Produção e exportação de azeite de oliva batem recordes no Uruguai

Em 2019, o Uruguai quadruplicou sua produção de azeite de oliva em relação ao ano anterior. À medida que as árvores atingem a maturidade, é provável que a produção continue apresentando uma tendência de crescimento.

Os produtores de azeite do Uruguai tiveram uma safra recorde em 2019, de acordo com um novo relatório elaborado pelo Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai.

O pequeno país sul-americano produziu 2.775 toneladas de azeite extravirgem, segundo o relatório, um aumento de mais de 360% em relação à média móvel de cinco anos.

O Uruguai entrou em uma nova etapa do seu cultivo de oliveiras devido ao mencionado (cultivo de árvores). Ele superou a barreira de produzir 1.000 toneladas de azeite de oliva anualmente. — Jorge Pereira, sommelier e consultor uruguaio de azeite de oliva

“A safra produtiva de 2019 foi muito superior aos recordes anteriores e chegou a superar as expectativas dos produtores”, afirma o relatório. “As condições climáticas permitiram uma floração muito boa e, consequentemente, uma grande quantidade de frutos, com uma boa qualidade de azeite.”

Além do clima favorável, Jorge Pereira, sommelier e consultor uruguaio de azeite, disse ao Olive Oil Times que muitas oliveiras plantadas na última década estavam apenas agora começando a dar frutos.

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“O aumento da área cultivada no período de 2010 a 2019 quintuplicou, e essas novas oliveiras entraram em produção”, disse ele.

Também se espera que a produção de azeite do Uruguai continue a subir. Anteriormente, o teto de produção ficava em torno de 1.000 toneladas, com as safras de anos de baixa produção caindo para cerca de 500 toneladas. Agora, Pereira espera ver o Uruguai produzindo no mínimo 1.000 toneladas por ano, mesmo em anos de baixa produção.

“O Uruguai entrou em uma nova etapa do seu cultivo de oliveiras devido ao [plantio de árvores] mencionado”, disse ele. “O país superou a barreira de produzir 1.000 toneladas de azeite de oliva anualmente, embora isso ainda esteja longe do esperado para os cerca de três milhões de oliveiras plantadas no país.”

“O que continua a influenciar [as colheitas] são fatores sazonais, como a alternância e a climatologia”, acrescentou Pereira. “Em 2020, devido a fenômenos meteorológicos regionais, especialmente as baixas temperaturas do inverno quando a floração começa, teremos uma produção significativamente menor, mas com esse mínimo de 1.000 toneladas.”



À medida que a produção no pequeno país sul-americano – que abriga pouco menos de 3,5 milhões de pessoas e 22.500 acres de oliveiras – aumentou, o mesmo ocorreu com as exportações. O Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca informou que as exportações se aproximaram de 1.000 toneladas e geraram uma receita de US$ 2,5 milhões.

A Espanha liderou como o maior destino do azeite uruguaio, com cerca de 71% das exportações do país atravessando o Atlântico rumo à Península Ibérica. Os Estados Unidos (24%), o Brasil (4%) e a China (0,5%) foram os quatro destinos seguintes em importância.

Pereira afirmou que as exportações continuariam a crescer junto com a produção. O consumo interno no Uruguai permanece bastante baixo – cerca de 500 mililitros por pessoa por ano –, por isso Pereira considera o crescimento das exportações necessário para a sobrevivência dos 147 produtores do país.

O acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, assinado recentemente, proporcionará aos exportadores uruguaios acesso isento de tarifas a todos os 28 membros da UE, quando entrar em vigor nos próximos anos. Além do mercado já estabelecido da Espanha, os exportadores uruguaios também terão a oportunidade de exportar para os países do norte da Europa, onde a demanda por azeite de oliva cresce de forma constante.

A ameaça de mais tarifas americanas sobre as importações de azeite espanhol também deixará o terceiro maior país consumidor de azeite do mundo na necessidade de buscar novas fontes de importação, com os distribuidores no país já voltando-se para o sul, em direção à vizinha Argentina.

Ambos os desenvolvimentos internacionais representam oportunidades para os produtores uruguaios continuarem a se estabelecer nos dois maiores mercados de exportação de azeite do país.

No entanto, o Brasil e a China podem representar a melhor oportunidade para os produtores uruguaios. Ambos os países pagam substancialmente mais pelos azeites uruguaios. O Brasil paga uma média de US$ 6.376 por tonelada, enquanto a China paga US$ 8.258 por tonelada. Em contrapartida, a Espanha e os Estados Unidos pagam consideravelmente menos: US$ 2.516 e US$ 1.908 por tonelada, respectivamente.

Devido à sua proximidade e ao acesso irrestrito, Pereira acredita que o mercado brasileiro, em rápido crescimento, se tornará o mais importante para os exportadores uruguaios.

“No curto prazo, o grande mercado que pode mudar essa relação nas exportações é o Brasil, que demanda 80 mil toneladas por ano de azeite de oliva”, disse ele. “Devido à proximidade geográfica, preços atraentes e ausência de tarifas alfandegárias, ele se tornará um destino cada vez mais significativo.”

À medida que as exportações cresceram, as importações parecem estar diminuindo. O Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca informou que, de janeiro a outubro, as importações atingiram o menor nível em cinco anos.

Autoridades da Associação Uruguaia de Azeite gostariam que esse número continuasse diminuindo e começaram a promover os azeites nacionais. No entanto, a preferência dos consumidores por azeites importados continua bastante forte.

“O setor produtivo não tem conseguido neutralizar a concorrência dos azeites estrangeiros nem aumentar o consumo interno”, disse Pereira. “A falta de políticas nacionais para valorizar o azeite uruguaio e promover o consumo são tarefas pendentes.”

“Minha avaliação se baseia no fato de que 2019 foi um ano em que o país poderia ter alcançado a autossuficiência no consumo de azeite de oliva”, acrescentou. “No entanto, o Uruguai importou principalmente azeite de oliva da Argentina [e da Espanha] a preços que são o dobro do que obtém com as exportações.”