Pesquisadores desenvolvem técnicas de RMN mais baratas e eficazes para analisar o azeite de oliva
Com apenas uma gota de azeite, os pesquisadores determinaram a classificação de amostras de azeite não identificadas com uma taxa de sucesso de 95%.
Um novo método para autenticar e determinar a origem de amostras de azeite é o tema de uma pesquisa recente publicada na revista *Science of Food*.
Uma equipe de pesquisadores internacionais conseguiu verificar com sucesso o grau de amostras de azeite de oliva não identificadas usando uma única gota e um equipamento de bancada.
De acordo com os pesquisadores, seu método de ressonância magnética nuclear (RMN) é mais barato e simples do que outros métodos, uma vez que não requer grandes instalações nem um ambiente de laboratório. Além disso, a operação do equipamento não exige um técnico altamente qualificado e dedicado.
Veja também: Processo de autenticação química pode verificar a origem do azeiteOs cientistas observaram que a nova abordagem também é mais rápida do que outros métodos, já que as minúsculas amostras de azeite não precisam de pré-tratamento antes da análise.
Em seus testes, os cientistas utilizaram a técnica para validar a autenticidade do azeite de oliva extravirgem e verificar azeites de oliva virgens e alguns azeites de oliva refinados. As amostras de azeite de oliva foram coletadas em Braga, Portugal, e por meio de canais de venda online.
O novo método permitiu aos pesquisadores identificar corretamente 95 dos 100 tipos de amostras de azeite. O resultado é significativamente superior ao de outros métodos, como a espectroscopia no infravermelho próximo (84 em 100) e a espectroscopia ultravioleta-visível (73 em 100).
Os autores afirmaram que as abordagens tradicionais de RMN são afetadas por várias desvantagens, como “gases de resfriamento criogênicos caros e etapas complicadas de pré-análise”.
Eles acrescentaram que nenhum dos métodos anteriores “é simples de usar, [todos] exigem preparação mínima da amostra, nem apresentam tempo de resposta curto”.
Mais especificamente, o novo método utiliza a relaxometria por RMN, um método comprovado para comparar rapidamente as microestruturas de amostras de azeite com referências conhecidas.
A análise tem como objetivo identificar as menores diferenças entre amostras de azeite, como sua composição físico-química ou microambiente molecular. Essas diferenças induzem mudanças substanciais no mecanismo de relaxamento, permitindo uma detecção precisa.
Os pesquisadores também acreditam que sua abordagem pode ser usada para identificar produtos de azeite de oliva com base nas regiões de origem.
O novo método leva em conta distinções genotípicas, ambientais e agrícolas para ajudar a localizar a origem da amostra usando um conjunto de dados específico de características do azeite de oliva comumente utilizadas nessas análises.
Graças às técnicas de aprendizado de máquina, o novo método foi projetado para melhorar seu desempenho ao longo do tempo, à medida que mais amostras são analisadas e comparadas.
Recentemente, a RMN tem sido usada para medir compostos fenólicos no azeite de oliva extravirgem, identificar misturas de azeite de oliva e discernir os processos de transformação aplicados ao produto. Várias aplicações industriais de diferentes métodos de RMN estão disponíveis no mercado.
Devido à comprovada capacidade da RMN de identificar polifenóis, o Conselho Oleícola Internacional estava considerando incluir o método como uma forma de os produtores identificarem seu azeite como extra-virgem nos rótulos.