Novos recursos para pesquisas sobre demência e a dieta mediterrânea

Pesquisadores da Universidade de Swinburne receberam financiamento para continuar investigando as ligações identificadas entre a adesão à dieta mediterrânea e a redução do risco de demência.

Pesquisadores australianos receberam cerca de 1,8 milhão de dólares australianos (US$ 1,2 milhão) em financiamento do Conselho Nacional de Pesquisa Médica e de Saúde (NHMRC) do país, o que lhes permitirá dar continuidade a um estudo em andamento sobre a eficácia da dieta mediterrânea e da prática de exercícios físicos na prevenção do aparecimento da demência.

O ensaio clínico da Universidade de Swinburne, que será liderado por Andrew Pipingas, investigará as razões subjacentes às quais a adesão à dieta mediterrânea e a um programa regular de exercícios físicos poderia reduzir o declínio cognitivo e se tornar uma ferramenta eficaz para prevenir a demência.

Como é extremamente difícil encontrar uma cura e tratar aqueles que se encontram nos estágios finais da doença, concentrar nossos esforços em ajudar as pessoas em risco de desenvolver demência a se manterem saudáveis é uma maneira de garantir que os australianos continuem bem no futuro. — Andrew Pipingas, pesquisador da Universidade de Swinburne

Pipingas acredita que a pesquisa poderá fornecer respostas sobre como ajudar os idosos a se manterem saudáveis e desfrutarem de uma boa qualidade de vida.

“Como é extremamente difícil encontrar uma cura e tratar aqueles que se encontram nos estágios finais da doença, concentrar nossos esforços em ajudar as pessoas em risco de desenvolver demência a se manterem saudáveis é uma maneira de garantir que os australianos continuem bem no futuro”, disse ele em um comunicado à imprensa.

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A equipe também avaliará a relação custo-benefício da intervenção, que deve reduzir tanto os encargos sociais quanto os econômicos associados aos cuidados com a demência em uma população idosa em crescimento.

“Estamos buscando economizar potencialmente bilhões de dólares para o setor de saúde”, disse Pipingas. “A questão da demência continuará sendo um grande desafio à medida que enfrentamos o envelhecimento da população, com até AUD$ 1 trilhão (US$ 690 bilhões) sendo gastos no tratamento da demência nos próximos 40 anos.”

O financiamento permitirá que a Swinburne e suas instituições parceiras australianas e internacionais ampliem um estudo anterior, que se concentrou em como a dieta mediterrânea afetava o cérebro ao longo do tempo.

Esse estudo revelou que seguir uma dieta mediterrânea melhorava a cognição, retardava o declínio cognitivo e poderia potencialmente prevenir o desenvolvimento da doença de Alzheimer.

O autor principal, Roy Hardman, analisou os resultados de 135 estudos sobre os efeitos positivos da dieta mediterrânea e descobriu que os benefícios não se limitavam aos participantes que viviam na região do Mediterrâneo, mas também eram desfrutados por residentes de vários países ao redor do mundo.

Hardman concluiu que a dieta mediterrânea, rica em verduras folhosas, frutas e vegetais frescos, cereais, feijões, sementes, nozes e leguminosas, com azeite de oliva como principal fonte de gordura, resultou em melhor atenção, memória e linguagem. Efeitos particularmente positivos na memória incluíram reconhecimento retardado, memória de longo prazo e de trabalho, função executiva e construções visuais.

Verificou-se que, quando o azeite era a principal fonte de gordura na dieta, os perfis lipídicos sofriam alterações que poderiam ajudar a manter um peso saudável e, potencialmente, reduzir a obesidade. O azeite também foi associado à melhoria dos polifenóis no sangue e ao aumento do metabolismo energético celular.

Hardman associou a Dieta Mediterrânea, com suas quantidades limitadas de carne vermelha e laticínios, à redução de alguns dos fatores de risco modificáveis. Isso incluiu o aumento de micronutrientes e a correção de desequilíbrios vitamínicos e minerais.

A próxima fase do estudo examinará os efeitos cognitivos da Dieta Mediterrânea em mais de 100 australianos com idades entre 60 e 90 anos que vivem de forma independente em instituições de cuidados para idosos e são considerados mentalmente saudáveis, e a bolsa de AUD$ 1.772.616 (1.228.201 dólares) será distribuída ao longo de quatro anos.

A equipe da Swinburne contará com o apoio da Universidade da Austrália do Sul, da Universidade La Trobe, da Universidade Deakin, da Universidade Murdoch, da Universidade Sheffield Hallam e da Universidade de East Anglia.

Em 2017, pesquisadores da Universidade de Louisiana-Monroe descobriram que o oleocanthal, um composto encontrado no azeite de oliva extravirgem, era eficaz na prevenção da doença de Alzheimer em camundongos e tinha potencial para se tornar um suplemento alimentar eficaz no combate à demência.