Província paquistanesa de Punjab anuncia plano para plantar 50 milhões de oliveiras

O anúncio faz parte de uma iniciativa mais ampla no Paquistão para desenvolver a produção de azeite de oliva em escala comercial, a fim de atender à demanda local e à exportação.

O governo da província paquistanesa do Punjab confirmou os planos de plantar 50 milhões de oliveiras em quatro milhões de hectares até 2026.

Os esforços de cultivo se concentrarão nos distritos de Chakwal, Attock e Mianwali, conhecidos por suas condições favoráveis de solo e clima.

A inici­a­tiva faz parte de uma estrá­te­gia mais ampla para reduzir a de­pen­dência do Paquistão de óleos comestíveis importados, a­mel­orar o poder de renda rural e dire­cionar parte da pro­dução agrí­cula para uma cultura mais to­le­rante à seca.

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De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o Paquistão consumiu 4,41 milhões de toneladas métricas de óleos comestíveis na safra de 2023/24, das quais 3,19 milhões de toneladas foram importadas.

O cultivo da azeitona é cada vez mais visto como uma cultura estratégica capaz de reduzir o déficit comercial do país — que atingiu US$ 5,4 (€ 5,27) bilhões em outubro de 2024 — e criar uma nova fonte de receita externa por meio das exportações.

O Paquistão possui 80 milhões de oliveiras silvestres e 5,6 milhões de oliveiras cultivadas, com 500.000 e 800.000 novas árvores plantadas anualmente.

A produção de azeite do país deve atingir entre 160 e 180 toneladas métricas na safra de 2024/25, representando um aumento de 20% em relação à safra anterior.

Em 2022, ano em que o Paquistão aderiu ao Conselho Oleícola Internacional (COI) como seu 19º membro, o país exportou com sucesso azeite virgem e extravirgem no valor de US$ 1,9 (€ 1,8) milhão.

Estamos trabalhando em certificações internacionais, como as da União Europeia e da Ásia, para podermos exportar os produtos internacionalmente”, disse Muhammad Azeem Tariq, gerente de projetos da Loralai Olives, ao Olive Oil Times em uma entrevista em dezembro de 2024.

Este ano foi notável para a indústria da azeitona”, acrescentou ele. “Vimos um aumento, não apenas na produção de frutos, mas também na paixão dos agricultores pela produção de azeitonas.”

Juntamente com os esforços no Punjab, o governo nacional planeja plantar mais oliveiras em Khyber-Pakhtunkhwa, especialmente no distrito de Hazara e no Baluchistão.

No Simpósio Internacional do Azeite, realizado em Madri no mês passado, Azeem Tariq observou que a priorização do cultivo da oliveira no Paquistão se baseia nas inúmeras vantagens associadas à cultura.

Ele argumentou que as oliveiras são par­ti­cu­lar­me­n­te bem-a­da­ptadas às con­di­ções clí­ma­ticas do Paquistão, uma vez que re­quei­rem signific­a­tiv­a­me­n­te menos água do que cult­ura­s tra­di­cionais, como o trigo e o arroz.

Essa car­ac­te­ris­ti­ca torna as a­mei­xas uma escolha ótima para uma região que fre­qu­en­te­mente sofre com a escassez de água. Além disso, o cultivo da oliveira tem o potencial de melhorar a saúde do solo e mitigar a erosão, contribuindo para a sustentabilidade agrícola a longo prazo.

Por outro lado, a olivicultura é vista como uma cultura estratégica em áreas subdesenvolvidas para proporcionar uma vida melhor aos agricultores rurais empobrecidos e dissuadi-los de se juntarem a grupos terroristas, incluindo a Al-Qaeda, que permanecem ativos no norte do país.

O governo paquistanês pretende oferecer apoio abrangente aos agricultores interessados no cultivo de oliveiras.

Esse apoio incluirá o fornecimento de mudas de alta qualidade, assistência técnica e programas de treinamento destinados a garantir o manejo eficaz das culturas.

Incentivos financeiros e subsídios também estarão disponíveis para incentivar os agricultores a fazer a transição para a olivicultura.

O obje­ti­vo ge­ne­ral é es­ta­bi­li­zar uma cadeia de su­pri­mento robusta para fa­ci­li­tar a pro­du­ção, o engarraf­a­mento e a comercial­i­za­ção lo­cais de azei­te.