Amazônia registra a maior taxa de desmatamento em 15 anos

O desmatamento na Amazônia aumentou 21% entre 2020 e 2021 e é mais do que o dobro do que era há uma década.

A Floresta Amazônica é a maior do mundo e uma parte essencial do ecossistema global.

Conhecidas por sua exuberante biodiversidade, as florestas tropicais desempenham um papel fundamental nos ciclos climáticos, na regulação da umidade e no sequestro de emissões de carbono.

O desmatamento continua a dominar nossas emissões, com uma tendência de aumento justamente no ano em que o Brasil deveria começar a cumprir as metas do Acordo de Paris sobre o Clima.– Tasso Azevedo, pesquisador do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa

No entanto, grandes áreas da floresta tropical são desmatadas todos os anos. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) do Brasil, houve um aumento de 22% nas taxas de desmatamento na Amazônia de 2020 a 2021, as taxas mais altas dos últimos 15 anos.

Nos primeiros 10 meses de 2021, o desmatamento na Amazônia atingiu 13.200 quilômetros quadrados, uma área ligeiramente menor que Montenegro ou Connecticut.

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Novos dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) e do Observatório do Clima também mostram que o Brasil gerou emissões nacionais brutas de 2,16 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente. Em comparação com os 1,97 bilhão de toneladas em 2019, esses números alarmaram muitos especialistas em clima.

Estima-se que a destruição da floresta amazônica seja responsável pelo aumento de 9,5% nos gases de efeito estufa registrado em 2020 pelo Observatório do Clima e represente o maior nível de emissões do país desde 2006.

“O desmatamento continua a dominar nossas emissões, com uma tendência de alta justamente no ano em que o Brasil deveria começar a cumprir as metas do Acordo Climático de Paris”, disse Tasso Azevedo, especialista em clima que coordena o estudo do SEEG.

O Acordo Climático de Paris, que estipula a necessidade de manter o aumento da temperatura global abaixo de 2 ºC, foi aprovado em 2015 e conta com o apoio de 200 países.

O relatório de 2019 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas sobre uso da terra afirmou que proteger e restaurar as florestas tropicais é “urgente”, uma palavra que a organização usa com moderação.

O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) estima que 17% da Amazônia foram destruídos nos últimos 50 anos, principalmente devido à expansão da pecuária.

As projeções do INPE para o próximo ano indicam que o desmatamento continuará, à medida que as vendas de madeira disparam e o desmatamento ilegal continua a representar uma ameaça às regulamentações governamentais sobre o corte.

Apesar das tentativas do presidente brasileiro Jair Bolsonaro de minimizar a realidade da destruição, os danos não são difíceis de perceber. Imagens do satélite Aqua da NASA demonstram a perda constante de florestas desde 2010.

Bolsonaro assumiu o cargo em 2019 e priorizou a economia em detrimento do meio ambiente. Ele afirma que as alegações de desmatamento são exageradas e garantiu que 90% da Amazônia ainda está preservada.

Alguns ativistas temem que Bolsonaro e seus aliados possam resolver os problemas políticos gerados pelo desmatamento ilegal legalizando-o.

“Se todo desmatamento for legal, então você terá zerado o desmatamento ilegal com bastante sucesso”, disse Suely Araújo, especialista sênior em políticas públicas do Observatório do Clima, uma coalizão da sociedade civil focada nas mudanças climáticas.

Bolsonaro também tem afirmado consistentemente que a Amazônia pertence ao Brasil, ignorando as várias áreas que pertencem aos povos indígenas que vivem na Amazônia desde tempos imemoriais.

Ele nega qualquer ameaça à população indígena de mais de 800 mil pessoas e aos 450 territórios associados em todo o Brasil. Quando questionado na Assembleia Geral das Nações Unidas, Bolsonaro rejeitou as alegações de danos e criticou o que chamou de “reportagens sensacionalistas”.

“Usando e recorrendo a essas falácias, certos países, em vez de ajudar… comportaram-se de maneira desrespeitosa e com espírito colonialista”, disse ele. “Chegaram até a questionar aquilo que consideramos nosso valor mais sagrado – nossa soberania.”

Apesar da falta de urgência com que Bolsonaro abordou a questão, ativistas climáticos receberam alguma esperança com a conclusão da cúpula climática COP26 em novembro de 2021.

As florestas do mundo estiveram na vanguarda da discussão global, com delegados de 133 países assinando um acordo para reverter o desmatamento até 2030. O delegado do Brasil estava entre os representantes que se comprometeram com a restauração florestal global.

Mais esperança para os opositores do presidente brasileiro pode surgir em outubro de 2022. Há rumores de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciará formalmente sua candidatura à presidência em março, com uma pesquisa recente dando a ele uma vantagem de 27 pontos sobre o atual presidente.

Lula governou o Brasil de 2003 a 2010. Sob seu governo, o desmatamento na floresta amazônica diminuiu substancialmente. Entre as atuais bandeiras de campanha de Lula está o objetivo de restabelecer o Brasil como uma voz de liderança em questões ambientais.

“Juntamente com a União Europeia, nós [a América do Sul] poderíamos formar um bloco econômico, um bloco com posições políticas semelhantes, com visões ambientais semelhantes, para enfrentar os dois gigantes… os Estados Unidos e a China”, disse ele em um comício recente.