Um composto fenólico presente no azeite de oliva extravirgem pode ser benéfico para a doença de Parkinson
Um novo estudo descobriu que o tirosol retardou a neurodegeneração e contribuiu para um aumento da expectativa de vida em vermes, reduzindo o estresse oxidativo e induzindo a expressão de diversos genes protetores.
Um novo estudo publicado na revista *Neurobiology of Aging* sugere que o tirosol, um composto fenólico encontrado no azeite de oliva extravirgem, poderia ter potencial para se tornar um composto nutracêutico para a doença de Parkinson, trazendo esperança de um novo tratamento para os cerca de 10 milhões de pessoas em todo o mundo que sofrem dessa condição neurológica progressiva.
O estudo pioneiro, realizado por pesquisadores da Universidade de Jaén e do Instituto Bellvitge de Pesquisa Biomédica, examinou os efeitos do tirosol em vermes Caenorhabditis elegans com várias formas de parkinsonismo.
A equipe de pesquisa descobriu que os vermes tratados com tirosol tiveram uma expectativa de vida significativamente mais longa, de cerca de 21,33 dias, em comparação com os vermes não tratados, cuja expectativa de vida média foi de apenas 18,67 dias.
Veja também: Benefícios do azeite de oliva para a saúdeOs pesquisadores concluíram que o tirosol retardou a neurodegeneração nos vermes e reduziu o estresse oxidativo. Ele também pareceu induzir a expressão de diferentes genes protetores em uma forma específica de parkinsonismo.
Também foi observado que os vermes tratados com tirosol apresentavam 80% dos neurônios dopaminérgicos intactos às duas semanas de idade, em comparação com apenas 45,33% nos vermes não tratados. Essa foi uma descoberta importante, pois a perda desses neurônios é uma característica marcante da doença de Parkinson.
Observou-se também que o tratamento com tirosol reduziu significativamente os níveis de moléculas associadas a danos no DNA e nas estruturas celulares. Enquanto os vermes não tratados apresentavam uma média de 124,5 dessas moléculas, os tratados com tirosol apresentaram uma média muito menor, de cerca de 12,06. Esses números sugeriram que o tratamento com tirosol havia sido eficaz na redução da neurodegeneração.
Os resultados gerais sugeriram que o tratamento com tirosol teve um efeito antioxidante eficaz nos vermes do estudo, com o tratamento aumentando significativamente a expressão de algumas proteínas; incluindo proteínas de choque térmico, conhecidas por ajudar as células a se protegerem contra danos.
O tratamento com tirosol também reduziu substancialmente o número de aglomerados da proteína alfa-sinucleína (um indicador da doença de Parkinson) para 22,63 por verme nas criaturas tratadas, em comparação com 58,72 por verme nas não tratadas.
Embora tenha sido observado que a capacidade dos vermes tratados de se moverem de forma independente era significativamente melhor no nono dia de vida, em nenhum outro momento houve uma diferença notável. Também foi relatado que tanto os vermes tratados quanto os não tratados desenvolveram paralisia ao atingirem 11 dias de idade.
Em um estudo anterior realizado pela mesma equipe de pesquisa, descobriu-se que o tirosol retardava o envelhecimento, aumentava a expectativa de vida e reduzia os marcadores de estresse celular nos vermes. Esse estudo inspirou a equipe a investigar se o fenol poderia ser benéfico para condições neurodegenerativas, particularmente a doença de Parkinson.
Em 2016, o Olive Oil Times publicou um estudo que constatou que os fenóis presentes no azeite de oliva extravirgem proporcionavam benefícios antioxidantes e anti-inflamatórios ao cérebro e ofereciam atividade neuroprotetora contra doenças como o Parkinson e o Alzheimer.
Os efeitos benéficos do azeite de oliva extravirgem têm sido atribuídos aos seus altos níveis de antioxidantes e ácidos graxos monoinsaturados, com o tirosol, em particular, sendo reconhecido por suas propriedades antioxidantes.