeiro de 2023.

Em janeiro de 2024, todos os países da UE relataram um aumento na inflação anual do azeite”, informou o Eurostat. Os aumentos mais acentuados foram registrados em Portugal (69%), Grécia (67%) e Espanha (63%), com a Itália em 45%.

Preço e qualidade não são as únicas variáveis que afetam a tomada de decisão do consumidor. De modo geral, o consumo de azeite na Itália tem seguido uma tendência de queda constante nos últimos anos.

De acordo com as estimativas do Conselho Oleícola Internacional (COI), os italianos consumiram 478.000 toneladas de azeite na safra de 2022/23, com 415.000 previstas para 2023/2024.

Analisando o passado recente, os italianos consumiram 660.000 toneladas de azeite em 2010/2011, 598.100 cinco anos depois e 421.000 em 2020/2021.

A queda acentuada ocorreu antes dos impressionantes aumentos de preço dos últimos dois anos, principalmente devido ao impacto da megasseca no Mediterrâneo sobre a produção.