Antigamente e hoje: a busca da Espanha, em 1930, por um teste para detectar fraudes no azeite de oliva

A terminologia e a ciência mudaram drasticamente desde 1930. A luta para garantir que o azeite corresponda ao que está indicado no rótulo, porém, não mudou.

A série “Antigamente e Hoje” revisita histórias sobre o azeite de oliva extraídas dos arquivos, explorando como o setor mudou e quais desafios persistem.

Há quase um século, a Espanha ofereceu uma recompensa substancial por um método capaz de detectar óleo extraído de resíduos de azeitona em azeites comestíveis. A ciência mudou drasticamente, mas o incentivo para falsificar o conteúdo da garrafa permanece.

Em 1930, a Espanha ofereceu uma generosa recompensa por uma maneira de detectar óleo de bagaço de azeitona em misturas comestíveis.

Em 12 de outubro de 1930, o *The New York Times* noticiou que o governo espanhol estava oferecendo 50.000 pesetas — cerca de US$ 110.000 em dólares americanos atuais — por um método confiável para detectar azeite de oliva refinado misturado ao que o jornal chamava de azeite “puro”.

O breve artigo, intitulado “Combate à fraude no azeite”, descrevia um problema que ainda hoje é reconhecível: um azeite de menor valor poderia ser misturado a um produto mais valioso sem que os compradores soubessem exatamente o que estavam recebendo.

Uma reportagem de quase um século oferece um vislumbre revelador dos problemas que moldaram os testes e a classificação modernos do azeite de oliva. (Ilustração do Olive Oil Times)

Uma reportagem de quase um século oferece um vislumbre revelador dos problemas que moldaram os testes e a classificação modernos do azeite de oliva. (Ilustração do Olive Oil Times)

De acordo com a reportagem, as colheitas abundantes no sul da Espanha às vezes deixavam azeitonas caídas no chão por dias antes que pudessem ser recolhidas. O azeite produzido a partir de frutos deteriorados apresentava alta acidez e outros defeitos, tornando-o impróprio para venda sem refino.

Mas, três dias após a publicação do artigo, uma carta ao editor contestou sua interpretação sobre a concorrência do governo espanhol.

Charles Segur, escrevendo de Nova York, afirmou que o correspondente havia interpretado erroneamente o termo “refinado”. O governo não estava tentando detectar azeite de oliva refinado comum misturado com azeite virgem, escreveu ele, mas sim o azeite extraído de resíduos de azeitona e posteriormente refinado, conhecido como “orujo refinado”.

Segur chamou-o de “óleo extraído”, um termo antigo para o que hoje é conhecido como óleo refinado de bagaço de azeitona. A reportagem original parece ter confundido esse óleo com o azeite refinado produzido a partir de azeite virgem com defeitos.

Segur afirmou que o óleo extraído era destinado a usos industriais, incluindo a fabricação de sabão, e era proibido para consumo humano na Espanha. No entanto, comerciantes inescrupulosos o misturavam ao azeite comestível, pois sua presença era difícil de detectar.

Uma carta publicada três dias após a reportagem original afirmava que a fiscalização na Espanha tinha como objetivo detectar o que hoje é conhecido como azeite refinado de bagaço de azeitona, e não o azeite refinado comum. (Ilustração do Olive Oil Times)

Uma carta publicada três dias após a reportagem original afirmava que a fiscalização na Espanha tinha como objetivo detectar o que hoje é conhecido como azeite refinado de bagaço de azeitona, e não o azeite refinado comum. (Ilustração do Olive Oil Times)

Sua carta também rejeitou a alegação do artigo original de que o refino removia todo o valor nutricional do azeite e “destruía” suas vitaminas. Segur descreveu a mistura de azeites refinados e virgens como uma forma aceita de produzir um azeite mais suave para o mercado americano.

Essa troca de correspondência mostra como a terminologia do azeite de oliva pode ser facilmente mal interpretada, mesmo por observadores contemporâneos.

A linguagem usada para classificar o azeite tornou-se, desde então, muito mais precisa. O relatório de 1930 utilizava a expressão “azeite puro” de maneira diferente de seu significado comercial moderno. Hoje, o termo geralmente se refere a um produto obtido pela mistura de azeite refinado com azeite virgem.

O azeite de bagaço de azeitona é reconhecido como uma categoria separada. Ele é produzido a partir do resíduo que resta após a extração mecânica do azeite de oliva e deve ser refinado antes de poder ser misturado com azeite de oliva virgem e vendido para consumo. Ele não pode ser comercializado como azeite de oliva virgem ou extravirgem.

Os testes também avançaram muito além da medição da acidez. Laboratórios modernos examinam uma variedade de compostos e características que podem revelar refino, adulteração ou a presença de óleos incompatíveis com a categoria indicada no rótulo.

Os azeites virgens também são avaliados por painéis de degustação treinados, capazes de identificar defeitos que as medições químicas básicas podem não detectar.

O azeite refinado e o azeite de bagaço de azeitona não são, por si só, fraudulentos. A fraude ocorre quando um azeite é utilizado em uma categoria na qual não é permitido, ocultado dos compradores ou vendido com classificação, origem ou composição falsas.

O incentivo financeiro não desapareceu.

O azeite de oliva de maior qualidade tem um preço mais alto, criando oportunidades de lucro por meio da substituição, mistura ou reetiquetagem de produtos mais baratos. Os métodos utilizados para detectar fraudes no azeite de oliva tornaram-se muito mais sofisticados, mas o mesmo ocorreu com as práticas que eles se destinam a revelar.

O desafio de 50.000 pesetas do governo espanhol pertence a outra era. A questão por trás dele, porém, não: como os compradores podem ter certeza de que o azeite de oliva em um recipiente é o que o rótulo afirma ser?

Quase um século depois, a Espanha ainda vem reforçando sua resposta. Em 2026, o governo anunciou a ampliação dos controles antifraude em toda a cadeia de produtos de azeite e bagaço, incluindo inspeções mais abrangentes, sistemas de rastreabilidade digital e verificações baseadas em risco.

A terminologia e as ferramentas mudaram. A disputa entre autenticidade e fraude continua.

Arquivo: “Aims at Olive Oil Fraud” (Combate à fraude no azeite), The New York Times, 12 de outubro de 1930; “Curbing Olive Oil Frauds” (Coibindo as fraudes no azeite), carta ao editor, 15 de outubro de 1930.