Xylella fastidiosa identificada na Extremadura

A Extremadura junta-se às Ilhas Baleares e à Comunidade de Valência como regiões espanholas com focos ativos de Xylella infestata.

As autoridades fitossanitárias da Extremadura identificaram a Xylella fastidiosa na comunidade autônoma e adotaram medidas de contenção e erradicação.

As autoridades informaram que a subespécie fas-tidiosa (Xylella fas-tidiosa fas-tidiosa) do patógeno vegetal letal foi identificada em dois tipos de estevas, duas espécies de plantas do gênero Cytisus e lavanda na região montanhosa de Valencia de Alcántara, na província de Cáceres.

De acordo com a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, não se sabe que a Xylella fastidiosa infecte naturalmente oliveiras, e as autoridades confirmaram que nenhuma oliveira infectada foi identificada.

Veja também: Os olivais resistentes à Xylella são o futuro do azeite da Apúlia

As subespécies pauca e multiplex infectam oliveiras e causam a Síndrome do Declínio Rápido da Oliveira, que não tem cura e já foi identificada em outras regiões espanholas.

Autoridades fitossanitárias da Extremadura também lançaram o protocolo de erradicação, que inclui a eliminação imediata de todas as plantas infectadas suscetíveis à subespécie fastidiosa em um raio de 50 metros, o estabelecimento de uma zona tampão de 2,5 quilômetros, tratamentos inseticidas contra espécies vetoras e o início de um programa de vigilância.

A Extremadura é a terceira maior região produtora de azeite da Espanha, com uma produção de 68.997 toneladas de azeite na safra de 2023/24, das quais 8.220 toneladas foram produzidas em Cáceres.

A mesma subespécie fas­tidiosa está presente na vizinha Portugal desde 2019, com subespécies múltiplas identi­fi­ca­das ao redor da cidade de Porto, no norte do país, em 2023.

Xylella fastidiosa

A Xylella fastidiosa é uma bactéria gram-negativa conhecida por causar uma variedade de doenças nas plantas. É um patógeno que afeta pri­ma­ri­a­mente o xilema, que é o tecido ve­getal res­pon­sá­vel pelo trans­porte de água e nutri­entes das raízes para outras partes da planta. A Xylella fastidiosa é uma grande preocupação na agricultura e na silvicultura, pois pode infectar uma ampla variedade de espécies vegetais, levando a perdas econômicas e danos ambientais. Essa bactéria é transmitida por insetos vetores, como os cigarrinhas e os percevejos, que se alimentam da seiva das plantas. Quando esses insetos se alimentam de plantas infectadas, eles adquirem a bactéria e podem então transmiti-la para plantas saudáveis ao se alimentarem delas. A Xylella fastidiosa pode infectar tanto culturas agrícolas quanto plantas ornamentais, e tem sido responsável por doenças devastadoras em várias partes do mundo. Algumas das doenças mais conhecidas causadas pela Xylella fastidiosa incluem a Doença de Pierce, a Clorose Variegada dos Citrinos (CVC) e a Síndrome do Declínio Rápido da Oliveira (OQDS). Os esforços para controlar a Xylella fastidiosa incluem o uso de inseticidas para controlar os insetos vetores, bem como medidas de quarentena e remoção de plantas infectadas para impedir a propagação. Pesquisas estão em andamento para desenvolver estratégias mais eficazes para controlar e prevenir a propagação dessa bactéria e das doenças vegetais a ela associadas.

A notícia da descoberta seguiu-se a um anúncio das autoridades locais das Ilhas Baleares de que 37 oliveiras silvestres, conhecidas como acebuches, infectadas com Xylella fastidiosa pauca, foram destruídas em Sencelles.

O Instituto de Natureza das Baleares destruiu 103 árvores suscetíveis em uma área de dois hectares no centro de Maiorca, a maior ilha do arquipélago mediterrâneo.

Atualmente, os casos positivos para essa espécie estão todos concentrados na área próxima ao cemitério deste município”, disse Joan Simonet, vereador local, ao Diario de Mallorca.

“[As intervenções] permitiram um melhor controle da bactéria, fato que favorece a conservação das oliveiras silvestres em boas condições e ajuda a proteger o resto da ilha e as plantações de oliveiras contra o avanço da Xylella fastidiosa”, acrescentou.

Embora as primeiras infecções por Xylella fas­tidiosa tenham sido identi­fi­cas no início de 2024, a bactéria foi detectada in­i­tial­mente nas Ilhas Baleáricas em novembro de 2016.

Um surto múltiplo de Xylella fastidiosa na Comunidade Valenciana é o único outro foco ativo no país.

Em abril de 2024, as autoridades fitossanitárias locais relataram que a bactéria havia infectado 26 espécies de plantas, mas nenhuma oliveira. Elas também identificaram três insetos vetores, incluindo o percevejo-dos-prados, que se alimenta de azeitonas.

Os surtos anteriores de Xylella fastidiosa na Comunidade de Madrid e em Almería, em 2018, foram erradicados com sucesso, e as áreas permanecem livres da bactéria.

Além da Espanha e de Portugal, a Xylella fastidiosa foi identificada na França — onde as autoridades afirmaram ser improvável sua erradicação — e na Itália.

Desde que foi identificada pela primeira vez em 2013, a Xylella fastidiosa pauca afetou gravemente a produção de azeite na Apúlia, a região oleícola mais importante da Itália, e contribuiu para o declínio constante das colheitas em relação aos níveis recordes registrados ao longo das décadas de 1990 e 2000.