Estudo revela que a dieta mediterrânea é melhor para o controle do estresse

Pesquisadores dos EUA descobriram que a dieta mediterrânea pode desempenhar um papel significativo no enfrentamento do estresse, em comparação com uma dieta rica em proteínas de origem animal e gordura saturada.

O estresse é uma grande preocupação para praticamente todas as pessoas, tendo um impacto negativo no comportamento, nos relacionamentos pessoais e na produtividade. Pior ainda, o estresse crônico está associado a taxas mais elevadas de mortalidade, pois pode levar a graves riscos à saúde, incluindo diabetes, doença de Alzheimer, obesidade e doenças cardíacas.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Wake Forest, nos Estados Unidos, realizaram um estudo com animais para examinar se o consumo prolongado de uma dieta específica pode ajudar no controle de situações estressantes e, eventualmente, reduzir os efeitos prejudiciais do estresse.

Nosso estudo mostrou que a dieta mediterrânea alterou o equilíbrio em favor do sistema nervoso parassimpático, o que é benéfico para a saúde.– Carol Shively, pesquisadora principal

Uma correlação entre estresse e hábitos alimentares já havia sido identificada por meio de estudos observacionais. O estudo da Wake Forest foi o primeiro estudo pré-clínico de longa duração a examinar os efeitos relacionados ao estresse de diferentes padrões alimentares em um ambiente controlado.

“É muito difícil controlar ou reduzir os fatores estressantes em nossas vidas”, disse Carol Shively, pesquisadora-chefe do estudo. “Mas sabemos que podemos controlar nossa alimentação, e estudos observacionais anteriores sugeriram que um menor nível de estresse percebido está associado a um alto consumo de frutas e vegetais.”

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Os pesquisadores aplicaram dois tipos diferentes de dieta em animais de meia-idade por um período de 31 meses (equivalente a nove anos humanos). As dietas aplicadas foram meticulosamente elaboradas para se assemelharem às dietas humanas: uma de tipo ocidental, rica em proteínas animais e gorduras saturadas, e outra de tipo mediterrâneo, baseada principalmente em proteínas vegetais e frutas.

Durante o estudo, os pesquisadores monitoraram as variações dos sistemas nervosos simpático e parassimpático dos animais, que regulam as funções corporais em situações de estresse, bem como os níveis de cortisol na glândula adrenal — o principal hormônio do estresse, que funciona como um sistema de alarme do corpo em circunstâncias estressantes.

Os resultados da pesquisa, publicados na revista online *Neurobiology of Stress*, mostraram que os animais submetidos à dieta de tipo mediterrâneo tinham maior capacidade de lidar com o estresse e também se recuperavam mais facilmente de situações estressantes prolongadas, em comparação com os animais submetidos à dieta de tipo ocidental. Além disso, o envelhecimento do sistema nervoso simpático dos animais foi retardado pela dieta de estilo mediterrâneo.

“Nosso estudo mostrou que a dieta mediterrânea alterou o equilíbrio em favor do sistema nervoso parassimpático, o que é benéfico para a saúde”, disse Shively. “Em contrapartida, a dieta ocidental aumentou a resposta simpática ao estresse, o que é como ter o botão de pânico ligado o tempo todo – e isso não é saudável.”

Os pesquisadores observaram que a adesão à dieta mediterrânea pode reduzir os efeitos adversos do estresse sobre a saúde, especialmente em populações como a americana, que tem relatado alguns dos níveis mais altos de estresse percebido em todo o mundo.

“Infelizmente, os americanos seguem uma dieta rica em proteína animal, gordura saturada, sal e açúcar; por isso, queríamos descobrir se essa dieta piorava a resposta do corpo ao estresse em comparação com a dieta mediterrânea, na qual grande parte da proteína e da gordura provém de fontes vegetais”, afirmaram os pesquisadores.

“Nossas descobertas sugerem que a adoção, por toda a população, de um padrão alimentar semelhante ao mediterrâneo pode constituir uma intervenção econômica contra o estresse psicológico e promover um envelhecimento saudável, com potencial para eficácia generalizada.”