Empresário do setor agrícola tem os olhos voltados para o setor de azeite de oliva do Brasil

O fundador da Azeite Batalha está empenhado em promover a produção de azeite no Rio Grande do Sul e o consumo em todo o Brasil.

Uma das regiões brasileiras mais importantes para a produção de vinhos de alta qualidade é também o berço de alguns dos melhores azeites extravirgens do mundo.

A Campanha Gaúcha está localizada no Rio Grande do Sul, o estado mais ao sul do Brasil e, de longe, o maior produtor de azeite do país.

Como nosso foco é a qualidade do azeite extravirgem, observamos uma melhoria progressiva devido a melhores técnicas de colheita, ajustes nos equipamentos e ao conhecimento e treinamento de nossos funcionários.– Luiz Eduardo Batalha, proprietário, Azeite Batalha

A Azeite Batalha está entre os principais produtores do Brasil, cultivando oliveiras em mais de 500 hectares no paralelo 31.

As marcas Black e Intenso da empresa, ambas blends médios, conquistaram dois prêmios de ouro no Concurso Mundial de Azeite NYIOOC 2022, o maior concurso de qualidade de azeite do mundo, pelo segundo ano consecutivo.

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“[Isso] é uma confirmação de que estamos no caminho certo, e é por isso que submetemos nossos azeites extravirgens à avaliação dos especialistas”, disse o proprietário Luiz Eduardo Batalha ao Olive Oil Times.

“Sentimos muito orgulho de que nossos azeites sejam reconhecidos como alguns dos melhores do mundo. E isso é ainda mais relevante no Brasil, que não tem uma longa tradição na cultura do olivado”, acrescentou. “Oito anos após nossa primeira colheita, já conquistamos mais de 40 prêmios internacionais.”

Batalha observou que esses prêmios serviram como uma confirmação independente de seu trabalho de alta qualidade e também melhoraram o perfil da empresa entre seus clientes.

Luiz Eduardo Batalha

Luiz Eduardo Batalha

Antes de plantar suas primeiras oliveiras, Batalha já tinha uma longa trajetória como empresário, com diversos empreendimentos nos setores de turismo, manufatura e agricultura.

Em 1973, a família Batalha comprou sua primeira fazenda no estado de São Paulo para iniciar uma plantação de café. Posteriormente, começaram a criar cavalos Mangalarga e a exportá-los para a Europa e os Estados Unidos.

Em 1976, Batalha decidiu tentar a sorte no turismo, construindo um resort. Um ano depois, fundou uma empresa de construção e loteamento e, em seguida, lançou um empreendimento de pecuária de sucesso em Minas Gerais e Mato Grosso.

“Estamos no ramo agrícola há cinco décadas, mas só começamos a cultivar oliveiras em Pinheiro Machado em 2010”, disse Batalha.

Pinheiro é um dos povoados mais antigos na extremidade sul da Campanha Gaúcha. É conhecido por sua paisagem montanhosa e clima oceânico temperado, com temperaturas médias entre 7 ºC e 28 ºC.

“Esta região é conhecida por ter um dos melhores terroirs do Brasil e é famosa por suas vinhas”, disse Batalha. “Aqui, encontramos o clima e o solo perfeitos para o cultivo de oliveiras.”

Batalha investiu em maquinário moderno em sua busca pela qualidade e fundou moinhos de azeite de última geração.

“Importamos os equipamentos da Pieralisi, da Itália, considerada uma das melhores do mundo”, disse ele. Batalha acrescentou que fundou duas fazendas distintas, cada uma com seu próprio lagar, para reduzir o tempo entre a colheita e a transformação.

Foto: Igor Jacarini

Foto: Igor Jacarini

“Graças a esses dois moinhos, conseguimos promover o cultivo de oliveiras na região e, ao mesmo tempo, garantir que outros agricultores locais pudessem contar com um moinho de alta qualidade para transformar suas azeitonas”, disse ele.

“Estamos muito focados no desenvolvimento de oportunidades para a região”, acrescentou Batalha. “Contamos com um ótimo relacionamento com os outros agricultores e algumas parcerias institucionais em andamento com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e algumas universidades cujos pesquisadores realizam testes e análises em nossos olivais.”

