Uruguai prevê recuperação da safra

As boas condições climáticas e uma frutificação promissora indicam uma recuperação da safra no Uruguai. Embora a produção deste ano venha a superar o total de 2024, provavelmente será inferior à de 2023.

Após uma colheita decepcionante em 2024, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca do Uruguai espera que a produção de azeite de oliva se recupere em 2025.

De acordo com dados preliminares do setor privado, o Uruguai produziu 614 toneladas métricas de azeite em 2024, cerca de um terço do rendimento total em 2023 e 63% abaixo da média de cinco anos.

O Brasil e os Estados Unidos são as grandes apostas do setor para o azeite extravirgem… No caso do Brasil, há a entrada preferencial concedida pelo Mercosul e a proximidade geográfica. — María Noel Ackermann, economista, Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca

Os efeitos da seca histórica que o país sofreu em 2023 refletiram-se nos resultados de uma colheita bastante reduzida em 2024”, escreveu María Noel Ackermann, economista do escritório de programação e política agrícola do ministério, em um relatório anual sobre a safra.

No entanto, Noel Ackermann descreveu as perspectivas para a safra de 2025 como auspiciosas”, após um inverno chuvoso e temperaturas amenas na primavera terem resultado em uma boa frutificação.

Veja também: Países da Europa e da América do Sul assinam controverso acordo de livre comércio

As perspetivas para 2025, com melhores condições meteorológicas por enquanto, são auspiciosas, com uma floração adequada e uma frutificação promissora”, escreveu ela.

Vários produtores, incluindo os maiores do país, confirmaram ao Olive Oil Times que a colheita de 2025 será muito melhor do que a de 2024, mas provavelmente não atingirá as 2.047 toneladas produzidas em 2023.

O aumento da produção – o Uruguai produziu quase sete vezes mais azeite de oliva anualmente nos últimos cinco anos em comparação com os cinco anos anteriores – foi acompanhado por um aumento no consumo.

O consumo estimado de azeite de oliva e de óleo de bagaço de azeitona no Uruguai ficou em média em torno de 1.800 toneladas nos últimos três anos, um pouco mais de meio litro per capita”, escreveu Noel Ackermann. Uma tendência de crescimento é evidente numa perspectiva de médio prazo, considerando que o consumo nacional era de cerca de 1.400 toneladas há uma década.”

A produção local representa agora uma parcela cada vez maior do consumo uruguaio, respondendo por cerca de metade das vendas nacionais de azeite.

Cerca de metade da produção nacional é vendida por meio de atacadistas e supermercados, com 30% vendidos diretamente ao consumidor e outros 19% vendidos como produtos de marca branca.

Azeite de marca branca

O azeite de marca branca é produzido por uma empresa, mas vendido sob a marca de outra empresa, permitindo que varejistas ou distribuidores o comercializem como seu próprio produto. A prática é comum entre grandes varejistas e redes de supermercados.

Como em todos os outros lugares, as safras globais ruins nos anos de 2022/23 e 2023/24 fizeram com que os preços do azeite de oliva subissem no Uruguai.

Dados do Instituto Nacional de Estatística revelaram que os preços do azeite no varejo aumentaram 23% em 2023 e 15% nos primeiros dez meses de 2024.

Mudanças no comportamento do consumidor, voltadas para alimentos mais saudáveis, naturais, seguros e de alta qualidade, oferecem possibilidades para um maior desenvolvimento do setor no futuro”, escreveu Noel Ackermann.

A combinação de safras ruins em grande parte do mundo produtor de azeite e uma produção doméstica relativamente forte nos últimos anos resultou na perda de participação de mercado dos azeites importados no Uruguai.

De acordo com o ministério, as importações uruguaias de azeite de oliva e de óleo de bagaço de azeitona atingiram 695 toneladas em 2023, uma redução de 20% em relação ao ano anterior.

Nos primeiros dez meses de 2024, o Uruguai importou 552 toneladas de azeite de oliva, uma queda de 9% em relação ao mesmo período de 2023.

Noel Ackermann afirmou que o contínuo declínio nas importações, apesar de uma safra muito baixa em 2024, indicava que o consumo havia caído, provavelmente devido aos preços mais altos.

Apesar da queda nos volumes, as importações de azeite de oliva, em valor, atingiram US$ 4,5 (€ 4,37) milhões nos primeiros dez meses de 2024, um aumento de 28% em relação ao mesmo período de 2023.

A maior parte das importações uruguaias de azeite, em valor, veio da Argentina, 37%, que ganhou participação de mercado nos dois anos anteriores devido às safras ruins na Espanha e na Itália. As importações dos dois países europeus representaram 35% e 23%, respectivamente.

O aumento da produção também levou a um aumento nas exportações de azeite, espec­ifi­ca­mente para o vizinho Brasil.

De abril de 2023 a março de 2024 (ano comercial de 2023/24 no Uruguai), as exportações atingiram 638 toneladas, avaliadas em US$ 4,5 milhões, um aumento de 20% no volume vendido e de 87% na receita gerada. Oitenta por cento das exportações foram de azeite extravirgem, sendo o restante de azeite virgem.

No entanto, esses números serão drasticamente menores para o ano comercial de 2024/25. De abril a outubro, os produtores uruguaios exportaram 52 toneladas de azeite, uma queda de 88% em relação ao mesmo período do ano anterior, no valor de US$ 608.000 (€ 590.000).

Enquanto praticamente todo o azeite virgem foi exportado para a Espanha para ser misturado e reexportado, dois terços das exportações de azeite extravirgem foram para o Brasil, seguido pela Espanha, pelos Estados Unidos e pela Argentina.

“O Brasil e os Estados Unidos são as grandes apostas do setor para o azeite extravirgem”, escreveu Noel Ackermann. Esses países são grandes importadores globais, com consumo em expansão e produção que não consegue satisfazer a demanda local.”

No caso do Brasil, há a entrada preferencial concedida pelo Mercosul e a proximidade geográfica, o que determina custos de transporte mais baixos”, concluiu ela. Os Estados Unidos são atraentes porque são o mercado que paga melhor pelo produto (no ano passado, ele foi vendido a mais de US$ 8.000 (€ 7.760) FOB por tonelada).”