Colheitas fracas levam a maior vigilância no Canadá
A Agência Canadense de Inspeção Alimentar está alertando os consumidores para que fiquem atentos a azeites de oliva com rótulos fraudulentos, tendo em vista a fraca safra europeia deste ano.
A Agência Canadense de Inspeção Alimentar (CFIA) prevê um aumento nas vendas de azeites de qualidade inferior após a colheita decepcionante na Itália e em outras regiões nesta temporada.
Em abril, a CFIA dará início a uma investigação de 12 meses para identificar produtos de azeite que possam ter sido adulterados com óleos mais baratos, como óleo de amendoim ou de girassol.
Veja também: Fraude no azeiteAs colheitas de azeite na Itália, Grécia e Portugal foram prejudicadas nesta temporada, em grande parte devido às mudanças climáticas e aos efeitos devastadores do patógeno Xylella fastidiosa na Itália. A colheita italiana está no nível mais baixo dos últimos 25 anos e especialistas alertaram que o país mediterrâneo pode ficar sem azeite já em abril.
A CFIA realizou um programa há dois anos, que não detectou nenhum sinal de fraude com azeite de oliva. No entanto, o governo canadense decidiu conduzir outra investigação este ano, tendo em vista a fraca colheita europeia.
Se um inspetor da CFIA suspeitar que um determinado azeite possa estar com rótulo fraudulento, ele ou ela pode solicitar um teste de laboratório. Se os resultados forem positivos, o produto poderá precisar ser reetiquetado, retido ou recolhido das prateleiras das lojas, e os infratores poderão ser processados.
Uma lei de rastreabilidade obrigatória aprovada em janeiro exige que qualquer pessoa que venda um produto alimentício conheça a origem dos ingredientes.
Além de enganoso, o azeite com rotulagem incorreta pode representar um risco de alergênicos se tiver sido misturado com óleo de amendoim ou outros ingredientes não listados.
Depois de comprado, o sabor e o cheiro do azeite podem ser outros indicadores de qualidade. Se o azeite parecer excepcionalmente barato, isso deve levantar suspeitas.
Em 2017, o Brasil constatou que 64% das amostras de azeite analisadas nos dois anos anteriores não atendiam aos padrões de rotulagem. Descobriu-se que as empresas haviam adulterado o azeite com óleos mais baratos, como óleo de soja e óleo lampante, que não é considerado adequado para consumo humano.
Um teste realizado no ano passado pela Organización de Consumidores y Usuarios, da Espanha, constatou que metade dos azeites nacionais comercializados como extravirgens não atendiam aos padrões.
Embora a América do Norte tenha registrado casos de azeite fraudulento no passado, o especialista em alimentos da Dalhousie, Sylvain Charlebois, disse à Global News que prevê que, pelo menos no Canadá, esses números estejam diminuindo devido ao aumento dos testes da CFIA.