“Em 2021, fomos responsáveis pelo processamento de aproximadamente metade do azeite produzido no Brasil”, continuou ele.

Na safra 2021/22, o Brasil produziu cerca de 140 toneladas de azeite, sendo 90 toneladas produzidas no Rio Grande do Sul.

A fazenda de Batalha conta com aproximadamente 140 mil oliveiras, principalmente das variedades Arbequina, Arbosana, Koroneiki, Picual, Coratina e Frantoio.

Olive trees stand in a field, with rolling hills covered in rows of olive groves in the background.

“Visitamos constantemente os olivais e ficamos atentos às necessidades das árvores em termos de qualidade do solo, pulverização, poda, espaçamento e todos os outros aspectos agrícolas que possam afetá-las”, disse Batalha.

A maioria das oliveiras é relativamente jovem. Como resultado, espera-se que a produtividade aumente no futuro. Batalha acrescentou que os volumes de produção aumentam à medida que ele se torna um olivicultor mais experiente e aprende mais sobre as árvores.

“Esperamos que 2023 seja nosso ano recorde de produção”, disse ele. “Temos oliveiras de 11 anos produzindo até 120 quilos de azeitonas.”

O rendimento médio de azeite processado nos últimos anos para a Azeite Batalha tem sido de 12%.

“Os rendimentos das azeitonas variam significativamente dependendo da cultivar”, disse ele. “Como nosso foco é a qualidade do azeite extravirgem, observamos uma melhoria progressiva devido a melhores técnicas de colheita, configurações de equipamentos e conhecimento e treinamento de nossos funcionários.”

A crate filled with harvested olives sits on the ground among olive trees and tarps.

“Por exemplo, no lagar, sempre realizamos manutenção preventiva e limpeza de todas as nossas máquinas e equipamentos”, acrescentou Batalha. “Temos um técnico de qualidade dedicado a analisar e manter as instalações de processamento, armazenamento e embalagem do azeite em perfeitas condições.”

Cada cultivar é colhida de acordo com suas necessidades específicas, e o azeite resultante é armazenado em tanques de aço inoxidável específicos para cada variedade.

Segundo Batalha, o consumo de azeite no Brasil continuará a crescer. “Vimos mudanças significativas nos últimos anos”, disse ele. “As pessoas estão se tornando mais conscientes dos benefícios para a saúde do consumo de azeite extravirgem e começando a buscar produtos de maior qualidade” com base em suas características organolépticas, cores, aromas e sabores.

“É um processo contínuo”, acrescentou Batalha. “Levará algum tempo para que os brasileiros consigam diferenciar corretamente o azeite de boa qualidade do ruim.”

“Nos últimos dois anos, temos promovido muitas degustações nos pontos de venda e, em breve, lançaremos um blog sobre azeite de oliva em nosso site”, continuou ele. “Também promovemos visitas de grupos aos nossos olivais e moinhos, onde organizamos oficinas sobre o processo de produção do azeite de oliva e oferecemos degustações.”

A modern building sits beside a gravel road at sunset, with orange hues in the sky.

Embora os impactos das mudanças climáticas estejam entre suas preocupações, o agricultor brasileiro disse que sua fazenda está bem posicionada para se adaptar, já que as árvores são muito jovens, pelo menos no curto prazo.

“Se continuarmos a deteriorar nosso meio ambiente e, consequentemente, nosso clima, nossas oliveiras acabarão sofrendo com essas mudanças”, disse ele.

Sempre com espírito empreendedor, Batalha decidiu enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas criando um novo projeto florestal para produzir pellets de madeira para uso como combustível de biomassa.

“Temos que nos concentrar nas coisas que podemos controlar”, disse ele. “No momento, nosso maior desafio é manter as árvores saudáveis e prosseguir com as operações de colheita o mais rápido possível, em sintonia com as capacidades da fábrica.”

“Nosso foco está sempre em melhorar, em treinar nossa equipe, aprimorar nossos equipamentos e atualizar nossas técnicas”, concluiu Batalha.